Skip to main content
enlight1.jpg

Debater a vida pessoal ou apresentar soluções para o povo?

Hoje teremos mais um debate entre os candidatos a prefeito de Belém, será na TV Liberal. Apenas seis candidatos participarão do evento. A emissora usou o critério de convidar os candidato cuja coligação tenha dez ou mais deputados na Câmara dos Deputados, este critério excluiu o candidato Lélio Costa do PCdoB. Uma pena, um a mais não faria diferença, mas é a lei eleitoral que assim determina.

Deixando este fato de lado, vamos ao que interessa. Acredito que o eleitor belemense espera que os candidatos deixem de lado aspectos menos importante da personalidade, do partido, da atuação pretérita de cada um e se debrucem sobre os problemas principais de Belém, apresentando as soluções segundo suas ideologias e conhecimentos técnicos de suas equipes.

Listarei aqui os problemas, que segundo o BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, afetam as cidades da América Latina e Caribe, que vocês hão de convir, são os mesmos de nossa cidade:

  • Problemas ambientas: Saneamento, arborização, nascentes e igarapés, qualidade do ar, uso adequado do espaço urbano, coleta e tratamento dos resíduos sólidos, preservação dos mananciais de abastecimento de água, etc.
  • Insegurança: caracterizado por todos os tipos de violência urbana, incluindo drogas, roubos, violência contra mulher e as crianças, etc;
  • Informalidade: Belém não é uma cidade competitiva e por isso não atrai empregos produtivos, utilizando parte significativa da sua gente no mercado informal que gera pobreza e desigualdade, num ciclo sem fim;
  • Desemprego e segmentação no acesso aos serviços básicos;
  • Governabilidade local caracterizada por desequilíbrios fiscais verticais e baixa capacidade institucional.

A nossa Belém precisa ser reconectada, ou seja, juntar todas as partes e criar um sistema de comunicação, com vias que interligadas para todos os bairros e ilhas, permitindo que os moradores se desloquem em tempo razoável. Centro a São Braz. São Braz ao Entrocamento e Região Metropolitana. Entrocamento a Icoaaraci. Icoaraci ao Ver-o-peso, passando pelo Tapanã. De Icoaraci a Outeiro. De Outeiro a Mosqueiro. Criar um sistema de comunicação das Ilhas sul e das Ilhas norte com o continente. O sistema é de trânsito e transporte, onde o deslocamento seja facilitado, confortável e rápido.

Os candidatos tem obrigação dos apresentar soluções, através de uma metodologia clara de como Belém atingirá o desenvolvimento sustentável e tornar-se-a uma cidade competitiva, capaz de atrair bons investimentos, sem comprometer as gerações futuras.

Um forte programa social, cultural e educacional de inclusão, principalmente dos mais carentes, que por esta razão se tornam alvo fácil da criminalidade, principalmente das drogas.

Mas a grande ausência em todos os debates ficou por conta do assunto: governabilidade, desequilíbrio fiscal e baixa capacidade institucional.

A Prefeitura de Belém depende, como a grande maioria dos municípios brasileiros, dos repasses do governo central. A capacidade de gerar receita própria é deficitária e os candidatos até agora não tocaram no assunto, apenas prometem sem dizer de onde vem o dinheiro para financiar suas promessas.

As secretarias e demais órgãos públicos municipais tem pouca capacidade de resposta aos problemas do dia a dia da comunidade. Além do que, muitos problemas de nossa cidade esperam soluções metropolitanas, que nunca vem por ausência de planos regionais, acordados com os demais integrantes da Região Metropolitana.

A atitude dos candidatos está de acordo com o baixo nível de informação sobre a cidade que detém os eleitores e da ausência de responsabilidade social dos formadores de opinião. Mas é preciso dizer que Belém é pobre de líderes preparados e compromissados com o futuro da Cidade.

Vamos ao debate, com esperança de dias melhores para Belém. Eu boto fé no Edmilson Rodrigues, espero que hoje ele me surpreenda positivamente e depois, se eleito, esteja aberto as novas ideias.

Os candidatos, porém, precisam nos dizer que Belém desejam construir para as pessoas. E os eleitores devem escolher a cidade em que querem viver, com água, saneamento, luz, coleta de lixo. Cidade com serviço de educação, saúde, recreação, parques, bibliotecas, Cidade onde a habitação seja de qualidade e acessível para todos. Cidade com bom sistema de transporte. Cidade onde as pessoas trabalhem e se sintam seguras. Cidade com boas finanças, ordenadas e gestadas de forma eficiente. Cidade onde os cidadão se beneficiem dela, mas que também contribuam para sua sustentabilidade. Sustentabilidade não só ambiental, mas também social, cultural, fiscal, institucional e econômica.

Sabemos que nem tudo dará para fazer em quatro anos, mas queremos que nos apontem caminhos seguros para que nas próximas décadas superemos todos os nossos graves problemas urbanos que ao longo de 400 anos nos aprisionam em um circulo de pobreza, desigualdade e ausência de competitividade.

 

Leia Mais

Sou um estranho no meu quarteirão VII

“uma cidade, e portanto uma sociedade, vive e morre de acordo com sua capacidade de construir um ambiente criativo por e para seus cidadãos.” (Jane Jacobs)

Hoje é domingo, no meu quarteirão, as ruas ficam vazias ou apenas pessoas desconhecidas transitam por elas. Como já disse a vocês, no meu quarteirão, os moradores mesmo, residem em três prédios e o que movimenta a rua são os escritórios e as casas comerciais. Quando elas fecham, a rua fica um pouco perigosa, nestas horas ocorrem pequenos furtos.

Na esquina da Conselheiro Furtado, por exemplo, os primeiros prédios são ocupados por três lojas de venda e manutenção de baterias, depois um restaurante e um salão de beleza. As lojas de baterias ainda ficam abertas no domingo pela manhã, com seus funcionários sentados com suas cadeiras as calçadas a esperar de clientes com problemas, eles reparam a rua, são da nossa intimidade, mas quando as lojas fecham, a rua fica sem movimento e sem ninguém para fazer a vigilância social.

Os moradores dos três prédios não tomam conta dos espaços públicos do nosso quarteirão. Cada um fica no seu apartamento, trancado na sua intimidade como se ali fosse o próprio mundo ou, no fim de semana, vão visitar parentes em outros prédios de outros quarteirões da cidade.

Os prédios, a não ser o mais velho deles, pouco interagem com as calçadas e a rua. O mais velho, aquele que foi construído onde antes era o sítio onde morava o poeta Antonio Tavernad, nem interagem como deviam, tem o primeiro andar de garagens aberta para rua, o segundo andar também é de garagens, mas do terceiro em diante ficam as janelas dos apartamentos, porém, virada para o sol poente, o que impede dos moradores estarem apreciando a rua, no período da tarde, como gostariam, devido o sol forte que bate em suas janelas.

Uma cidade não pode viver sem a vigilância social, sem a presença das pessoas no seu espaços mais importantes que são as calçadas e as ruas. Gente gosta de ver gente, mas os arquitetos destes prédios não pensam assim. Isto faz bem para a alma humana e humaniza as cidades. Se os prédios tivessem interação com a calçada e a rua, seriam muito melhor para a harmonia urbana.

Tenho pensando em começar um movimento por aqui, pelo meu quarteirão. Pensei em aproveitar o período do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, em outubro, e promover um café da manhã como os moradores. Ainda não sei se vai dar certo, mas estou inclinado a tentar. Um sábado pela manhã chamo o pároco, peço ajuda dos catequistas e levo a imagem da Santa, com uma mesa de café bem na rua.

A ideia da união do quarteirão tem ocupado minha mente, principalmente depois que percebi que sou um estranho por aqui, mesmo morando neste pedaço de Belém há pelo menos quatro anos.

Li o livro de Jane Jacobs, Vida e morte das grandes cidades: “a mensagem de Jacobs é simples: uma cidade, e portanto uma sociedade, vive e morre de acordo com sua capacidade de construir um ambiente criativo por e para seus cidadãos.”

 

Leia Mais