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Um estranho no meu quarteirão IV

integrar, reduzindo o limite entre o público e privado.
integrar, reduzindo o limite entre o público e privado.

Segue minha caminhada para conhecer meu quarteirão e meus vizinhos. Ao mesmo tempo em que busco leituras, trabalhos, teses de urbanistas e estudiosos do tema.

O arquiteto Raul Ventura, um apaixonado pelo tema cidades, alias, uma das primeiras pessoas a instigar minha curiosidade sobre as cidades, apoiando a construção de temas para um programa de governo sobre Belém, indicou-me um livro, um clássico, sobre o assunto: Morte e Vida das Grandes Cidades, da jornalista Jane Jacobs. Jane trata da Vigilância Social através do uso dos espaços públicos vitais, as calçadas e as ruas.

O Sindicato dos Engenheiros de Pernambuco, baseado no livro de Jane, produzido um interessante cartilha sobre o tema: Por um Espaço Público Cidadão, que deixo aqui para o deleite dos amantes das cidades:

A cartilha traz uma gostosa conclusão:

“portanto, proteger as nossas novas ocupações, como também as intervenções nas áreas consolidadas, de forma integrada, reduzindo limites entre público e privado somando valores aos lugares, considerando o encontro entre:

O edifício e a rua,

O edifício e a quadra,

O edifício e o bairro,

O edifício e a paisagem,

O edifício e as pessoas”

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Sou um estranho no meu quarteirão II

Continuando minha peregrinação como desconhecido pelo quarteirão, quero dizer que fiz algum progresso esta semana. Comecei pelo prédio onde moro. Fui ao porteiro e pedi uma relação dos 24 moradores. Como disse antes, moro num edifício de 12 andares, com dois apartamentos por andar. O porteiro prontamente fez a relação, que me foi entregue no dia seguinte.

Na verdade, vi que somos apenas 22 apartamentos ocupados. Dois estão vazios. Vi que meu grau de conhecimento dos meus vinhos é de 40%. Muito baixo. E dos 40%, tenho intimidade com bem menos. Vou mudar isso. Não sei se eles permitirão minha aproximação, mas vou tentar.

Fiquei decepcionado comigo mesmo. Como posso morar a poucos metros deles e nunca ter feito um esforço para conhecê-los?

Nossas portas vivem o tempo todo fechadas. O prédio, embora sejam casas, uma em cima das outras, são isoladas, não permitindo contatos com facilidade. O elevador e as áreas comuns não são são feitas para estes contatos. Bater na porta de um vizinho de apartamento não parece ser algo comum. O síndico também não promove atividades agregadoras.

Lembro que por ocasião do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, iniciamos uma reza de apartamento em apartamento. A vizinha do 101, junto com sua auxiliar, fez todo o esforço para nos reunir. Foi uma experiência que no início até deu certo, mas aos poucos as pessoas foram perdendo o interesse, até que no ano seguinte, os terços ficaram esvaziados e acabou.

Como podemos viver felizes, sem viver em comunidade?

Termino com o compromisso de partir para prática em buscar estreitar os laços de vizinhança.

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Sou um estranho no meu quarteirão

Meu quarteirãoSou um belemense apaixonado pela minha cidade e por cidades. Os homens modernos resolveram que a cidade é o seu habitat. No Brasil, 85% das pessoas moram em um das mais de 5 mil cidades do nosso país. A cidade é o lugar onde nascemos, crescemos, fazemos amigos, é um espaço de trocas. Trocas econômicas, trocas emocionais, trocas de cultura, trocas de energia, trocas…

A cidade é, para mim, um ser vivo, formado por tudo que tem em um organismo complexo e como eles, as cidades se aperfeiçoam mantendo viva as relações entre os diversos elementos que fazem parte do seu corpo, ligações que trazem como produto a correção de problemas pela autoregulação, função fundamental para manter viva a cidade, que dependem dessas relações dinâmicas.

As primeiras relações e as mais importantes, são as relações das pessoas entre si, com os outros seres que habitam os espaços urbanos e ainda com os próprios elementos espaciais, casas, prédios, bar, padaria, supermercado, lojas, feiras,  pássaros, animais domésticos, baratas, ratos, bactérias, árvores, praças, ruas, calçadas, parques, nascentes, córregos, igarapés…

Nestas relações, as trocas se estabelecem. Troca-se, por exemplo, água limpa por água servida, ar limpo por ar particulado, solo natural por solo impermeabilizado, produtos por resíduos.

Neste sistema de relações e trocas, todas são importantes, mas as humanas são aquelas absolutamente necessárias. Com elas, as pessoas vão aperfeiçoando a vida da própria cidade.  O espaço para as trocas humanas na cidade são os espaços provados e os públicos, com as ruas, calçadas, parques, feiras, por exemplo.

Resolvi olhar mais atentamente para as calçadas e ruas, tomando para exemplo o quarteirão onde moro em Belém do Pará. A rua é a Avenida Generalíssimo Deodoro e o trecho fica entre a Rua Conselheiro Furtado e a Rua dos Mundurucus. Está na confluência entre os bairros de Nazaré e Cremação.

Neste curto espaço geográfico de 266 metros aproximadamente, com três edifícios de apartamentos, uma igreja, um restaurante e outras casas comerciais, já ocorreram muitos assaltos, inclusive a mão armada, morte e até o baleamento de um alto funcionário do sistema de segurança pública.

Moro neste quarteirão há 04 anos, mas hoje, quando comecei a pensar sobre minha rua e suas calçadas percebi que sou um desconhecido por aqui e que as pessoas são estranhas para mim, assim como também sou um estranho para elas.

Tentei fazer um cálculo de quantos são os moradores daqui e vi que nem conheço todos os moradores do meu prédio de 12 andares, com dois apartamentos por andar. Veja que trabalho para mudar o mundo dos outros, mas não tenho qualquer intimidade com o meu espaço geográfico.

Hoje, por absoluta falta de conhecimento, não sei dizer se as pessoas que passam nas calçadas são moradores ou frequentadores das casas comercias do meu quarteirão. Vi, porém, que os prédios, os três, incluindo o meu, não permitem inteiração dos seus moradores com as calçadas. Se quisermos colocar uma cadeira dentro do prédio e apreciar a calçada, isto não é facilitado. Bom, me proponho a ampliar meu conhecimento sobre o quarteirão onde moro e vou compartilhar meu progresso com vocês. Partirei por conhecer as pessoas que moram bem perto de mim, no meu prédio.Meu quarteirão

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