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Bandido morto

Bandido morto é a solução para violência?

Bandido morto
Matar traficante acaba com o tráfico?

Ouvi o delegado Eder Mauro dizer para pessoas na Feira do Bengui, durante um ato de sua campanha a prefeito de Belém, que se for eleito prefeito irá tratar “bandido como bandido e cidadão como cidadão”.

Algumas pessoas aplaudiram aquela frase dita por um delegado e deputado federal com muita ênfase e até com um certo convencimento de que esta é a melhor solução para combater a violência, decorrente do tráfico e consumo de drogas, que assola os bairros pobres da periferia das grandes cidades.

O Delegado e candidato, discorreu um pouco sobre as consequências das drogas. O uso, o consumo, o envolvimento atingem os viciados e os familiares, infelicitando até os vizinhos, obrigados a conviver com o clima de medo que ronda os ambientes onde circulam cocaína, crack e outras drogas viciantes.

Sou um político interessado no bem comum e a violência é uma coisa que me incomoda bastante, assim como deve incomodar dez em cada dez habitante de Belém. Esse contingente de eleitores quer uma solução para essa praga e tende a escutar os candidatos que apresentarem propostas para, pelo menos diminuir, o nível insuportável de intranquilidade urbana. Por isso, resolvi levar a sério e analisar a proposta de Eder Mauro: “tratar cidadão como cidadão e bandido como bandido”. Uma versão política para outro jargão: “bandido bom é bandido morto”.

Me interessei em saber se em algum país como os mesmo índices de circulação e consumo de drogas a proposta de exterminar traficantes foi posta em prática e deu que resultado.

Cheguei então, através de matéria publicada pela BBC de Londres, as Filipinas. O país possui uma área de 300 mil quilômetros quadrados e aproximadamente 7 mil ilhas. É um dos maiores arquipélagos da Ásia.

O país de língua filipina e inglesa, de maioria católico, com forte influência americana, vive o terror das drogas. Um terço da população tem envolvimento com as drogas, principalmente a proliferação de metanfetaminas, ou shabú, como a droga é conhecida no país. Cada grama custa cerca de 1 mil pesos filipinos (US$ 22).

O presidente Rodrigo Duterte foi eleito, em junho deste ano, e disse aos cidadãos e à polícia para matarem narcotraficantes. Traficante bom é traficante morto. Duerte, antes de sua eleição, prometeu acabar com a vida de 100 mil criminosos nos primeiros seis meses de governo. Para cumprir com a promessa, o Presidente filipino autorizou a contratação de matadores de aluguel, pagando até US$ 430 por assassinato (R$ 1380), uma fortuna nas Filipinas. “Segundo a polícia, mais de 1,9 mil pessoas foram assassinadas em episódios relacionados às drogas desde que Muterte assumiu a Presidência, em 30 de junho”

As mortes continuam, mas o consumo de drogas não retrocedeu. Os mortos até agora são pobres de periferia. O narcotráfico não se abalou e segundo o próprio presidente Duterte “afirma haver 150 altos funcionários, oficiais e juízes ligados a esse comércio. Cinco chefes de polícia são os comandantes do negócio, garantiu ele.”

No Brasil e aqui no Pará, o quadro é o mesmo. O tráfico funciona como o mesmo método de vendas de produtos em pirâmide. Tem o distribuidor e os revendedores. Os donos do negócio não se sabe ao certo quem são. A droga vem de fora, em operações que recebe apoio de alto escalão, entra no país, chega as mão dos distribuidores que repassam aos revendedores. Cada revendedor, faz seu pedido, quando sua caixa chega, vai ao ponto retirá-la, vende pelo preço que achar mais conveniente e faz um novo pedido.

A polícia e os grupos de extermínio alcançam o revendedor em sua maioria. A cada revendedor que é morto, como o negócio é rápido e lucrativo, outros logo se habilitam para apanhar a encomendo do que virou defunto.  São mortos os que incomodam, não pagam a propina ou ficam devendo para o distribuidor. O traficante, aquele que está no topo da cadeia, dificilmente será alcançado.

O dono do negócio do tráfico não tem cara, cor ou roupa de bandido. frequenta altas rodas, aparece em coluna social, tem forte influência entre políticos e autoridades.

O viciado, o comprador, a ponta final da droga, quem é?

As pessoas buscam as drogas por diversos motivos. Depressão decorrente da sociedade desequilibrada. Espírito de aventura, do qual os jovens são acometidos com muita frequência. Lenitivo para suportar a vida dura e miserável., etc. A grande maioria dos viciados são pobres de periferia, vivendo em palafitas, sem urbanização e oriundos de famílias desequilibradas. Estes são os clientes desse negócio milionário.

Se não cessar a causa, não cessará o efeito.

“Carta de Sado”: “Aquele que escala a montanha, mais cedo ou mais tarde, terá de descê-la. Aquele que despreza o outro, será desprezado […]. Essa é a lei geral de causa e efeito”. (Os Escritos de Nichiren Daishonin, vol. 5, pág. 25.)

Vencer o tráfico não é um ato de força. A inteligência deve ser a maior arma neste combate. A Filipinas nos mostra que não devemos seguir o caminho apontado por Eder Mauro, ele não é novo e nem foi inventado pelo Delegado.

Quando Eder Mauro diz: “tratarei cidadão como cidadão e bandido como bandido”, parece uma equação simples dividir uma cidade em cidadão e bandidos, mas não é tão simples assim, ao contrário.

O que caracteriza um e outro? Quem julgará e sentenciará a condição de bandido para um ex-cidadão?

São perguntas pertinentes que um prefeito não tem papel institucional de responder, salvo se o fizer utilizando a arbitrariedade e a ilegalidade.

No caso do tráfico, como atingir os donos do negócio que estão no topo da cadeia e se misturam nos melhores clubes e colunas sociais. vestem-se como cidadãos, praticam atos de cidadania, mas nos bastidores alimentam o negócio milionário das drogas?

Um prefeito pode ajudar sim a diminuir a violência e as drogas, mas não é pela raza propostas de achar que pode separar o joio do trigo.

“A Colombia é um bom exemplo de combate ao narcotráfico. Lá, associou-se políticas públicas a repressão estatal. Deu certo. Medellin, antes o centro de 80% das atividades de narcotráfico, lideradas por Pablo Escobar, virou o centro de atração para urbanista do mundo inteiro.

Para entender um pouco por que Medellin é ponto de peregrinação vale lembrar que no final dos anos 80 dali se controlava 80% do tráfico de cocaína nas Américas. Eventos como a invasão da Suprema Corte colombiana (1985),  a explosão do voo 203 da Avianca (1989) e das esculturas de Fernando Botero (1995) são todos atribuídos ao cartel de Medellin. Nos anos 90 um movimento chamado Compromisso Ciudadano começou a articular acadêmicos (Fajardo era diretor da faculdade), empresários e lideranças comunitárias em torno de um projeto de cidade. Em 2003 o sucesso do movimento levou elegeu Fajardo para a prefeitura.  Seu governo foi marcado pela proposta de construir os melhores e mais belos espaços públicos nas áreas mais pobres da cidade.

Desde então, Medellin tem estado na vanguarda do pensamento e da prática urbanística, com idéias que vão do o uso de teleféricos como solução de transporte à proibição de muros cegos e artefatos de segurança ofensivos como cacos de vidro e arame farpado. O fato é que os homicídios caíram de 6mil em 1991 para 871 em 2008 e estima-se que estarão na casa dos 400 em 2013.” (Visita a Medellin, cidade aberta)

A maioria da população quer o fim da violência. A minoria também quer o mesmo. A maioria, por pouco acesso ao conhecimento e as informações corretas, tendem a apoiar propostas simples e direta, como as que são feitas pelo Delegado Eder Mauro. A minoria sabe que não é o caminho, ao contrário, com o emprego da violência para combater a violência,  seremos vítimas fácil da lei da causa e efeito, quando a violência se voltara contra todos, mas está de braços cruzados achando que desqualificar a posição do Delegado é uma tarefa apenas dos candidatos a prefeito.

Tocqueville, nos alertou que um dos perigos das democracias está na “tirania da maioria”. Tirania da maioria, Tirania das massas ou ditadura da maioria é um termo utilizado em discussões acerca de democracias com decisões por maioria absoluta, para descrever cenários em que os interesses de minorias são consistentemente obstaculizados por uma maioria eleitoral, constituindo uma opressão comparável à das tiranias.[1] Os casos mais comuns são as discriminações contra grupos étnicos, raciais, religiosos, homossexuais, entre outros. A expressão “tolerância repressiva” também costuma ser associada à tirania da maioria.

O remédio está na qualificação do processo democrático, onde as minorias conscientes adotam papel ativo e ajudam a maioria com informações e socialização do conhecimento para evitar que todos caiam em tragédias anunciadas.

Eder Mauro pode até está de boa-fé, mas sua proposta é uma dessas tragédias anunciadas, tendentes a fazer muito mais vítimas entre os inocentes do que alcançar o resultado que todos almejam. A decisão está nas mãos da minoria agora, antes das eleições, se envolvendo ativamente no combate dessa propostas simples e direta de Eder Mauro, para que todos não sofram com a tirania da maioria depois, quando as urnas forem abertas.

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O deputado Bolsonaro precisa ser cassado

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A homenagem que o deputado Bolsonaro fez ao coronel torturador Brilhante Ustra, ao votar no impeachment da presidente Dilma, merece uma forte reação da nossa sociedade. Este senhor vem espalhando o ódio, disseminado a discriminação, o retrocesso e tudo que de pior existe contra a humanidade. O que ele faz é estimular a intolerância e a violência.

Um deputado jura obedecer a Constituição Federal e respeitar todos os tratados internacionais, assinados e homologados pelo Brasil, dentre eles os tratados que classificam a tortura como crime contra humanidade. Ao homenagear Brilhante Ustra, torturador condenado pela Justiça brasileira, faz apologia a este tipo de crime repudiado pela nossa Carta Magna e pelos tratados internacionais.

O decoro parlamentar é cabível, pois não se pode aceitar que um detentor de mandato popular tenha comportamento incompatível com a média dos cidadãos que representa.

A OAB do Rio de Janeiro vai ingressar com representação para pedir a cassação de Bolsonaro, como informa o presidente Felipe Santa Cruz: OAB/RJ vai ao STF para cassar mandato de Jair Bolsonaro

“Para Felipe, há limites na imunidade parlamentar e trata-se de um caso de discurso de ódio. “A imunidade é uma garantia constitucional fundamental à independência do parlamento, mas não pode servir de escudo à disseminação do ódio e do preconceito. Houve apologia a uma figura que cometeu tortura e também desrespeito à imagem da própria presidente. Além de uma falta ética, que deve ser apreciada pelo Conselho de Ética da Câmara, é preciso que o STF julgue também o crime de ódio”.

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A violência em Belém está insuportável

Meu filho saiu para estudar e as onze da noite ainda não tinha voltado para casa. Ele é um jovem, como muitos jovens da nossa cidade, e por ele não tenho a menor preocupação, pois tenho confiança e sei o filho que criei. Mas enquanto ele não volta, não durmo. Fico acordado, pensando na violência que tomou conta de Belém. Até que ele chega e me encontre sentado na sala, fingindo que está tudo bem. Não sei se meu filho tem noção do perigo que corre. 

Este é o drama da maioria dos pais. Outros tem dramas muito piores. São pais que vão trabalhar e deixam seus filhos entregues a própria sorte, vivendo em bairros onde o tráfico de drogas e a milícia é quem mandam. As escolas públicas das periferias também não representam lugares seguros, infelizmente.

No dia seguinte, quando vou saindo para trabalhar, vejo uma vizinha reclamar que quebraram o vidro do seu carro que estava estacionando em frente ao prédio. No escritório, minha colaboradora teve o pai sequestrado, levado até uma agência bancária com uma arma apontada para sua cabeça, sacou o dinheiro, entregou aos bandidos, que foram embora levando o carro. Era um domingo. Ele, a filha e o neto, saíram para comprar lanches, quando o pai, que ficou no carro esperando, foi surpreendido por dois jovens pobres, da periferia, arregimentado pelos traficantes. Um desses jovens foi executado na noite seguinte, por dois homens em uma moto. Vida encurtada por três disparos de bala que lhe atravessaram o crânio. A polícia chegou ao local, junto com o IML, fez os levantamentos de praxe e anotou como motivo da execução, acerto de contas. A população não quis dar declarações. Os pais temem que os atiradores voltem e se viguem, executando um de seus filhos.

Na parada de ônibus, uma senhora teve seu celular roubado por um jovem que passou pedalando uma bicicleta. Me liga um cliente da Cidade Nova IV para reclamar que na noite anterior não conseguiu dormir com o tiroteio perto da sua casa. Na Pedreira, um jovem foi executado perto da casa de uma jornalista.

Por que tanta violência?

O Governador diz que é um problema nacional e que nossa fronteiras são largas e por elas entram as drogas. O prefeito prometeu que uma de suas prioridades seria a segurança, mas na sua gestão até duas estatuas de bronzes foram roubadas da Praça Floriano Peixoto, em São Braz, sem que ninguém se desse conta. Eram peças artisticas de grande valor, mas vão ser derretidas, vendidas para comprar craque. 

O Partido Verde quer enfrentar a violência em Belém, mas não acredita em soluções mágicas, vioentas e de super-heróis. Bandido bom é bandido condenado e preso, com as quadrilhas desbaratadas e todos os chefões pagando pelos seus crimes. A presença da força policial nos bairros, o uso da inteligência, ações preventivas, a união e fortalecimento da comunidade, a limpeza e urbanização das ruas e quarteirões. Uma frente de autoridades rumando na direção certa. São propostas que podem dar grande resultado. 

Mas ouvir a opinião das pessoas, também ajuda. Deixe aqui seu comentário.  

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Policia é assassinado em assalto e corpo fica no IML sem perícia por falta de médico legista

O investigado Edson Gonçalves Viana foi morto durante um assalto na noite de sábado, o corpo foi levado para o IML, onde deu entrada as onze da noite, mas só foi liberado próximo das dez horas de domingo, por ausência de médico legista no Instituto. 
O Polícia foi mais uma vítima da violência que tomou conta de todo o Pará, causando uma grave sensação de insegurança na população que não sabe mais a quem apelar, uma vez que nem os próprios policiais, pagos para nos dá proteção, estão protegidos. O rapaz foi abordado no meio da rua, parou e logo dois bandidos fortemente armados entraram no carro e o obrigaram a seguir um roteiro por eles definido. Em determinado trecho, temendo pela própria segurança, o Policia resolveu arriscar e abriu a porta do carro e correu tentando salvar-se dos meliantes, quando foi alvejado e morto.
O corpo do polícia, que era estudante de direito da FABEL, foi levado para o Instituto Médico Legal e ali permaneceu a espera de um médico legista, que só chegou pela manhã do outro dia. E de nada adiantou os colegas apelarem pelo respeito a dignidade de cidadão ou até o fato de ser o morto um integrante do sistema de segurança pública do Estado. A família, devido ao atraso na liberação do corpo, mesmo muito chocada, teve pouco mais de uma hora para velar o corpo de Edson, aumentando ainda mais a dor e o sofrimento de todos.
Está na hora do Estado apresentar soluções, pois a sociedade não agüenta mais sofrer nas mão dos bandidos. Vamos utilizar o serviço de inteligência policial e desbaratar estes focos de produção de criminosos. Tem lugar aqui em Belém que alugam armas para assalto e a polícia sabe e não toma providências.
Meus pêsames a família e aos policiais do Pará. Agora chega de papo e vamos trabalhar duro para devolver a segurança aos cidadãos.
 

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Doutor Simão Jatene tire a juventude das mãos dos traficantes, por favor. II

Neste segunda-feira o Jornal O Liberal, Doutor Simão Jatene, registrou o assassinato de mais três jovens a mando do tráfico. morte pelo tráfico 1 O Senhor é a única autoridade no Estado que pode estancar essa sangria e salvar a juventude paraense que está sendo massacrada diariamente.morte pelo tráfico 2 Eu e muitos paraenses acreditamos na sua sensibilidade. Chame os seus auxiliares e anuncie uma política arrojada de represão, acompanhada de um pacote de medidas socias e economicas para socorrer a nossa juventude. morte pelo tráfico 3 A bola está nos seus pés Governador Simão Jatene. Educação, cultura, esporte, primeiro emprego, podem ser a porta da esperança deste excluídos socialmente.

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Doutor Simão Jatene tire a juventude das mãos dos traficantes, por favor.

Estava lendo o caderno policial do Jornal “O Liberal, logo na primeira página: “Um jovem foi assassinado com vários tiros na tarde de ontem no bairro de Maracacuera, em Icoaraci, Diogo Pinheiro de Lima, 18 anos…”; na outra: “Valdo Oliveira Brito Júnior, 19 anos, o ‘Orelha’. está preso em Ananindeua por praticar assaltos em Ananindeua, Região Metropolitana de Belém…”;  “Megaoperação termina com 53 bandidos presos, a maioria de jovens”.  A Polícia prende muitos jovens, retirado-os das vistas da sociedade para lotarem as casas penais do Pará. Outros, simplesmente são executados pelos agentes do tráfico.
Enquanto estava entristecido e refletindo sobre  ausência de futuro para juventude paraense, chega em casa uma mãe desesperada me pedindo socorro: “o que foi, amiga?” A mulher desabou em choro. As roupas, a pele, tudo nela são marcas de uma vida de sofrimentos provocados pelas restrições de bens matérias e a falta de acesso aos serviços básicos. Acalmei-a, e ela conseguiu falar: “Seu Zé, meu filho foi preso, está na Seccional de São Braz”; o filho tem dezoito anos e mal começou a vida. “O que ele fez?”, pergunto. “Seu Zé, ele se meteu com umas camaradagens lá na Vila e, junto com um colega, assaltou uma senhora, estavam com um revólver de brinquedo, mas a policia nem quis saber e prendeu o David, veja o que o senhor pode fazer”.
Fui para o telefone e para consulta na internet. Em pouco tempo estava com o decreto de prisão preventiva. O Juiz confirmou o flagrante e decretou a prisão dos dois envolvidos. Um já tinha passagem pela polícia, o David não.  Uma fato me chamou atenção ao ler o inteiro teor do decreto, a redação parece ser padrão e baseada apenas nas informações policias. Não consta nos autos qualquer contato do Juiz com o preso, com a família do preso e nem um pequeno estudo sociológico do caso. Não. Simplesmente a letra fria da lei e a primeira prisão de um jovem de 18 anos estava consumada. Ele agora irá experimentar um pedaço do inferno e terá contato com bandidos muito mais perigosos que os maus colegas da Vila. David é mais um número na estática do aparelho repressivo . O Estado fez sua parte. A vítima está satisfeita. Os jornais podem imprimir mais um caderno policial com as noticias que acabará de ler.
Resolvo ajudar aquela mãe desesperada. Antes procuro saber como é sua vida, como vivem os seus filhos e que deu na cabeça do rapaz para assaltar. Ela é empregada doméstica e ganha um salário mínimo, única renda da família. O Marido está há muito tempo desempregado. Os filhos passam o dia na rua em companhia dos colegas. David é revoltado com o pai, que além de não trabalhar ainda bate na mãe e nos filhos. “O David quer comprar uma roupinha melhor, um celular, um tênis e não tem seu Zé, o que ganho é pouco e mal dá para comer, se meu marido pelo menos me ajudasse, mas não…”
O retrato daquela família, se é que se pode chamar assim, é o retrato da maioria das famílias cujo, filhos estão caindo cedo na criminalidade. O aparelho de estado não está ou não quer tratar seriamente esta questão. O Policial que prendeu os jovens, fez o que está escrito no seu manual. O juiz que prolatou a prisão preventiva, fez o que mecanicamente faz todos os dias.
O Governador do Estado pode fazer diferente. Que tal um programa arrojado para ressocializar jovens deliquentes? Vamos começar por aqueles que estão sendo presos pelo primeiro delito, acredito que estes ainda tenham chance de recuperação. Esse jovem David pode até pegar um castigo na prisão preventiva, mas se não for acolhido pelo braço amigo das políticas inclusivas, será abraçado definitivamente pelos criminosos, tronando-se cada vez mais violento, perambulando de presidio em presidio, até  encontrar a morte, que virá pelas balas da polícia ou montada na garupa de uma motocicleta do tráfico.
O nome pode ser pró paz, mas os investimentos devem ser de guerra. Doutor Simão Jatene tire a juventude paraense das mãos dos traficantes, por favor.
* nome David e a história são fictícios e qualquer semelhança com a realidade será uma mera coincidência.

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Casal é executado em Icoaraci

Quero saber qual é a versão dos órgãos de segurança pública do Pará para mais esta execução em Icoaraci? O casal era pacato, dono de um restaurante, aparentemente não tinham inimigos, podia ser qualquer um de nós ou dos nossos parentes, mas foram executados em plena rua movimentada por dois homens em uma moto, mostrando que eles não temem a repressão.

No caso dos adolescentes também chacinados, apareceu o executor de Icoaraci, preso e mostrado como uma ato de eficiência policial, mas as execuções continuam o que prova que ele pode ser apenas um dos muitos assassinos que andam a solta por ai, e agora dona puliça?

O delegado João Moraes, presidente do Sindicato dos Delegados, contestou os números da violência em Belém e até veio ou mandou alguém comentar aqui no Blog em sua defesa. Ora, eu não quero polemizar com ninguém, apenas peço, em nome dos cidadãos de Belém, que os órgãos de segurança pública façam o trabalho pelo qual estamos pagando muito bem e descubram, prendam e mandem a julgamento os assassinos que executam pessoas todas as noites na Grande Belém.

Combatam a violência que nos assusta e nos dêem a segurança que foi prometida em palanque e nas propagandas eleitorais e a qual temos direito. Deu para entender?

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Belém é a 10º cidade mais violenta do Mundo

Uma ONG mexicana, “Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal”, classificou Belém como 10º cidade mais violenta do Mundo. As autoridades paraenses discordaram, segundo o secretário de segurança pública do Pará os números correspondem a região metropolitana. Se for verdade, em que isto muda a realidade? Quem não mora em Belém pode ser vítima de violência que não tem problema? Basta a violência mudar de cidade que está resolvido o problema? O presidente do Sindicato dos Delegados, o petista João Moraes, contesta aos dados, mas sem qualquer prova ao contrário, apenas com evasivas. João Moraes é corporativista e quer apenas justificar seus vencimentos perante os colegas sem se preocupar com a sociedade. O fato é que Belém está insegura, com assaltos, drogas e execuções todos os dias, sem que o sistema de segurança pública paraense apresente soluções para o recuo dos índices de crimes diários. Os números mexicanos podem ser contestados, mas quero ver contestar os números da ONG brasileira, Instituto Sangari, que trabalha para o Ministério da Justiça. Acesse o Mapa da Violência e confira. A violência urbana é uma terrível realidade brasileira estimulada pelos índices de pobreza e pela droga. Aqui neste espaço venho denunciando as execuções diárias de jovens da nossa periferia e ninguém faz nada. Mataram os adolescentes em Icoaraci, a Polícia prendeu um ex-policial para dar satisfação, mas as mortes continuaram. Do pró-paz só o que funciona é a delegacia especializada em registrar violência sexual contra menores e a mulheres, o resto é apenas propaganda para projetar novos políticos. A unidade implantada na Terra Firme é mais um jogo de publicidade, pois todas as vezes que um Governador precisa dar satisfação para sociedade corre para Terra Firme, faz umas fotos, grava um vídeo e o negócio está feito, mas a realidade continua a mesma. O Partido Verde, através da Fundação Herbert Daniel, mergulhou fundo no tema e apresentou propostas para combater a violência que atinge jovens pobres, semi-analfabetos, negros e moradores das periferias sem urbanização. Realizamos debate de grande importância transmitido pela Internet e publicado em nossa revista de pensamentos – Para baixar e acessar a matéria, clique em Revista Pensar Verde. – agora vamos transformar tudo em propostas de políticas públicas e apresentar a sociedade. Belém é sim uma cidade violenta, não importa em que lugar ela se encontra no ranking, devemos admitir esta verdade para combatê-la e não esconder os fatos para tentar enganar, mais uma vez, a população paraense.

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Grupo de extermínio na Grande Belém

Sempre falei que havia um grupo de extermino agindo na Região Metropolitana de Belém, mas até agora a Segurança Pública não age para desbaratar e prender essa quadrilha. O método é o mesmo, duas ou três pessoas de moto surpreende a vítima e fazem certeiros disparos, depois saem tranquilos, a Polícia chamada ao local dá ao caso a explicação de acerto de contas do tráfico ou de assaltos. Geralmente o caso nem é registrado, não tem inquérito policial aberto e não vai para as estatísticas de violência. Matam bandidos, matam suspeitos, fazem justiça com as próprias mãos desmoralizando o aparato de segurança pública e o Poder Judiciário, mas também matam inocentes com foi o caso do Pastor Arimatéia, o Tio Chiclete, um palhaço animador de festas infantis e líder comunitário. Só neste final de semana, apenas os crimes que tiveram cobertura jornalísticas, contei seis execuções. No sábado um jovem foi morto na frente da esposa e do filho em Marituba, na invasão Che Guevara e vai ficar por isso mesmo, os assassinos não vão ser presos e o crime não vai ser esclarecido. Enquanto a polícia não desbaratar esse grupo de extermino, é bom ficar apreensivo quando duas pessoas de motos emparelhar com o seu carro pelas ruas de Belém, pois é certo que existem assassinos soltos matando impunemente na Região Metropolitana. Para as pessoas que não tem atitudes e acham que não é como elas, que tal uma lida no poema abaixo?

“Primeiro vieram buscar os judeus e eu não me incomodei, porque não era judeu.
Depois levaram os comunistas e eu também não me importei, pois não era comunista.
Levaram os liberais e também encolhi os ombros. Nunca fui liberal.
Em seguida os católicos, mas eu era protestante.
Quando me vieram buscar, já não havia ninguém para me defender…”

– Martin Niemöller (1892-1984), sobre sua vida na Alemanha Nazista

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