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A realidade de pobreza e miséria é maior que as ideologias

O Governo deveria governar para os mais necessitados, os pobres e os miseráveis do país. E o Governo sabe o número de pobres e miseráveis que temos, assim como também sabe quem são os bilionários e milionários.

Ah, sabe! E sabe por diversos meios oficiais.

Começa pela Receita Federal. A Receita, órgão considerado o mais sério dos órgãos públicos brasileiros, tem um cadastro de pessoas físicas. Depois a Receita tem os declarantes de imposto por faixa de rendas. E tem os isentos, que por não terem renda não declaram. Pronto, é só mandar o computador, através de um simples programa, ler o banco de dados e separar os ricos dos pobres e os pobres dos miseráveis, os que tem, dos que não tem, teremos os pobres e miseráveis que necessitam de assistência pública e programas sociais.

Não quer usar os dados da Receita Federal ou eles não vos serve? Tá bem, vamos a outro indicador.

Use então a base de dados dos CADÚNICO. “Esse conjunto de dados apresenta a quantidade de famílias em situação de pobreza e extrema pobreza, o total de famílias e pessoas cadastradas no Cadastro Único, assim como o município e o ano/mês de referência.”

Para decidir qual o universo prioritário das ações do governo nem um desses indicadores estão servindo, nem o IBGE, que é de esquerda, por que não consultar a  base de dados da previdência social?

Quem pode receber benefícios como o BPC ( Benefício de Prestação Continuada), são os idosos a partir de 65 anos e os portadores de deficiência física, mental, sensorial ou intelectual, desde que o impedimento da deficiência dure pelo menos 2 anos.

Tem ainda os dados do CAGED que é  o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – CAGED, que foi criado como instrumento de acompanhamento e de fiscalização do processo de admissão e de dispensa de trabalhadores regidos pela CLT, com o objetivo de assistir os desempregados e de apoiar medidas contra o desemprego.

Por último, o Governo pode se valer dos dados da educação, do bolsa família, do IDH, em fim, por tantos meios disponíveis o Presidente da República e os Congressistas saberão que somos um país desigual e constituídos por uma maioria de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza.

Ao verificar essa realidade, que se impõe sem qualquer margem para debates ou discordâncias, só resta uma saída, trabalhar e trabalhar muito para reverte esse quadro terrível que não é de esquerda e nem de direita, é humano. cristão, judeus, muçulmano, espirita, umbandista…

Combater a pobreza e a miséria nos colocará unidos por uma causa que está acima das ideologias e dos partidos políticos.

Virar as costas para essa realidade e continuar estimulando o ódio, as disputas estéreis vão adiar por muitos anos, com consequências terríveis, o futuro do nosso país. Como dizem os internautas, simples assim.

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Santos Dumont e a morte das abelhas

Viver a vida com limites e respeito a natureza

“Alguém, sabe me dizer onde encontro a feira de produtos orgânicos, destes que vem direito da roça e dizem que faz muito bem para saúde?”, perguntou o vizinho do 501, dirigindo-se as pessoas que estavam ali pela portaria do prédio residencial onde mora.

O porteiro fez que não ouviu ou se ouviu não sabia o que era produto orgânico, para ele, era coisa dessa gente metida a besta, que gosta de inventar moda. 

Já o tenente reformado, que saia para passear com seu cachorrinho de estimação, homem, que por ter muito tempo livre, sabia de quase tudo que rola na cidade, foi logo dizendo: “Vizinho, hoje a feira está lá na Praça Santos Dumont”

“Praça Santos Dumont, onde ficaria?”, pensou o morador, que estava ansioso pelos produtos limpos e vindos direto da natureza, sem os tais agrotóxicos, um mal medonho para saúde. Ele que morava a tanto tempo em Belém, agora estava em dúvida sobre a localização de uma praça da cidade. 

A rede Globo faz propaganda da agricultura que usa agrotóxico. A propaganda diz que Agro é Tech, que tech que nada! A propaganda quer é associar o mal ao bem, ao tecnológico, para dourar a pílula. Mas não adianta, não doura não.

A ciência já revelou que esses produtos lindos, certinho, sem manchas, bonitos de se ver, que estão nas prateleiras dos supermercados, são assim artificialmente e não porque a natureza o quis.

Estudos comprovam que a exposição da população a certas substâncias usadas na indústria química causam distúrbios neurocomportamentais. Embora os traços de glifosato em cada alimento possam não ser grandes, o seu efeito cumulativo é o verdadeiro motivo de preocupação.

A vida moderna está muito artificial. Manipulada pelo homem que manda no dinheiro e sempre quer obter lucro com tudo que vê pela frente, lucro só não, também quer o poder, pois os dois andam juntos, de braços dados e se protegem.

Essa industria apressam a vida do boi, do frango, da cenoura, da batata, fazem-nas de escravas do seu sistema de produção em larga escala. É um sistema em crise. Num ponta produz-se muito, perde-se muito, lucra-se muito. Na outra ponta, a fome e a busca por alimento é uma triste realidade que ceifa milhões de vidas todos os anos.

Nada mais é duradouro nessa vida de modernidade líquida, disse Bauman.

Uma rua está assim, no outro dia já está mudada. As fachadas das lojas do comércio, então! Uma hora estão de um jeito, ai vem um chinês, que a gente nem sabe como eles chegam por aqui, vindo de tão longe, com seus plásticos e microchipe, aluga, coloca uma fachada e esconde a beleza do prédio original da belle epóque.

Até as farmácias, que antes eram escritas como ph e faziam o remédios na hora, de acordo com a doença e com a cara do freguês, hoje são construídas, uma em cada esquina, em menos de 24 horas. Você passa hoje é uma padaria, vem amanhã e já tem uma dessas lojas. Até ali no Baenão já construíram uma. Qualquer dia vão colocar uma dessas farmácias ao lado da Igreja da Sé ou da Basílica, ai vai ter revolta, pois era só o que faltava!

“Vizinho, a Praça Santos Dumont é a mesma Praça Brasil, que os antigos até apelidavam de Praça do Índio, por causa daquela estatua em bronze, importada da Alemanha pelo dono do Armazém Guarani, um que ficava ali na 15 de Novembro”, disse-lhe o Tenente do cachorrinho.

As galinhas de granja, brancas, sebentas, gordurosas, aquilo é só hormônio e faz muito mal para as pessoas. Os bois daqui dizem que é boi verde, como verde, se para crescer precisou de pasto, que ocupou o lugar da floresta, pasto que foi plantado e mantido com muito produto químico. 

O vizinho do 501, agradeceu, se despediu e foi a suas compras de produtos naturais, sem os venenos da modernidade. 

Na Praça, a feira estava lá, mas foi direto ao monumento que fica no centro da Praça, certificar-se da mudança, quando viu a placa nova, de 1996, anunciando a reconstrução da Praça Santos Dumont, pelo prefeito Hélio Gueiros, já com a nova nomenclatura.

Mudaram mesmo o nome e nem avisaram, será que um prefeito tem tanto poder assim? Pensou consigo mesmo, enquanto caminhava até a feira. 

As pessoas vão se acostumando as mudanças repentinas, como se a vida fosse digital, igual a timeline do foi facebook, ali as noticias passam rápido pelas nossas vistas e nem dá tempo de fixa-las na mente, muito menos, os fatos maturam o suficiente para transforma-se em conhecimento e daí gerar a sabedoria. Assim como vem, se vão e são substituídos por muitas outras informações. Uma morte anunciada no face, logo é substituída por outra tragédia, mais outra e outra, num processo de banalização completa.

Nas barracas da feira de orgânicos, os vendedores são os próprios produtores. Uma senhora pergunta porque o mel de abelha está mais claro. A moça explica que a cor do mel depende da florada. Ovos caipira são bem menores, mas a gema é vermelha que dá gosto. O mamão e a laranja tem marcas do seu crescimento natural. Aquilo são produtos elaborados e maturados pela natureza, no tempo apropriado.

Uma galinha, pelo processo natural leva no mínimo 90 dias para ser abatida, enquanto que a da granja, cheia de antibióticos, estará pronta em apenas 40 dias. Comparando ao cozimento de alimento, se o fogo for muito alto, cozinhara bem mais rápido, preparando o alimento em menor tempo, mas o sabor não será o melhor, os temperos não se misturarão adequadamente, não ocorrera a química perfeita e a coacção.

O vizinho se abasteceu dos produtos mais saudáveis que tinha por lá, na volta, parou novamente no monumento, agora pelo lado da Senador Lemos e viu que a placa original, de 1937, quando governava o Pará o interventor federal Magalhães Barata, ainda continuava no mesmo lugar. Em cima do monumento de 4 metros de altura, o índio do Armazém Guarani, objeto de prosa do poeta Rodrigo Pinajé, também estava lá. O que mudou, afinal? 

Ele não era contra a modernidade e as boas invenções humanas, nem as descobertas dos produtos químicos e das facilidades tecnológicas, nem era contra a homenagem a Santos Dumont, afinal o seu invento é uma maravilha da inteligência humana. Questionava a mudança sem o bom propósito ou o uso dessas novidades para permitir o exagero, o lucro e o poder pelo poder. 

Lembrava dos caças japoneses se atirando com o piloto como se fora uma arma letal ou daquele avião com a bomba, jogada sobre Hiroshima. Lembrava agora do avião agrícola jogando muitos litros de veneno sobre o pomar, matando as pragas, mas também milhões de abelhas, coitadinhas, fecundadoras das plantas, as polinizadoras da natureza e que para todo esse enorme benefício a humanidade cobram tão pouco.

O avião não foi feito para matar as abelhas e Santos Dumont merece toda nossa homenagem.

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O tempo pede coração civil

– Coloca ai um Milton Nascimento, pedia um dos frequentadores assíduos do Boteco dos Amigos. 

Mas os tempos estão bicudos e a intolerância não escolha hora para se manifestar. Até nos lugares de recreios o radicalismo ingressou sem pedir licença. 

Quando o caixa, que controlava o som, ia perguntar a preferência, e antes que o freguês disse que desejava escutar “Coração Civil”, de uma outra mesa, lá no fundo, ouviu-se um brado.

– chega de badalar esses artistas gay e maconheiros, que vivem da Lei Rounet, respeitem a maioria, disse o homem, apoiado por todos da sua mesa.

Fez-se o impasse. O conflito era iminente. O clima ficou tenso.

O funcionário do Boteco acostumado a harmonia e o respeito as diferenças por ali, era o que fazia o charme do lugar, sem saber o que fazer, fez o som emudecer, como se protestasse para dizer, nem uma coisa nem outra, vamos nos entender.

O freguês, que havia pedido a música do Bituca, acendeu um cigarro, pegou seu copo e saiu para o ar livre, cantarolando, sem se intimidar:

“Sem polícia, nem a milícia, nem feitiço, cadê poder?

Viva a preguiça, viva a malícia que só a gente é que sabe ter

Assim dizendo a minha utopia eu vou levando a vida

Eu viver bem melhor

Doido pra ver o meu sonho teimoso, um dia se realizar”

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Estamos deixando de ouvir os graves alertas ambientais e sociais

Quando a barragem de Brumadinho rompeu, as sirenes não tocaram, foram engolfadas pela lama, mas os alertas ensurdecedores já haviam soado em Mariana. A empresa e os governos federal e estadual não quiseram ou não puderam ouvir sobre o perigo destas barragens.

Por que então estes alertas foram ignorados?

Não é de hoje que estamos deixando de ouvir todos alertas, até os mais graves, que implicam na nossa própria segurança e existência.

São as barragens, as doenças evitáveis, os desmatamentos, o uso excessivo de agrotóxicos, o derretimento do gelo da calota polar, a agonia dos corpos hídricos contaminados, as espécies animais e vegetais simplesmente extintas, os milhões de refugiados mortos ao tentar sair de seus países em busca de sobrevivência, a ausência criminosa de  saneamento básico que transmite doenças e mata pessoas em todos os cantos do Planeta, os milhões que morrem de fome, etc.

O que está nos cegando e nos deixando moucos?

Antes de falar sobre os motivos da nossa insensibilidade aos alertas de perigo tão iminente, vou me permitir fazer mais um alerta grave ao povo e as autoridades paraenses.

Trata-se dos perigos a que estão submetidos os mananciais de abastecimento de água de toda a Região Metropolitana de Belém, diante do trafego intenso de veículos, incluindo aqueles com carga perigosa ou insalubres como os caminhões que transportam lixo, cuja o conteúdo pode vazar diretamente para os lagos e nascentes.

O relatório apresentado a Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados, em 2014, sobre o processo de licenciamento ambiental do prolongamento a Avenida João Paulo II, já alertava para os futuros problemas que o Parque do Utinga e os mananciais de abastecimento de água por ele protegido, ocorreriam caso não se adotasse os cuidados necessários. Mas o alerta entrou para os rol de tantos outros e foi ignorado e, sobre a cegueira da sociedade, as autoridades fizeram ouvidos moucos, o Licenciamento Ambiental foi expedido com algumas condicionantes, que não estão sendo fiscalizadas.

Os olhos e ouvidos das autoridades e das pessoas estão sendo impedidos de funcionar pelo sistema economico e político, baseado no poder e no lucro, com métodos que não respeitam a vida e nos desconectaram da natureza, da qual, parece que deixamos de ser parte.

Os empresários  e os governantes olham para o sistema natural e para as pessoas e não enxergam nelas a complexa teia de relacionamento que significa a própria vida. Deixaram de perceber o verdadeiro sentido da vida e suas implicações.

As pessoas, capturadas pelo sistema, não tem força para reagir ao perigo e assumem as causas dos seus algozes, trabalhando, consumindo e produzindo em função de um pouco de satisfação pessoal e dos parcos salários.

A roda da máquina que eles inventaram, gira contra todas as leis naturais, subvertendo a teia da vida,  escravizando o meio ambiente e pessoas e forçando-os a produzir riquezas para sua apropriação.

Vamos pensar apenas na Vale e no seu produto.

A Vale é uma das maiores mineradoras da Terra. Seu negócio é encontrar e explorar todo o tipo de mineral que esteja em alta no mercado, principalmente o ferro.

A quem pertence a Vale?

Os verdadeiros donos da Vale
Os verdadeiros donos da Vale

Mais da metade do capital votante da Vale pertence, direta ou indiretamente, ao Estado. Outra parte é o capital que circula no mercado especulativo, rodando pelas bolsas, em apostas de investidores anônimos. A maior parte do lucro de toda atividade desta monumental empresa, porém é apropriada pelo mercado financeiro, verdadeiro monopolista e gerente desse sistema.

A Litel, uma das grandes acionista da Empresa, é formada pela Previ (Caixa de Previdência dos Empregados do Banco do Brasil), Petros (Fundação Petrobrás de Seguridade Social), Funcef (Fundação dos Economiários Federais) e Fundação Cesp, dos empregados da Eletropaulo, Cesp e Companhia Paulista de Força e Luz.

Os administradores da Companhia são profissionais pagos para dar lucro aos investidores e nem sabem quem são eles pessoalmente, pois apenas tratam com seus representantes, que são pessoas contratadas, cujo salário depende dos resultados positivos da Companhia.

Um funcionário da Caixa Econômica, do Banco do  Brasil ou da Petrobras, prestes a se aposentar, terá seus ganhos advindos do lucro dessa companhia e nada pode fazer para exigir que esse mesmo lucro venha de práticas ambientais ou sociais éticas.

Um conjunto de engrenagens sem rostos, movem esse sistema, que só tem um objetivo: rentabilidade para as ações e lucro para os fundos de investidores.

Assim como o pensionista da PREVI, lucra com o lucro da Vale extraído em forma de ferro, deixando as barragens de lama para trás, o consumidor que compra um produto feito de metal, também está contribuindo, involuntariamente, para os desastres de Brumadinho, Mariana ou, num futuro próximo, contribuirá para outras, pois existem só na região onde se localiza Brumadinho mais dez outras barragens como os mesmos riscos.

Quando se fala em capitalista, burguês ou elite poderosas, na verdade não se fala mais de pessoas, mas de um sistema que gira ao contrário do movimento do universo e por isso produz o caos. É um sistema fadado a nos destruir. Na periferia desse sistema vai ficando o desastre ambiental e a tragédia humana.

Todos as sirenes estão tocando ao mesmo tempo. Algumas foram engolfadas pela lama, mas as outras tocam e nós estamos insensíveis a ela.

Os cientistas do acordo do clima de Paris, as ONGS, os Verdes do Global Green, o Papa Francisco, mostram os relatórios, gritam, fazem barulho, apelam fortemente, mas o sistema nos cegou e nos ensurdeceu.

A classe política e o modelo de organização dos estados nacionais faliu, são incapazes, não tem força para mudar nada. Impotentes de atuar contra o capital especulativo, tratam apenas dos seus próprios interesses, sucumbindo a força desse sistema perverso.

É hora de abrir os ouvidos e os olhos e reagir criando mecanismos multilaterais, democráticos, transparentes, capaz de controlar o capital financeiro mundial, que a todos escravizou, subjugando os estados nacionais, incapazes de defender sua população.

É hora de trabalhar por um novo pacto baseado na visão sistêmica, abolindo o pensamento cartesiano e o poder patriarcal que desequilibrou tudo, incluindo o masculino e o feminino. Só a ecologia profunda pode nos salvar.

 

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Não há crime perfeito quando se investiga

De todos os homicídios ocorridos no Pará, apenas 3,4% foram esclarecidos. O caso Marielle, que parecia ser o crime perfeito, após exaustivo trabalho de investigação criminal, começa ser desvendado, mostrando que não há crime perfeito para o cientifico trabalho de investigação criminal.

A investigação criminal ficou famosa no mundo inteiro através da ficção criada pelo Sir Arthur Conan Doyle, nos romances policiais “Um estudo em Vermelho” e “O Sinal dos Quatros”, nos quais aparecem a inconfundível figura do detetive dos detetives Sherlock Holmes. Isto era no Século XIX.

Os governos estaduais, induzidos por propostas marqueteiras, desviaram o foco da investigação policial para compras de armas, equipamentos para policial ostensiva, estruturas físicas em comunidades. Mas aos poucos foram relegando ao segundo plano a policial civil investigativa.

A impunidade e a corrupção fizeram o crime valer a pena no Pará.

Lembro que mataram um líder comunitário do bairro do Jurunas, que denunciava as milícias e o tráfico, na época, apelei para que fizessem da investigação desse crime um símbolo importante contra o crime perfeito. Descobrir e punir os criminosos seria como dizer para toda a malandragem que o crime nunca compensará.

Vi com bastante preocupação a execução, em plena luz do dia, ali na Julio Cesar com a Brigadeiro Protásio, de um apenado do regime semi-aberto, quando este saia da cadeia, após ter dormido na unidade prisional que fica perto do Aeroporto de Belém e nada foi esclarecido.

A Segurança Pública está nas mãos da PM e da sua declaração de guerra. Matam um policial militar verifica-se uma reação, que segue uma nova ação dos bandidos e reações se seguem deixando mortos seletivos, alguns inocentes, sem que a violência dê trégua.

Quantas pessoas são assaltadas por dia, perdem celular, bolsa, dinheiro, cordão, registram boletim de ocorrência e nunca recebem uma satisfação do Estado?

O melhor investimento em segurança pública, além de tudo que já esta anunciado, é na carreira de investigadores de policia, peritos criminais e nos equipamentos técnicos-científicos. Aliado a estas medidas, implantar a tolerância zero, que significa punir os criminosos com os rigores da lei, seja quem for e qual o crime cometa.

Se chegar o dia em que as pessoas voltarem a confiar na capacidade do estado esclarecer e punir os crimes e criminosos, derrubando os índices de impunidade, neste dia se reconquistará a confiança do cidadão e da sociedade e a paz voltará a triunfar.

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Derrote políticos viciados

Nesta eleição, a ordem é renovar a política com qualidade. Você topa? Renovar é trocar, mudar, substituir, mas não de qualquer jeito.

O Congresso Nacional em todas as eleições sempre renova 30% dos seus membros, mas isso nem sempre quis dizer mudanças, o eleitor acaba trocando seis por meia dúzia. Veja um caso concreto.

O corrupto do Severino Cavalcante perdeu o mandato. Aplaudimos muito, ele não merecia nos representar. Depois descobrimos que Severino pediu e os eleitores votaram num seu substituto novinho em folha, o deputado Eduardo da Fonte, acontece que o moço é pior e veio com uma folha corrida invejável (Veja processo do Dudu da Fonte)

Agora os corruptos inelegíveis, respondendo processos, alcançados pela Lava Jato e outras operações, não querem perder poder e tencionam eleger seus filhos ou parentes, é o caso de Eduardo Cunha que quer eleger sua filha, Wladimir e o Pastor Josue Bengtson, também.

Renovar na política é renovar com qualidade. É corrigir sempre os rumos da construção do estado democrático de direito. É fortalecer as instituições. É buscar representantes cada vez mais identificado com valores éticos, morais, defensores do bem-comum, dos interesses gerais da sociedade em busca da felicidade como um bem de todos.

O trabalho do eleitor, enquanto cidadão é acreditar nos valores coletivos como seus e garimpar na sociedade os melhores cidadãos para desempenhar essa missão de representa-lo. O desfio é grande, mas nada que um eleitor comprometido não posso alcançar.

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Uma sociedade de paz, com boas leis e um bom parlamento

Estamos vivendo uma crise generalizada no setor de segurança pública. Os abusos estão por todos os lados, as cadeias abarrotadas, a policia prende muito, o tratamentos dos presos é cruel, no entanto a violência cresce vertiginosamente.

Quem deveria estudar o fenômeno e corrigir o sistema de punição de delitos, para torna-lo mais eficiente seria o Poder Legislativos e não a Policia e a Justiça.

No entanto, nosso parlamento está repleto de parlamentares sem legitimidade, sem preparo técnico, sem compromisso com “o bem-estar possível para a maioria”, eleitos por caixa dois, dinheiro obtidos por meios ilícitos, incluindo a corrupção.

Se quisemos almejar um futuro melhor e mais seguro, com soluções mais eficazes para tratar a violência, devemos focar nossas energias a escolher as melhores e mais bem intencionadas pessoas da nossa sociedade para receber nosso voto e nos representar na nova composição do parlamento federal e estadual.

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Os belemenses estão morando no lixo

Basta chegar em Belém e do aeroporto se dirigir a um dos hotéis do centro, que no caminho o visitante irá encontrar diversos monturos de lixo, abandonado nas esquinas da nossa outro bela e europeia cidade das mangueiras.

Um exame em cada um desses montes de resíduos sólidos (nome técnico de lixo) encontrará diversos tipo de descarte. Pneus, aparelhos eletrônicos quebrados, resto de móveis, plásticos, geladeiras velhas, colchões, madeira, resto de construções, etc.

De onde vem tanto lixo? Qual sua origem?

Imediatamente a prefeitura e a imprensa, costumam atribuir a causa aos moradores e logo dirão que o lixo vem da casa das pessoas mal-educadas, imundas, que não gostam de ter uma cidade limpa.

Isto é parcialmente verdadeiro e olhando o problema dessa forma, nunca vamos resolve-lo, pois esta é uma visão simplória do fenômeno.

A vida mudou. Os hábitos de consumo mudaram. O número de pessoas morando em cidades é cada vez maior. As residências ficaram pequenas, sem quintais e sem espaço. A produção de bens de consumo também sofreu grandes alterações.

O Papa Francisco em sua carta pastoral “Laudato Si” aponta para o fato de que o homem não se conforma em ser criatura e quando tenta ser criador, sua criação é imperfeita, gerando sempre emissões de gases de efeito estufa e enormes quantidades de resíduos, coisa que não acontece na natureza, obra perfeita do Pai.

Tratar o lixo, hoje requer compreender o problema em suas várias dimensões. Vamos a elas.

A indústria, os distribuidores e os comerciantes de produtos que viram resíduos em pouco tempo devem ser chamados como parte do problema, dando sua contribuição no auxilio as cidades no recolhimento de tudo que eles colocaram no mercado e estimularam o consumo. Esta responsabilidade já está prevista em lei e chama-se logística reversa.

O lixo hoje não pode ser visto como um todo hegemônica. Deve-se ser separado em dois grupos: os resíduos e os rejeitos. A separação será feita nas residências e recolhida também separadamente pela coleta seletiva e coleta tradicional.

Os resíduos são os que podem e devem ser recolhidos e reciclados ou reutilizados. Neste momento, entrar em cena a educação ambiental e um sistema de coleta e separação.

Os resíduos são aqueles que não se aproveitara para mais mais nada e irão para o descarte ambientalmente correto, nos locais apropriados e com aplicação de técnicas para aproveitamento de gás e do líquido percolado (nome técnico do chorume, liquido viscoso, altamente tóxico, resultante da decomposição do rejeito)

Tudo isso que foi dito até aqui, está previsto didaticamente na Lei nº 12.305, que criou no Brasil a política nacional de resíduos sólidos, com a máxima de que quem produz resíduos é responsável por ele.

Se é tão simples assim, por que as prefeituras não fazem?

Esta lei demorou 20 anos para ser aprovada no Congresso Nacional. A oposição a ela vinha de grupos de interesses capitaneado pelas empresas que produzem lixo como produto de consumo, os chamados descartáveis, que não desejavam mudar sua forma de produção e nem queriam assumir suas responsabilidades.

Aprovada a lei, a oposição dos primeiros se juntou a resistência de empresas que fazem a coleta tradicional de lixo e administram lixões, que ganham por quilo de lixo coletado e “tratado”. Estas empresas geralmente são grandes financiadores de campanha eleitoral e anulam a implantação da PNRS corrompendo prefeitos e vereadores.

Uma outra oposição vem dos hábitos das próprias pessoas, acostumadas a descartar seus resíduos sem qualquer responsabilidade ambiental.

Enquanto não houver um consciência coletiva do problema, haveremos de conviver com cada vez mais monturos de lixo espalhados por todos os cantos da cidade, chamando feiura e muita doença.

A imprensa tem um papel fundamental. Primeiro é preciso que os jornalistas que cobrem cidades entendam o mecanismo da lei e fato social que ela se propôs a disciplinar, dessa forma vão poder cobrar as responsabilidades de cada um e até orientar a mudança de hábitos.

O certo é que não dá mais para morar no lixo, queremos morar na bela Belém. Nem é razoável fazer da vizinha Marituba o depósito do lixo de todos que moram na Região Metropolitana.

Na moderna Política Nacional de Resíduos Sólidos o lixo é dinheiro, emprego e renda, deixando de ser um problema para ser uma solução.

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Sem memória, a modernidade é líquida.

Memorial World Trad CenterEm recente viagem a Nova York, fui visitar o monumento em memória das vítimas de 11 de Setembro, construído no lugar das duas torres gêmeas, tombadas ante ação terrorista.

Aqueles monumentos imensos, com os nomes das pessoas vitimadas pelo terror, aliado a água jorrando em direção a um buraco infinito, como se fosse a própria vida descendo por aquele túnel sem fim, me impressionou bastante.

Os nomes das vítimas, o relato do acontecimento, o objetivo do monumento estão vazados na pedra, de tal forma profunda, que, somados a grandiosidade de tudo por ali,  devem durar por muitos e muitos anos, fixo, como se quisessem por nas mentes, para ninguém esquecer daquele acontecimento.

A lembrança do evento nova-iorquino, embora já tenha passado dias da visita que fiz, voltou neste 17 de Julho, quando completa dez anos do acidente com um avião da TAM no aeroporto de Congonhas. O avião pousou e não desacelerou, atravessando a pista e indo se chocar com o prédio da companhia, pegando fogo com o enorme impacto, matou todos os passageiros e tripulantes,

Um monumento também foi erguido no local, o monumento 17 de Julho. Nestes dias, os familiares e amigos, foram lembrar o episódio. A imprensa registra que monumento está malcuidado e os nomes das vítimas, muitos já estão apagados, como se os responsáveis pela tragédia desejassem apaga-lo das mentes dos brasileiros.

Memorial 17 de Julho 1Memorial 17 de Julho 2

No domingo, enquanto pensava sobre a diferença entre dois acidentes e a forma de lembra-los, fui as minha obrigações religiosas.

O Padre leu a famosa parábola do “Semeador”, na qual Jesus Cristo compara a palavra a uma semente plantada no coração das pessoas. Comparando o coração a quatro tipos de terrenos possíveis de receber a semeadura. Um terreno a beira de uma estrada. Um terreno pedregoso. Um terreno espinhoso. Por fim, a boa terra fértil e fecunda.

Uma sociedade deve se esforçar para plantar seus valores bem no fundo dos corações das pessoas, assim pode gerar 100, 60 e 30 frutos. Foi o que entendi, ao ouvir o Evangelho.

Na segunda-feira, continuei pensando sobre os acidentes e sobre o Evangelho. Era 17 de Julho, dia do trágico evento, a imprensa não parava de falar sobre o assunto e de reclamar, com razão, da precariedade do monumento.

Neste mesmo dia, em uma emissora rádio, ouvi um comentário do filósofo brasileiro, Leandro Karnal, que instado a comentar o porque das pessoas em uma praia, de trajes mínimos, fazerem tanto selfies, respondeu que a geração passada quando ia para um lugar, ia por inteiro, de corpo e alma, mas a geração atual, vai aos lugares e lá não está. Elas usam o local como cenário para estarem em múltiplos cantos através das redes sociais.

Este papo na rádio, que tem um título curioso: “Careca de Saber”, remete-me a teoria de Baumann: “A modernidade líquida”, principalmente o trecho que a seguir reproduzo:

“Fixar-se ao solo não é tão importante se o solo pode ser alcançado e abandonado à vontade, imediatamente ou em pouquíssimo tempo. Por outro lado, fixar-se muito fortemente, sobrecarregando os laços com compromissos mutuamente vinculantes, pode ser positivamente prejudicial, dadas as novas oportunidades que surgem em outros lugares. Rockefeller pode ter desejado construir suas fábricas, estradas de ferro e torres de petróleo altas e volumosas e ser dono delas por um longo tempo (pela eternidade, se medirmos o tempo pela duração da própria vida ou pela da família). Bill Gates, no entanto, não sente remorsos quando abandona posses de que se orgulhava ontem; é a velocidade atordoante da circulação, da reciclagem, do envelhecimento, do entulho e da substituição que traz lucro hoje — não a durabilidade e confiabilidade do produto. Numa notável reversão da tradição milenar, são os grandes e poderosos que evitam o durável e desejam o transitório, enquanto os da base da pirâmide — contra todas as chances — lutam desesperadamente para fazer suas frágeis, mesquinhas e transitórias posses durarem mais tempo. Os dois se encontram hoje em dia principalmente nos lados opostos dos balcões das liquidações ou de vendas de carros usados.”

Nos monumentos históricos, acontece o contrário do que afirma Baumann: nos países da base da pirâmide, a história recebe monumentos frágeis e não resistentes ao tempo. Nos países ricos e poderosos os monumentos, os museus, os fatos relevantes são marcados de forma duradoura.

Pensando nisso, adormeci e sonhei, que estava passeando com meu filho José Carlos e o sonhos nos levou a um encontro inédito, com nada menos que “senhor diretas já”, Ulisses Guimarães. O velho Ulisses, todo solícito, ouvia minhas palavras sobre a “Modernidade líquida” e, como se quisesse concordar com a importância de seguirmos em uma direção oposta, passou a lembrar de fatos histórico da campanha das direitas no Pará.

Aí lembramos juntos.

José Carlos Filho, a tudo escutava atento.

Lembramos que o governador da época era Jader Barbalho, que o comício monumental foi realizado na Avenida Primeiro de Dezembro, da polícia reprimindo as pessoas que usavam roupa vermelha. Neste aspecto, o Dr. Ulisses, me interrompeu e fez questão de dizer que este evento em nada empanou o brilho cívico da campanha das direitas, que chamou de maravilhoso, lembramos dos pronunciamentos, incluindo o discurso do “velho comunista” Neuton Miranda. Ulisses Guimarães passou a descrever a virada importante que transformou o “Diretas Já” em ‘Tancredo Já”

O “Senhor Diretas” estava, no meu sonho, a ressaltar que um fato histórico tão relevante desses, não ganhou nenhum monumento e está apagado da vida do povo paraense, que hoje não sabe valorizar com o voto consciente, a retomada da democracia.

No final, quando já íamos nos despedindo, o Doutor Ulisses fez questão de pousar para uma selfie, ele, eu e o Zé Filho. Foi uma lição da história.

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Diretas já ou manter a Constituição?

Manter as constituição

Já é quase um consenso nacional que o Presidente Michel Temer não reúne mais as condições para continuar chefiando a nação brasileira. Neste momento, as forças políticas e a sociedade debatem a forma de sua substituição. Eu sou pelo cumprimento do art. 81 da Constituição Federal, e vou explicar porque. Se tivermos que emendar a Constituição Federal que seja após um plebiscito sobre o parlamentarismo.

Flagrado em um grampo, que, mesmo editado, revela o final do intestino grosso dos bastidores da República. O Presidente cometeu todos os tipos de crimes e violou todas as regras do cargo. Recebeu um investigado pela madrugada de forma subterfugiosa, como ele tratou de obstrução da justiça, combinou troca de pessoas chaves da economia, deu-lhe informação privilegiada sobre a taxa de juros, se preocupou com o bem-estar de um condenado e, o mais grave, indicou um homem de sua inteira confiança para agenciar os interesses do empresário. O homem, Deputado Rodrigo Rocha Loures, foi flagrada pedindo, combinando e recebendo propina e está preso.

Nestes casos, restam duas saídas para Temer, evacuar, renunciando ao cargo, ou esperar e sofrer as consequências do Impeachment. O Presidente, em dois pronunciamentos, reafirmou sua disposição de enfrentar a nação e aguentar as consequências da sua demissão pelas regras constitucionais.

A OAB – Ordem dos Advogados do Brasil, numa sessão histórica que durou nove horas, quase a unanimidade, com exceção de duas seccionais, a do Acre, cujos delegados não conseguiram voo para chegar até Brasília e a do Amapá que votou contra, aprovou o relatório da comissão especial que opinou haver indícios mais que suficientes de cometimentos de crimes ensejadores do pedido de impedimento. O pedido da Ordem deve servir de abre-alas para outras entidades sérias e importantes da sociedade seguirem na mesma direção, criando um clima de deslegitimação total de Temer. O pedido da Ordem será protocolado junto ao Congresso Nacional nesta semana.

O impeachment do Presidente Temer é iminente, a sua substituição se dará por voto do Congresso Nacional. É assim que está escrito na nossa Constituição Federal, no art. 81, porém, alguns grupos políticos estão pregando que esta regra deveria ser alterada para que a escolha se desse por via de eleição direta, há até alguns mais radicais que pregam eleições gerais com interrupção do mandato dos atuais paralamentares.

Sou a favor do parlamentarismo, regime de governo, pelo qual, as crises políticas de governabilidade afetam primeiramente o primeiro ministro, em seguida os congressistas e só em último caso, o presidente da república. Quando isto acontece, primeiro cai o gabinete. Se a crise prossegue, cai o gabinete e o congresso todo. O presidente, como chefe de estado, fica protegido e protege as instituições, saindo apenas pelo fim do mandato ou por um grave estado pré-revolucionário.

Neste regime todos tem responsabilidades e a sociedade pagam um preço muito menor pelas crises. Os rumos da economia ficam mais protegidos.

Para chegar ao parlamentarismo, devemos consultar o povo em plebiscito, isto não é para agora. Neste momento, devemos manter as regras atuais, substituir o presidente por um acordo nacional que preserve os direitos dos trabalhadores, da sociedade e debele a crise de desemprego. Normalizado e criado as condições mínimas, será hora então de pensarmos em reformas mais profundas no nosso sistema política, que já vimos, ser bastante falho.

Bradar por eleições diretas, por mais que parece legitimo, não é oportuno. Atende o desejo, por exemplo, de Lula, que neste momento precisa encontrar uma saída pessoal urgente, antes que seja sentenciado e tenha a sentença confirmada em segundo grau, o que lhe tornará inelegível para 2018.

A atual composição do Congresso Nacional é ruim, não é a melhor que temos, mas é a que temos e devemos pressiona-la pelos interesses coletivos. Não é hora de dividir ainda mais o Brasil.

Por fim, tem um aspecto prático, uma emenda constitucional prevendo eleição direta para os casos de vacância de cargo do chefe do poder executivo, por mais acordo que se consiga, nunca alcançará os dois terços que é requisito para sua aprovação. A emenda Dante de Oliveira, apoiada por toda nação em comícios memoráveis, não foi aprovada.

Vamos manter as regras atuais e consertar o Brasil. Se o TSE decidir caçar a chapa Dilma/Temer, ai seguimos as regras novamente.

Acredito que é o que a sociedade brasileira espera.

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