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O Brasil oferece escola com exclusão social

Li uma estáticas escolar paraense divulgada pelo MEC, segundo a qual, de cada 10 crianças que entram na educação básica, através do ensino fundamental, apenas 3 concluem o segundo grau.

Comentando a estática com o amigo, professor e matemático, Raimundo Oliveira, ele me disse:  “a matemática, através da estatística, serve também para esconder realidades”.

O nosso professor passou então a explicar-me que se formos olhar a fundo, estratificando, veremos que a realidade da educação no Brasil é bem outra, composta por muito mais detalhes do que aqueles que saltam dos números gerais e misturados.

Na educação básica brasileira, explicou Raimundo, funcionam três sistemas. O sistema federal, composto pelas escolas de aplicação das universidades e as escolas militares. O sistema privado, composto por escolas particulares e confessionais. O sistema  público, sobre a responsabilidade dos governos estaduais e municipais.

Os piores números vem justamente do sistema público.

No dois sistemas, o federal e o privado, todos recebendo dinheiro público, estudam os jovens oriundos das famílias de classe média e da elite dirigente nacional. Nestes, o aproveitamento chega a 80%, ou seja, de cada dez crianças que entram no ensino básico, oito concluem o segundo grau.

O experimentado professor, prestes a adquirir o direito à aposentadoria por tempo de serviço, todos dedicados a educação, completa o quadro caótico, dizendo que se formos avaliar os três alunos que completam o segundo grau, oriundos do sistema público, constataremos que dois deles são provenientes de famílias com boas posses e um é dotado de alguma genialidade.

Realmente, o professor Raimundo Oliveira, tinha razão, o sistema educacional brasileiro ofertado para a classe pobre é o que pratica a exclusão escolar, termo que ouvi da professora Emina Santos e que agora faz todo o sentido.

O professor João Raimundo já havia mencionado estas diferença de tratamento, quando esteve presente ao programa de rádio “Pensar Verde”.

Enquanto a educação ofertada aos pobres for excludente, nosso país terá muita dificuldade para ingressar no rol dos país verdadeiramente democráticos.

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Pássaros Urbanos

Os pássaros da cidade

 

bem-te-vi

Não sou observador de pássaros urbanos, mas gostaria de ser. Os observo sempre da janela do meu apartamento. Minha curiosidade por eles aumentou quando percebi que um sabiá vinha todo os dias comer banana diretamente da fruteira que fica na minha cozinha. Ele chega, pousa na janela, observa e quando ninguém está por perto, o Sabiá entra e bica a banana mais madura que estiver ao seu alcance. Já o surpreendi nestes momentos, mas foi sem querer, cheguei em hora imprópria. Foi tão inusitado!

Da janela, pela manhã, vejo bem-te-vis, periquitos, beija-flores, gaviões, sabiás, pardais e pombos, muitos pombos. Tem outros pássaros pequeninos que não sei o nome e outros grandes, como os urubus e as garças.

Estas duas últimas espécies passam pela manhã, acho que vão atrás de alimento ou da sacanagem do Ver-o-peso e retornam no final da tarde, creio que atrás de um poleiro para dormir.

Se acordo muito cedo e dependendo o período do ano, vejo casais de papagaios voando por sobre Belém, não sei de onde eles v6em e nem para onde estão indo, sei que são barulhentos e só andam de dupla, um  macho e uma fêmea. Os papagaios são fidelíssimos. Embora raro, reconheço, tem pessoas assim como os papagaios.

Voltando as garças, já que os urubus são nossos velhos conhecidos e até música e piada os danadinhos têm, elas preferem duas árvores ali da Praça Batista Campos. Ficam por lá das seis, seis não digo, este negócio de horário de relógio é coisas dos homens, até o amanhecer, quando saem para os seus locais preferidos de alimentação. Para tipo de dieta destas aves, ainda tem muita oferta por aqui.

Com certeza convivemos nas cidades com muitas outras espécies, principalmente aqui que estamos na Amazônia. Para observá-los, era necessários ajuda de profissionais e um pouco de tempo.

Os pássaros por perto, nos dá a sensação de tranquilidade, de bem-estar, de paz. Alguns trazem estes pequeninos em gaiola, não gosto, acho a prisão para quem gosta de voar de última. A liberdade é um valor universal. Ouvir os cantos de diversos tons, agrada o ouvido humano. Quem sabe um dia observar pássaros vai virar um hábito meu e de muitos moradores da nossa cidade. Isto nos faria tão bem.

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Sou um estranho no meu quarteirão V

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Sede do CREA
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Edf. Horto Bosque

As ruas e as calçadas são os espaços vitais de uma cidade. Por elas circulam as pessoas que vão a escola, ao trabalho, a farmácia, a padaria ou apenas passeiam, levando, por exemplo, o cachorro para um passeio matinal. A casa, o edifício de apartamentos, fica numa dessas ruas, que se localiza dentro de um quarteirão da cidade.

Quem mora em um quarteirão, em tese é o maior interessado em saber quem circula pelo seus espaços vitais e com ele interagir, não acham? Os passantes eventuais ou os passantes contumazes tem pouca atenção para o que ocorrer cotidianamente ali naquele pedaço da cidade. Mas quem mora, ao contrário, precisa dele para viver bem.

As pessoas que moram no quarteirão deveriam cuidar para ter um quarteirão seguro, saudável e arejado. Mas se os moradores não cuidam desses espaços vitais, prolongamento do sentido de moradia, o espaço vital começa a ser ocupado pelos desconhecidos ou ficar sem passantes, tornando-se ermo e inseguro.

Ao longo dos anos, conforme a violência foi se intensificando nas cidades, junto com ela, foi acontecendo verticalização, com os edifícios de moradias, as casas e apartamentos foram ficando isoladas das calçadas e da ruas. As pessoas foram abandonando os espaços vitais da cidade e deixando de morar no quarteirão, que, por seu turno, foram ficando cada vez mais perigosos.

 

Depois de observar tudo isto na cidade de Belém e ler a cartilha do Sindicato dos Engenheiros de Pernambuco, cuja publicação faz parte da postagem anterior, sai para constatar se esse fenômeno havia acontecido por aqui. Primeiro no meu quarteirão e depois por outras ruas de Belém.

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Edf. Conselheiro Furtado

No meu quarteirão tem três edifícios. Os mais antigo é o que foi construído no terreno onde morou o poeta Antonio Tavernad, edf. Conselheiro Furtado, cuja foto ilustra este artigo, veja que a garagem começa no primeiro piso e ocupa tambem o segundo piso, mesmo assim temos um pouco de intereção entre o prédio, calçada e rua. Nos dois outros edifícios mais jovens,mesta precupação deixou de existir.

Na primeira foto da sede do CREA, o primeiro andar tem as janelas para rua. É um prédio bem antigo. Já o edifício Horto do Bosque, um prédio novo, percebe-se o afastamento e isolamento entre o público e o privado.

Concluo dizendo que precisamos rever nossa participação nos espaços vitais da cidade, começando pelo nosso quarteirão.

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integrar, reduzindo o limite entre o público e privado.

Um estranho no meu quarteirão IV

integrar, reduzindo o limite entre o público e privado.
integrar, reduzindo o limite entre o público e privado.

Segue minha caminhada para conhecer meu quarteirão e meus vizinhos. Ao mesmo tempo em que busco leituras, trabalhos, teses de urbanistas e estudiosos do tema.

O arquiteto Raul Ventura, um apaixonado pelo tema cidades, alias, uma das primeiras pessoas a instigar minha curiosidade sobre as cidades, apoiando a construção de temas para um programa de governo sobre Belém, indicou-me um livro, um clássico, sobre o assunto: Morte e Vida das Grandes Cidades, da jornalista Jane Jacobs. Jane trata da Vigilância Social através do uso dos espaços públicos vitais, as calçadas e as ruas.

O Sindicato dos Engenheiros de Pernambuco, baseado no livro de Jane, produzido um interessante cartilha sobre o tema: Por um Espaço Público Cidadão, que deixo aqui para o deleite dos amantes das cidades:

A cartilha traz uma gostosa conclusão:

“portanto, proteger as nossas novas ocupações, como também as intervenções nas áreas consolidadas, de forma integrada, reduzindo limites entre público e privado somando valores aos lugares, considerando o encontro entre:

O edifício e a rua,

O edifício e a quadra,

O edifício e o bairro,

O edifício e a paisagem,

O edifício e as pessoas”

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Sou um estranho no meu quarteirão III

Os laços de vizinhança que estou empenhado em fazer aqui no prédio onde moro, ainda estão muito longe de se tornar laços.

Morar em apartamento é morar perto e longe ao mesmo tempo.

Os apartamentos são porta com porta ou separados apenas por lajes, mas na prática estão a distâncias um dos outros.

Cada morador se tranca no seu lar e só abre a porta para quem vem lhe visitar, depois que este é anunciado pelo porteiro através do interfone com a devida autorização para subir. Não é comum um vizinho bater a porta uns dos outros.

Os encontros dos moradores nos prédios se dão sempre nas áreas comuns. Elevadores, garagens ou no hall. Os vinhos passam uns pelos outros e quando muito trocam um bom dia, uma boa noite. As vezes falam mal da administração, prometem que vão estar presente na próxima reunião do condomínio, mas nem sempre comparecem.

As áreas comuns dos prédios são pouco amigáveis. O hall do meu prédio até que é amplo, bonito, cheio poltronas e cadeiras, mas poucas vezes vi os moradores sentados por lá, conversando. No elevador, quando nos encontramos, muitas vezes seguimos cada um olhando o sua rede social no smartphone.

Como é possível viver em comunidade sem estreitar os laços de vizinhança?

Vou continuar tentando construir laços, primeiro no prédio e depois no quarteirão. Esta semana tive duas vitórias. Conversei com o morador do décimo segundo e com a moradora do quinto andar. A conversa foi de poucos minutos, mas foi um passo importante. O morador do décimo segundo reclamou bastante do nosso salão de festa. A moradora do quinto andar reclamou da conjuntura política e dos escândalos da Lava-jato. É pouco, mas para quem nem os conheci apesar de morar a poucos metros de distância, já é alguma coisa.

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BRT

BRT em Belém ainda é um sonho

BRT BelémBRT BelémBRTCriado a 40 anos pelo arquiteto e urbanista Jaime Lerner, o BRT de Curitiba foi levado para 180 cidades pelo mundo. Aqui em Belém, chegou apenas a ideia e até hoje ainda está longe de ser aquilo que foi sonhado pelo seu criador.

A seguir um resumo do que vem a ser o Bus Rapid Transit:

“De maneira sintetizada, o BRT tenta colocar na superfície o que o metrô faz abaixo dela: regularidade, rapidez e conforto. Para isso, exige – em um plano ideal – algumas características: faixas segregadas dos carros, e pelo menos duas delas, para permitir ultrapassagens; as paradas devem ser como estações, com pagamento antecipado, o que evita filas no embarque; e os coletivos devem ser maiores e articulados, chegando a transportar até 270 pessoas, com controle mais estrito dos horários.”

Observe o quanto estamos longe de termos por aqui um BRT.

http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/5-cidades-pioneiras-no-uso-eficiente-do-onibus

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Contas do mês

  A cabeça da Hydra de Lerna quando cortada, surgia duas outras no seu lugar. Assim são nossas contas do mês. 

Pagamos, pagamos e elas sempre se renovam com mais força. E vêm acompanhadas de outras contas novas.

Nossas necessidades não param e nem as propagandas de novos produtos deixam de estimular nossos desejos. A indústria sabe disso e age como a Hydra, sempre a nos atormentar com novas cabeças.

Buscamos a felicidade plena. O que nos faz feliz, não custa dinheiro. Está na vida simples. Sem desejos. 

O nosso esforço para alcançar a vida com simplicidade, sempre são derrotados pelas novas cabeças que sugem dentro de nós em forma de desejos. Esmagamos os desejos e eles surgem com mais força e em outra direção. Quando deixamos de ser escravo de um produto, a indústria cria novas necessidades, e o desejo se renova. 

As contas do mês nos fazem trabalhar sem parar e não nos deixam ver coisa belas da vida. 

Mas como parar com a roda das contas do mês?

Derrotando a Hydra de Lerna do mercado de consumo.

Os desejos estão na nossa cabeça. Para derrotá-los temos que cortá-los, esmagá-los e depois queimá-los.

Você topa?

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