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Bandido morto

Bandido morto é a solução para violência?

Bandido morto
Matar traficante acaba com o tráfico?

Ouvi o delegado Eder Mauro dizer para pessoas na Feira do Bengui, durante um ato de sua campanha a prefeito de Belém, que se for eleito prefeito irá tratar “bandido como bandido e cidadão como cidadão”.

Algumas pessoas aplaudiram aquela frase dita por um delegado e deputado federal com muita ênfase e até com um certo convencimento de que esta é a melhor solução para combater a violência, decorrente do tráfico e consumo de drogas, que assola os bairros pobres da periferia das grandes cidades.

O Delegado e candidato, discorreu um pouco sobre as consequências das drogas. O uso, o consumo, o envolvimento atingem os viciados e os familiares, infelicitando até os vizinhos, obrigados a conviver com o clima de medo que ronda os ambientes onde circulam cocaína, crack e outras drogas viciantes.

Sou um político interessado no bem comum e a violência é uma coisa que me incomoda bastante, assim como deve incomodar dez em cada dez habitante de Belém. Esse contingente de eleitores quer uma solução para essa praga e tende a escutar os candidatos que apresentarem propostas para, pelo menos diminuir, o nível insuportável de intranquilidade urbana. Por isso, resolvi levar a sério e analisar a proposta de Eder Mauro: “tratar cidadão como cidadão e bandido como bandido”. Uma versão política para outro jargão: “bandido bom é bandido morto”.

Me interessei em saber se em algum país como os mesmo índices de circulação e consumo de drogas a proposta de exterminar traficantes foi posta em prática e deu que resultado.

Cheguei então, através de matéria publicada pela BBC de Londres, as Filipinas. O país possui uma área de 300 mil quilômetros quadrados e aproximadamente 7 mil ilhas. É um dos maiores arquipélagos da Ásia.

O país de língua filipina e inglesa, de maioria católico, com forte influência americana, vive o terror das drogas. Um terço da população tem envolvimento com as drogas, principalmente a proliferação de metanfetaminas, ou shabú, como a droga é conhecida no país. Cada grama custa cerca de 1 mil pesos filipinos (US$ 22).

O presidente Rodrigo Duterte foi eleito, em junho deste ano, e disse aos cidadãos e à polícia para matarem narcotraficantes. Traficante bom é traficante morto. Duerte, antes de sua eleição, prometeu acabar com a vida de 100 mil criminosos nos primeiros seis meses de governo. Para cumprir com a promessa, o Presidente filipino autorizou a contratação de matadores de aluguel, pagando até US$ 430 por assassinato (R$ 1380), uma fortuna nas Filipinas. “Segundo a polícia, mais de 1,9 mil pessoas foram assassinadas em episódios relacionados às drogas desde que Muterte assumiu a Presidência, em 30 de junho”

As mortes continuam, mas o consumo de drogas não retrocedeu. Os mortos até agora são pobres de periferia. O narcotráfico não se abalou e segundo o próprio presidente Duterte “afirma haver 150 altos funcionários, oficiais e juízes ligados a esse comércio. Cinco chefes de polícia são os comandantes do negócio, garantiu ele.”

No Brasil e aqui no Pará, o quadro é o mesmo. O tráfico funciona como o mesmo método de vendas de produtos em pirâmide. Tem o distribuidor e os revendedores. Os donos do negócio não se sabe ao certo quem são. A droga vem de fora, em operações que recebe apoio de alto escalão, entra no país, chega as mão dos distribuidores que repassam aos revendedores. Cada revendedor, faz seu pedido, quando sua caixa chega, vai ao ponto retirá-la, vende pelo preço que achar mais conveniente e faz um novo pedido.

A polícia e os grupos de extermínio alcançam o revendedor em sua maioria. A cada revendedor que é morto, como o negócio é rápido e lucrativo, outros logo se habilitam para apanhar a encomendo do que virou defunto.  São mortos os que incomodam, não pagam a propina ou ficam devendo para o distribuidor. O traficante, aquele que está no topo da cadeia, dificilmente será alcançado.

O dono do negócio do tráfico não tem cara, cor ou roupa de bandido. frequenta altas rodas, aparece em coluna social, tem forte influência entre políticos e autoridades.

O viciado, o comprador, a ponta final da droga, quem é?

As pessoas buscam as drogas por diversos motivos. Depressão decorrente da sociedade desequilibrada. Espírito de aventura, do qual os jovens são acometidos com muita frequência. Lenitivo para suportar a vida dura e miserável., etc. A grande maioria dos viciados são pobres de periferia, vivendo em palafitas, sem urbanização e oriundos de famílias desequilibradas. Estes são os clientes desse negócio milionário.

Se não cessar a causa, não cessará o efeito.

“Carta de Sado”: “Aquele que escala a montanha, mais cedo ou mais tarde, terá de descê-la. Aquele que despreza o outro, será desprezado […]. Essa é a lei geral de causa e efeito”. (Os Escritos de Nichiren Daishonin, vol. 5, pág. 25.)

Vencer o tráfico não é um ato de força. A inteligência deve ser a maior arma neste combate. A Filipinas nos mostra que não devemos seguir o caminho apontado por Eder Mauro, ele não é novo e nem foi inventado pelo Delegado.

Quando Eder Mauro diz: “tratarei cidadão como cidadão e bandido como bandido”, parece uma equação simples dividir uma cidade em cidadão e bandidos, mas não é tão simples assim, ao contrário.

O que caracteriza um e outro? Quem julgará e sentenciará a condição de bandido para um ex-cidadão?

São perguntas pertinentes que um prefeito não tem papel institucional de responder, salvo se o fizer utilizando a arbitrariedade e a ilegalidade.

No caso do tráfico, como atingir os donos do negócio que estão no topo da cadeia e se misturam nos melhores clubes e colunas sociais. vestem-se como cidadãos, praticam atos de cidadania, mas nos bastidores alimentam o negócio milionário das drogas?

Um prefeito pode ajudar sim a diminuir a violência e as drogas, mas não é pela raza propostas de achar que pode separar o joio do trigo.

“A Colombia é um bom exemplo de combate ao narcotráfico. Lá, associou-se políticas públicas a repressão estatal. Deu certo. Medellin, antes o centro de 80% das atividades de narcotráfico, lideradas por Pablo Escobar, virou o centro de atração para urbanista do mundo inteiro.

Para entender um pouco por que Medellin é ponto de peregrinação vale lembrar que no final dos anos 80 dali se controlava 80% do tráfico de cocaína nas Américas. Eventos como a invasão da Suprema Corte colombiana (1985),  a explosão do voo 203 da Avianca (1989) e das esculturas de Fernando Botero (1995) são todos atribuídos ao cartel de Medellin. Nos anos 90 um movimento chamado Compromisso Ciudadano começou a articular acadêmicos (Fajardo era diretor da faculdade), empresários e lideranças comunitárias em torno de um projeto de cidade. Em 2003 o sucesso do movimento levou elegeu Fajardo para a prefeitura.  Seu governo foi marcado pela proposta de construir os melhores e mais belos espaços públicos nas áreas mais pobres da cidade.

Desde então, Medellin tem estado na vanguarda do pensamento e da prática urbanística, com idéias que vão do o uso de teleféricos como solução de transporte à proibição de muros cegos e artefatos de segurança ofensivos como cacos de vidro e arame farpado. O fato é que os homicídios caíram de 6mil em 1991 para 871 em 2008 e estima-se que estarão na casa dos 400 em 2013.” (Visita a Medellin, cidade aberta)

A maioria da população quer o fim da violência. A minoria também quer o mesmo. A maioria, por pouco acesso ao conhecimento e as informações corretas, tendem a apoiar propostas simples e direta, como as que são feitas pelo Delegado Eder Mauro. A minoria sabe que não é o caminho, ao contrário, com o emprego da violência para combater a violência,  seremos vítimas fácil da lei da causa e efeito, quando a violência se voltara contra todos, mas está de braços cruzados achando que desqualificar a posição do Delegado é uma tarefa apenas dos candidatos a prefeito.

Tocqueville, nos alertou que um dos perigos das democracias está na “tirania da maioria”. Tirania da maioria, Tirania das massas ou ditadura da maioria é um termo utilizado em discussões acerca de democracias com decisões por maioria absoluta, para descrever cenários em que os interesses de minorias são consistentemente obstaculizados por uma maioria eleitoral, constituindo uma opressão comparável à das tiranias.[1] Os casos mais comuns são as discriminações contra grupos étnicos, raciais, religiosos, homossexuais, entre outros. A expressão “tolerância repressiva” também costuma ser associada à tirania da maioria.

O remédio está na qualificação do processo democrático, onde as minorias conscientes adotam papel ativo e ajudam a maioria com informações e socialização do conhecimento para evitar que todos caiam em tragédias anunciadas.

Eder Mauro pode até está de boa-fé, mas sua proposta é uma dessas tragédias anunciadas, tendentes a fazer muito mais vítimas entre os inocentes do que alcançar o resultado que todos almejam. A decisão está nas mãos da minoria agora, antes das eleições, se envolvendo ativamente no combate dessa propostas simples e direta de Eder Mauro, para que todos não sofram com a tirania da maioria depois, quando as urnas forem abertas.

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A esperança está nos jovens

A Fundação Verde Herbert Daniel preparou esta aula de Teoria Geral do Estado para auxiliar os jovens a entenderem um pouco mais de política. A juventude mostrou que deseja um país diferente, foi as ruas em 2013 portando cartazes e dizendo o que não queria. Com este curso, queremos que a juventude agora diga como quer as instituições políticas. Aproveitem.

 

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O Futuro do Brasil é Verde

O Brasil pode ser verde, mas precisa superar grandes e graves problemas políticos, econômicos e ambientais. O Partido Verde através de sua Fundação de estudos e debates, para comemorar cinco anos de sua Revista, a Pensar Verde, preparou uma edição especial de aniversário muito ousada, com propostas ousadas, mas factíveis. Espero que gostem e, se concordarem, defendam como suas ideias. O sonho coletivo pode virar realidade, vamos sonhar com um Brasil Verde?

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Bolsa Família, uma esmola oficial.

 

fila das bragantinas do bolsa-família
 
O programa bolsa-família faz parte da renda de muitas famílias sem rendas, mas ainda não mudou os índices de miséria e desigualdade regional, objetivo fundamental da República Federativa do Brasil, art. 3°, da Constituição Federal.  Muito menos foi um programa eficaz de distribuição de rendas ou mudou a qualidade da educação brasileira. 

Nos municípios, como Bragança, as pessoas fazem filas enormes para receber o benefício e a renda do Bolsa-família movimenta apenas o comércio local, passando dos bolsos dos beneficários diretamente para a conta corrente dos comerciantes, numa troca quase medieval, daquelas que se faziam nos burgos, sem que o bolsista agregue um bem promotor de autonomia e nem que a renda altere as bases da economia.

O programa, dito de transferência de renda virou um tabu. Os radicais defensores da doação mensal de um mísero valor não aceitam e nem cogitam qualquer alteração nas bases do bolsa-família. Os radicais opositores propõe a extinção pura e simples, o que poderia significar a deflagração (como diz o título do livro de Décio Freitas) da “revolução das miseráveis classes infâmes”.

Políticos oportunistas e descompromissados com o futuro olham para o bolsa-família e enxergam apenas eleitores e mexer negativamente com eles, pode significar uma derrota nas urnas.

O certo é que o programa Bolsa-família não cumpre seu objetivo e que é mudar a realidade de um país com uma das piores distribuições de renda do planeta. 

Também não alterou a triste realidade na educação, pois mesmo obrigando mães a colocar seus filhos na escola não impede a exclusão escolar. 

Os beneficiários do programa não se sustentam como consumidores qualificados e nem mudam seu próprio status quo, tornando-se cliente “ad eternum” do Programa, recebendo mensalmente uma esmola. 
Por mais que isto não seja simpático, defendo uma reavaliação deste programa de “distribuição de renda” o Bolsa-família, anteriormente chamado de bolsa-escola, que incorporou o “fome zero”, quem sabe seguir na direção de um sistema de renda mínima sustentado pelo imposto de grandes fortunas.

A música “vidas secas”, cantada por Luis Gonzaga, pode servir de estimulo a um bom debate sobre o Bolsa-família:

“Seu doutô os nordestino têm muita gratidão Pelo auxílio dos sulista nessa seca do sertão Mas doutô uma esmola a um homem qui é são                                                                                Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão

É por isso que pidimo proteção a vosmicê Home pur nóis escuído para as rédias do pudê Pois doutô dos vinte estado temos oito sem chovê                                                                        Veja bem, quase a metade do Brasil tá sem cumê.                                                                            Dê serviço a nosso povo, encha os rio de barrage.                                                                       Dê cumida a preço bom, não esqueça a açudage.”

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O Brasil oferece escola com exclusão social

Li uma estáticas escolar paraense divulgada pelo MEC, segundo a qual, de cada 10 crianças que entram na educação básica, através do ensino fundamental, apenas 3 concluem o segundo grau.

Comentando a estática com o amigo, professor e matemático, Raimundo Oliveira, ele me disse:  “a matemática, através da estatística, serve também para esconder realidades”.

O nosso professor passou então a explicar-me que se formos olhar a fundo, estratificando, veremos que a realidade da educação no Brasil é bem outra, composta por muito mais detalhes do que aqueles que saltam dos números gerais e misturados.

Na educação básica brasileira, explicou Raimundo, funcionam três sistemas. O sistema federal, composto pelas escolas de aplicação das universidades e as escolas militares. O sistema privado, composto por escolas particulares e confessionais. O sistema  público, sobre a responsabilidade dos governos estaduais e municipais.

Os piores números vem justamente do sistema público.

No dois sistemas, o federal e o privado, todos recebendo dinheiro público, estudam os jovens oriundos das famílias de classe média e da elite dirigente nacional. Nestes, o aproveitamento chega a 80%, ou seja, de cada dez crianças que entram no ensino básico, oito concluem o segundo grau.

O experimentado professor, prestes a adquirir o direito à aposentadoria por tempo de serviço, todos dedicados a educação, completa o quadro caótico, dizendo que se formos avaliar os três alunos que completam o segundo grau, oriundos do sistema público, constataremos que dois deles são provenientes de famílias com boas posses e um é dotado de alguma genialidade.

Realmente, o professor Raimundo Oliveira, tinha razão, o sistema educacional brasileiro ofertado para a classe pobre é o que pratica a exclusão escolar, termo que ouvi da professora Emina Santos e que agora faz todo o sentido.

O professor João Raimundo já havia mencionado estas diferença de tratamento, quando esteve presente ao programa de rádio “Pensar Verde”.

Enquanto a educação ofertada aos pobres for excludente, nosso país terá muita dificuldade para ingressar no rol dos país verdadeiramente democráticos.

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Pássaros Urbanos

Os pássaros da cidade

 

bem-te-vi

Não sou observador de pássaros urbanos, mas gostaria de ser. Os observo sempre da janela do meu apartamento. Minha curiosidade por eles aumentou quando percebi que um sabiá vinha todo os dias comer banana diretamente da fruteira que fica na minha cozinha. Ele chega, pousa na janela, observa e quando ninguém está por perto, o Sabiá entra e bica a banana mais madura que estiver ao seu alcance. Já o surpreendi nestes momentos, mas foi sem querer, cheguei em hora imprópria. Foi tão inusitado!

Da janela, pela manhã, vejo bem-te-vis, periquitos, beija-flores, gaviões, sabiás, pardais e pombos, muitos pombos. Tem outros pássaros pequeninos que não sei o nome e outros grandes, como os urubus e as garças.

Estas duas últimas espécies passam pela manhã, acho que vão atrás de alimento ou da sacanagem do Ver-o-peso e retornam no final da tarde, creio que atrás de um poleiro para dormir.

Se acordo muito cedo e dependendo o período do ano, vejo casais de papagaios voando por sobre Belém, não sei de onde eles v6em e nem para onde estão indo, sei que são barulhentos e só andam de dupla, um  macho e uma fêmea. Os papagaios são fidelíssimos. Embora raro, reconheço, tem pessoas assim como os papagaios.

Voltando as garças, já que os urubus são nossos velhos conhecidos e até música e piada os danadinhos têm, elas preferem duas árvores ali da Praça Batista Campos. Ficam por lá das seis, seis não digo, este negócio de horário de relógio é coisas dos homens, até o amanhecer, quando saem para os seus locais preferidos de alimentação. Para tipo de dieta destas aves, ainda tem muita oferta por aqui.

Com certeza convivemos nas cidades com muitas outras espécies, principalmente aqui que estamos na Amazônia. Para observá-los, era necessários ajuda de profissionais e um pouco de tempo.

Os pássaros por perto, nos dá a sensação de tranquilidade, de bem-estar, de paz. Alguns trazem estes pequeninos em gaiola, não gosto, acho a prisão para quem gosta de voar de última. A liberdade é um valor universal. Ouvir os cantos de diversos tons, agrada o ouvido humano. Quem sabe um dia observar pássaros vai virar um hábito meu e de muitos moradores da nossa cidade. Isto nos faria tão bem.

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Sou um estranho no meu quarteirão V

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Sede do CREA
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Edf. Horto Bosque

As ruas e as calçadas são os espaços vitais de uma cidade. Por elas circulam as pessoas que vão a escola, ao trabalho, a farmácia, a padaria ou apenas passeiam, levando, por exemplo, o cachorro para um passeio matinal. A casa, o edifício de apartamentos, fica numa dessas ruas, que se localiza dentro de um quarteirão da cidade.

Quem mora em um quarteirão, em tese é o maior interessado em saber quem circula pelo seus espaços vitais e com ele interagir, não acham? Os passantes eventuais ou os passantes contumazes tem pouca atenção para o que ocorrer cotidianamente ali naquele pedaço da cidade. Mas quem mora, ao contrário, precisa dele para viver bem.

As pessoas que moram no quarteirão deveriam cuidar para ter um quarteirão seguro, saudável e arejado. Mas se os moradores não cuidam desses espaços vitais, prolongamento do sentido de moradia, o espaço vital começa a ser ocupado pelos desconhecidos ou ficar sem passantes, tornando-se ermo e inseguro.

Ao longo dos anos, conforme a violência foi se intensificando nas cidades, junto com ela, foi acontecendo verticalização, com os edifícios de moradias, as casas e apartamentos foram ficando isoladas das calçadas e da ruas. As pessoas foram abandonando os espaços vitais da cidade e deixando de morar no quarteirão, que, por seu turno, foram ficando cada vez mais perigosos.

 

Depois de observar tudo isto na cidade de Belém e ler a cartilha do Sindicato dos Engenheiros de Pernambuco, cuja publicação faz parte da postagem anterior, sai para constatar se esse fenômeno havia acontecido por aqui. Primeiro no meu quarteirão e depois por outras ruas de Belém.

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Edf. Conselheiro Furtado

No meu quarteirão tem três edifícios. Os mais antigo é o que foi construído no terreno onde morou o poeta Antonio Tavernad, edf. Conselheiro Furtado, cuja foto ilustra este artigo, veja que a garagem começa no primeiro piso e ocupa tambem o segundo piso, mesmo assim temos um pouco de intereção entre o prédio, calçada e rua. Nos dois outros edifícios mais jovens,mesta precupação deixou de existir.

Na primeira foto da sede do CREA, o primeiro andar tem as janelas para rua. É um prédio bem antigo. Já o edifício Horto do Bosque, um prédio novo, percebe-se o afastamento e isolamento entre o público e o privado.

Concluo dizendo que precisamos rever nossa participação nos espaços vitais da cidade, começando pelo nosso quarteirão.

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integrar, reduzindo o limite entre o público e privado.

Um estranho no meu quarteirão IV

integrar, reduzindo o limite entre o público e privado.
integrar, reduzindo o limite entre o público e privado.

Segue minha caminhada para conhecer meu quarteirão e meus vizinhos. Ao mesmo tempo em que busco leituras, trabalhos, teses de urbanistas e estudiosos do tema.

O arquiteto Raul Ventura, um apaixonado pelo tema cidades, alias, uma das primeiras pessoas a instigar minha curiosidade sobre as cidades, apoiando a construção de temas para um programa de governo sobre Belém, indicou-me um livro, um clássico, sobre o assunto: Morte e Vida das Grandes Cidades, da jornalista Jane Jacobs. Jane trata da Vigilância Social através do uso dos espaços públicos vitais, as calçadas e as ruas.

O Sindicato dos Engenheiros de Pernambuco, baseado no livro de Jane, produzido um interessante cartilha sobre o tema: Por um Espaço Público Cidadão, que deixo aqui para o deleite dos amantes das cidades:

A cartilha traz uma gostosa conclusão:

“portanto, proteger as nossas novas ocupações, como também as intervenções nas áreas consolidadas, de forma integrada, reduzindo limites entre público e privado somando valores aos lugares, considerando o encontro entre:

O edifício e a rua,

O edifício e a quadra,

O edifício e o bairro,

O edifício e a paisagem,

O edifício e as pessoas”

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Sou um estranho no meu quarteirão III

Os laços de vizinhança que estou empenhado em fazer aqui no prédio onde moro, ainda estão muito longe de se tornar laços.

Morar em apartamento é morar perto e longe ao mesmo tempo.

Os apartamentos são porta com porta ou separados apenas por lajes, mas na prática estão a distâncias um dos outros.

Cada morador se tranca no seu lar e só abre a porta para quem vem lhe visitar, depois que este é anunciado pelo porteiro através do interfone com a devida autorização para subir. Não é comum um vizinho bater a porta uns dos outros.

Os encontros dos moradores nos prédios se dão sempre nas áreas comuns. Elevadores, garagens ou no hall. Os vinhos passam uns pelos outros e quando muito trocam um bom dia, uma boa noite. As vezes falam mal da administração, prometem que vão estar presente na próxima reunião do condomínio, mas nem sempre comparecem.

As áreas comuns dos prédios são pouco amigáveis. O hall do meu prédio até que é amplo, bonito, cheio poltronas e cadeiras, mas poucas vezes vi os moradores sentados por lá, conversando. No elevador, quando nos encontramos, muitas vezes seguimos cada um olhando o sua rede social no smartphone.

Como é possível viver em comunidade sem estreitar os laços de vizinhança?

Vou continuar tentando construir laços, primeiro no prédio e depois no quarteirão. Esta semana tive duas vitórias. Conversei com o morador do décimo segundo e com a moradora do quinto andar. A conversa foi de poucos minutos, mas foi um passo importante. O morador do décimo segundo reclamou bastante do nosso salão de festa. A moradora do quinto andar reclamou da conjuntura política e dos escândalos da Lava-jato. É pouco, mas para quem nem os conheci apesar de morar a poucos metros de distância, já é alguma coisa.

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BRT

BRT em Belém ainda é um sonho

BRT BelémBRT BelémBRTCriado a 40 anos pelo arquiteto e urbanista Jaime Lerner, o BRT de Curitiba foi levado para 180 cidades pelo mundo. Aqui em Belém, chegou apenas a ideia e até hoje ainda está longe de ser aquilo que foi sonhado pelo seu criador.

A seguir um resumo do que vem a ser o Bus Rapid Transit:

“De maneira sintetizada, o BRT tenta colocar na superfície o que o metrô faz abaixo dela: regularidade, rapidez e conforto. Para isso, exige – em um plano ideal – algumas características: faixas segregadas dos carros, e pelo menos duas delas, para permitir ultrapassagens; as paradas devem ser como estações, com pagamento antecipado, o que evita filas no embarque; e os coletivos devem ser maiores e articulados, chegando a transportar até 270 pessoas, com controle mais estrito dos horários.”

Observe o quanto estamos longe de termos por aqui um BRT.

http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/5-cidades-pioneiras-no-uso-eficiente-do-onibus

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