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Bragança vai reeleger o Padre?

Olho para Bragança e vejo um ciclo se fechando na política local. O povo já acreditou em tudo e quase nada correspondeu as suas expectativas. Do populista João Mota ao Padre João Nelson Magalhães. 

João Mota, um homem simples, usando linguagem popular e atendendo todos os que lhe procuravam, foi prefeito e deputado. Saiu com uma mão na frente outra atrás, derrubado por um golpe político.

O empresário bem sucedido José Diogo, fez obras, não ligou para os adversários, mas governou em eterna crise política com a Câmara Municipal. Fazia parte da elite de tradição portuguesa e da econômia baseada na exploração do tabaco, origem do seu genitor.

Depois de Diogo, foi a vez de um empresário do setor do comércio varejista, ligado aos políticos carreristas da cidade. Governou sob acusações de desvios de recursos públicos e de conchavos com os vereadores, onde todos ganhavam, menos a população.

A cidade deu uma guinada espetácular. Renovou 100% da Câmara Municipal e escolheu um Padre, devoto de São Benedito, símbolo da religiosidade bragantina, como prefeito. Também quebrou um outro tabu, o conservadorismo. O padre Nelson Magalhães foi eleito pelo PT.

A cidade não o acusa de roubo. Os adversários do Padre criam histórias ligando o Padre a namoro, bebida, filhos, mas nada disso pegou para desgastar sua imagem. O Padre, porem, não está bem avaliado e até pode perder as eleições.

Por que uma parte da população rejeita o prefeito Padre Nelson? Não tivemos acesso a nem uma pesquisa de opinião sobre o assunto, apenas ouvimos manifestações de eleitores no dia a dia.

Do que se ouve pelas esquinas, concluiu-se que o Padre foi considerado um administrador pouco eficiente e frustrou as expectativas da maioria. Quem o Padre descontentou? Os que queriam emprego? Os que desejam negócios? Os que desejavam cargos no governo do município?

O Padre Nelson governou sozinho e seu governo foi errante, sem um rumo administrativo e político. Suas alianças foram se desfazendo pelo caminho. Perdeu apoio do vice-prefeito. Por fim, Padre Nelson trocou o PT pelo PPS para ficar perto do Governo Estadual.

O Padre não está bem, mas seus adversários também não estão bem avaliados. O PMDB luta para ter um candidato confiável capaz de enfrentar o Padre Nelson. O PSDB deve se unir ao Padre e apoiar sua reeleição. E o povo, será que vai encerrar o cíclo e eleger alguém de fora, totalmente novo ou, mesmo com as críticas, dará mais um mandato ao “Povo de deus?”

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Sexta-feira da paixão

Você já leu a história de Jesus Cristo? Sim, aquela que aos domingos, nas missas, os padres vão resumindo em forma de envagelhos. Jesus Cristo, como a maioria dos homens usados como exemplo espiritual, podemos citar aqui Buda e Gadhi, tem como traço marcante de sua personalidade a simplicidade. Seria então a vida simples, aquela que interessa para o crescimento humano?

Ser simples ou ter vida simples não é o traço marcante, todavia, que encontramos nos líderes político da humanidade. Todos, quase que sem excessão, viverem em grandiosidade. As tumbas dos faraós, os catelos medievais, os grandes palácios dos reis, tudo demonstram que vida simples não combina com poder terreno. 

Uma visita a França de Luis XIV e Napoleão Bonarte nos fará pensar assim. 

Será então que podemos concluir que aquele que deseja ser lembrado como homem, deve fazer grandes obras de concreto e ferro, mas os que desejam ensinar como evoluir espirutualmente, basta ter uma vida de simplicidade e será notado pelos demais.

Buda e Jesus Cristo fazem a gente pensar que o ter de nada vale. O ser sim é muito mais importante. 

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Lula vai para cadeia?

Na segunda-feira, 21 de março, depois de uma sexta-feira de atos pelo Brasil, Lula e o seu grupo político esperavam uma decisão de prisão preventiva. A imprensa brasileira passou ao largo da convocatória feita aos militantes de São Bernardo do Campo para que permanecessem em virgilia na porta do apartamento onde mora o ex-presidente. A segunda-feira amanheceu e o dr. Sérgio Moro, mesmo estando com o aval da decisão do Ministro Gilmar Mendes, não decretou a prisão tão esperada.

Os militantes, depois de uma noite de insone, foram embora para suas casas. Lula, ao contrário, embarcou para Brasília, mas não pode assumir oficialmente o cargo de Chefe da Casa Civil, o STF havia decidido liminarmente anular sua posse. Mesmo assim, informalmente, Lula seguiu articulando politicamente para derrotar “os meninos da Lava Jato”.

O ex-presidente, sem a presença das ruas, reuniu-se com Sarney e Renan, presidente do Senado. As trativas vão desde o impeachment, até a preocupação com os próximo passos da operação coordenada pela “república de Curitiba”.

No mesmo dia, o ministro Teori Zavaski, avocou para o STF os processos da Lava Jato referentes a Lula. Em seguida, provando que a cada 20 minutos tudo pode mudar, como diz o slogam da band FM, quando tudo parecia sobre controle, a conselho de acionistas da empresa Odebrecht resolveu que todos os seus diretores farão delação premiada. fato que apavora os envolvidos em corrupção.

Teori é um juiz de mão pesada. As provas de envolvimento do ex-presidente com o esquema de corrupção descoberto na Odebrecht são muitas e contudentes. Lula terá que reunir muitas vezes para encontrar uma saída diferente daquela que fez os militantes de São Bernardo passarem a noite acordado velando a residente do ex-metalúrgico.

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Criminalizar Moro é a estratégia dos corruptos

O ex-presidente Lula deu o tom: “tem quem enfrentar os menino da Policia Federal, do Ministério Público e da República de Curitiba”. No outro dia a estratégia política de enfrentamento da Lava Jato estava nas ruas e nas redes sociais de todo o país.

O juiz Sérgio Moro foi acusado de violar prerrogativas de advogados, fazer escuta ilegal a presidente da república, quebrar sigilo de quem não está sobre investigações. Tudo orquestrado para livrar os corruptos da Operação Lava Jato.

Enquanto os criminosos se articulavam, o combate a corrupção obteve duas vitórias significativas. A primeira veio em forma de duas liminares contra a posse de Lula na Casa Civil, depois confirmada pelo Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal  Federal. A segunda foi uma esmagadora vitória, 26 votos a 2, quando o Conselho Federal da OAB autorizou a diretoria assinar o pedido de apuração de cometimento de crime de responsabilidade da presidente da república Dilma Rousseff.

Até que se consiga prender e julgar todos os corruptos que desviaram recursos da Petrobras e também apurar os possíveis crimes cometidos por altas autoridades do país, o povo ainda terá que ficar atento as manobras e não negar o apoio político que as mudanças estão a exigir.

Novas manifestações vão ser necessárias, agora com muito mais pessoas nas ruas a exigir que cessem as manobras e que a verdade seja conhecida de todos.

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A saída para crise vai nos custar caro

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A pergunta que os brasileiros se fazem nos últimos tempos é como sairemos dessa crise política, para resolver ou enfrentar a crise econômica. Merecemos uma resposta, afinal estamos sem perspectiva de futuro desde de antes do Natal.

Poucas pessoas arriscaram fazer dívidas diante de tanta incerteza. Incerteza que continua próxima das nossas salas, vinda dos noticiários sobre aumento do dólar, queda nas bolsas, juros estratósfericos e desemprego.

Nem precisa esperar pelos jornais das tevês, basta dar uma voltinha pela cidade para ver placas e mais placas anunciando casas para vender ou alugar e constatar a crise rondando a vizinhança.

O Estado Brasileiro é grande, interfere em muitos aspectos da vida das pessoas e das empresas, portanto, a sua inércia nos coloca a deriva e não permite encontrar os caminhos para voltar a crescer. E a crise política está nos colocando sem rumo e sem política.

A presidente da república, Dilma Roussef, em pouco tempo, perdeu a legitimidade e vem tendo seu mandato questionado. Na linha sucessória, Eduardo Cunha é réu em processo junto ao Supremo Tribunal Federal, da mesma forma, Renan Calheiros, presidente do Senado Federal, também está na mesma situação.

As alianças política para reconstruir a base do governo no Poder Legislativo, tão necessária a estabilidade, tem se demonstrado infrutífera e fala-se em impeachment ou cassação do mandato via Tribunal Superior Eleitoral. A Presidente da República resiste a tudo e seu PT acusa a oposição de golpe, mas não consegue recompor o apoio político e fazer aprovar os ajustes ficais e previdenciário, ditos como necessários como saída da crise.

Uma vez que os movimentos de rua não foram capazes de impor mudanças, as oposições articulam saídas institucionais possíveis.

Uma aliança entre o PMDB e o PSDB, através do senador José Serra, tenta viabilizar o impeachment, mas tem pela frente uma barreira quase intransponível que são as regras duras de admissibilidade imposta pelo STF, que torna o impedimento da Presidente da República uma missão quase impossível, pois precisará de um quorum superqualificado.

A outra saída que alguns partidos articulam é a cassação dos diplomas, via Tribunal Superior Eleitoral. Neste caso, assumiria o presidente da Câmara dos Deputados. Aqui mora o problema dessa proposta. Eduardo Cunha, reponde a processo junto ao STF e pode usar a presidência da república, mesmo que temporariamente, para impor seus desejos incontidos de se perpetuar no poder e interferir nos processos judiciais que correm na Suprema Corte.

Mesmo aquele que respeitam o resultado das urnas, já dão sinais de que é preciso encerrar o mandato atual e construir uma nova legitimidade para permitir um governo politicamente forte, capaz de enfrentar a crise e a especulação financeira.

A crise, porém, está longe de se encerrar. Se a Presidente Dilma está fragilizada e sem legitimidade para continuar governando, não há consenso entres os líderes de oposição e os mecanismos democráticos de correção de crise no sistema presidencialista de coalizão são difíceis e dolorosos.

As dificuldades em encontrar soluções, vão nos custar caro, mas nos ajudará a refletir sobre a necessidade de adotarmos o parlamentarismo, um sistema muito mais adequado a resoluções imediatas de ilegitimidade do chefe de governo, sem golpe contra o chefe de estado eleito pelo voto. Nos fará caminhar para um nova forma de financiamento de campanha que afaste o estímulo a corrupção. Fortalecerá as instituições colocando todas as pessoas abaixo do império da lei.

A geração atual deve pagar o preço e vai pagar, mas deve cobrar as mudanças que protegerão as gerações futuras, para que elas não venham a passar pelos mesmo dissabores que esta geração está passando.

Publicado em O Estado do Tapajós

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Democracia é igualar os desiguais

A propaganda eleitoral, onde os candidatos se expõe, falam dos seus projetos, apresentam as bandeiras dos partidos, recebem criticas dos adversários, é importante para ajudar o eleitor em suas escolhas. Conhecer de forma igual cada uma das opções, é a essência da democracia.
Nos Estados Unidos, os quatro candidatos, dois democratas e dois republicanos, a quase um ano participam de debates e expõe suas propostas e diferenças. Sanders e Hillary, mesmo sendo do mesmo Partido Democrata, apresentam diferenças na forma de enfrentam os problemas do povo americano. Isto possibilitará aos democratas à melhor escolha.
No Brasil, as oportunidades para os partidos e candidatos se apresentarem aos eleitores não são iguais. O tempo de propaganda eleitoral é distribuído desigualmente e ainda tem mais restrições, nem todos candidatos participaram do debates promovidos pelos meios de comunicação. 
O que já era ruim, ficou ainda menos democráticos com as recentes mudanças na lei eleitoral. Conheçam o como ficaram as regras, depois das mudanças, nas palavras do Tribunal Superior Eleitoral.

“Distribuição do tempo de propagandaConforme o dispositivo, “os juízes eleitorais distribuirão os horários reservados à propaganda em rede, para o cargo de prefeito, e à propaganda em inserções, para ambos os cargos [prefeito e vereador], entre os partidos e coligações que tenham candidato, observados os seguintes critérios”: 90% distribuídos proporcionalmente ao número de representantes na Câmara dos Deputados, considerados, no caso de coligação para eleições majoritárias, o resultado da soma do número de representantes dos seis maiores partidos que a integrem e, nos casos de coligações para eleições proporcionais, o resultado da soma do número de representantes de todos os partidos que a integrem; e 10% distribuídos igualitariamente.”

Então vamos a realidade a partir do texto do TSE. 
Imaginem vocês que tenhamos os seguintes candidatos em Belém: Zenaldo Coutinho – PSDB, Edmilson Rodrigues – PSOL, Eder Mauro – PSD, Lélis – PCdoB, Regina Barata – PT, José Priante – PMDB, Duciomar Costa – PTB e Zé Carlos – PV. 
Como seria a distribuição dos tempos de propaganda eleitoral?
O tempo de propaganda eleitoral este ano reduziu, serão apenas 10 minutos, para as campanhas de prefeitos, em dois blocos diários, sendo 9 minutos divididos proporcionalmente entre os partidos com base nas bancadas federais e 1 minuto divido igualitariamente. 
Vamos ao minuto igualitário. No nosso exemplo serão sessenta segundos divididos entre 08 candidatos, isto significa 7,5 segundos para cada candidato.
Agora é vez do tempo de 9 minutos que serão distribuídos proporcionalmente. A base é 9 minutos e a composição da Câmara dos Deputados com 513 deputados. Vamos aos cálculos. Nove minutos convertidos, representam 540 segundos, que divididos por 513 deputados, equivale dizer que cada deputado representará na distribuição do tempo 1,05 segundos. 
Agora vamos ao nosso caso exemplo. Sim, para facilitar, pegaremos as bancadas eleitas anates das trocas de deputados por infelicidade. 
O PSDB elegeu 54 deputados e ficaria com 108 segundos; o PSOL elegeu 5 deputados e ficaria com 10 segundos; o PSD elegeu 34 deputados e ficaria com 68 segundos; o PCdoB elegeu 10 deputados e ficaria com 20 segundos; o PT elegeu 69 deputados e ficaria com 138 segundos; PMDB elegeu 65 deputados e ficaria com 130 segundos; PTB elegeu 25 deputados e ficaria 50 segundos; e PV elegeu 8 deputados e ficaria com 16 segundos. 
Vamos agora fazer a tabela da desigualdade:
Zenaldo Coutinho = 115,5 segundos
Edmilson Rodrigues = 17,5 segundos
Eder Mauro = 75,5 segundos
Lélis = 27,5 segundos
Regina Barata = 145,5 segundos
José Priante = 137,5 segundos
Duciomar Costa = 57,5 segundos
Zé Carlos = 23,5 segundos.
O Partido Verde, que é um partido necessário, se lançar candidato a prefeito de Belém, disporá de miseros 23,5 segundos para apresentar o seu candidato, o programa do partido e as propostas para melhorar a vida na cidade de Belém. 

Com esse pouquíssimo tempo, um partido como o nosso pode ser bom, ser composto por políticos honestos, mas não terá pouquíssimas chances de convencer os eleitores, que não o conhecem, a votar e escolher os seus candidatos. 

A única saída para quebrar a ditadura dos grandes partidos, a maioria deles com seus quadros envolvidos em corrupção, quase todos já testados em outros mandatos e fracassaram com suas administrações desastrosas, acontecerá se a parcela do povo que deseja realmente mudanças em prol do bem comum, resolver pegar nas mãos o seu candidato e carregá-lo, contra tudo e a elite, até a vitória nas urnas, fazendo-o conhecido do povo, através do uso intenso das redes sociais: facebook, instagram, twitter, wasthapp, e-mail. Essa é a única chance da vitória da maioria contra a minoria que usa a lei arbitrariamente, mas não é uma alternativa fácil de ser construída.

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Casa Comum, Nossa Responsabilidade – Campanha da Fraternidade 2016

O cuidado da “Casa Comum” exige que a deixemos limpa, tendo cuidado para, depois de limpá-la, retirar a sujeira acumulada ao longo de muitos anos de irresponsabilidades, tratando de nunca mais sujá-la.

O que é então a “Casa Comum”? Quem a sujou e qual a responsabilidade de cada morador com sua limpeza e conservação?

São Francisco de Assis referia-se à “Casa Comum” como uma irmã ou uma mãe, a mãe Terra, e é mesmo. A Terra é nosso único abrigo nessa vastidão universal. Ela nos dá carinho, nos sustenta com seus frutos, flores, ar e água. Em troca, lhe devolvemos muitos resíduos, poluição, devastação, eliminação de espécies etc.

O modelo econômico de produção de riquezas inventado pelo homem abusa dos bens que recebemos de graça do criador. Claro que nem todos na mesma proporção usufruem dos frutos, das flores, do ar e da água pura. Poucos estão se beneficiando das riquezas produzidas pela nossa mãe. Mas os efeitos da destruição, da poluição, da ausência de saneamento atingem todos, nunca na mesma proporção e efeito, sendo mais grave para os mais pobres.

O sistema que produz descartáveis e obriga a população a um consumo desenfreado, tira da natureza, em uma velocidade tecnológica, o que a regeneração biológica não consegue alcançar e repor ou regenerar. O resultado é a enorme perda de biodiversidade, de vidas extintas pelo modelo predador.

Na outra ponta, o sistema produz muito lixo que vai se acumulando em diversos pontos da mãe Terra, formando feridas cancerígenas em parte considerável do corpo da nossa Irmã, nossa Mãe.

O sistema suja e joga a responsabilidade da limpeza para as pessoas e os governos locais, que também não fazem sua parte. O sistema fica com os lucros e externaliza a poluição.

As pessoas, por ausência de consciência ambiental, consomem produtos poluentes e os descartam sem a menor cerimônia. Os governos, financiados pelo lucro do sistema, fazem vista grossa para as emissões e não priorizam investimentos em saneamento.

Cuidar da “Casa Comum” é cuidar do nosso futuro.

As igrejas cristãs identificaram como cerne do problema o pecado humano em não se conformar em ser apenas criatura, desejando ser o próprio Criador.

O sistema natural é circular, os resíduos gerados numa fase da vida, servem de alimento para os outros membros do sistema e assim sucessivamente, sem gerar lixos, gases ou outros tipos de poluentes.

O sistema criado pelo homem, por não ser ele um Criador natural, vai consumindo estoques de matéria prima, de vidas, numa velocidade brutal e gerando resíduos gases de efeito estufa, poluentes para o solo, para os recursos hídricos, causando a enorme crise ambiental que estamos assistindo e que cada vez mais está próximo de se tornar irreversível.

A ausência de saneamento, por exemplo, é grave. A velocidade com que sujamos cidades e campos, não é a mesmo com que limpamos. A Casa Comum está poluída e nem precisa de aparelhos para medir o nível do comprometimento dos recursos naturais da Terra. Vamos lembrar que a nossa Casa Comum é o Planeta Água.

Uma vez que ainda não se conseguiu um modelo econômico circular, sustentável, compatível com o sistema natural, devemos, urgente, cada um fazer sua parte.

As pessoas, de um modo geral, os cristãos em especial, que estão na Campanha da Fraternidade, cujo tema é “Casa Comum Nossa responsabilidade”, devem aplicar as técnicas do consumo consciente e do exercício de cidadania.

Pelo consumo consciente fazer a opção por produtos que geram menor quantidade de resíduos e de baixo impacto ambiental. Mesmo quando for inevitável o consumo de produtos que geram resíduos, buscar meios de reutilizá-los ou reciclá-los.

No exercício de cidadania, escolher governantes comprometidos com políticas públicas em favor do meio ambiente e do cuidado com a Casa Comum. Também devem se organizar para cobrar que os governos fiscalizem as atividades empresarias, punindo com rigor as práticas danosas ao meio ambiente.

A oração sem o agir de nada vale. Seremos sempre julgados pelas boas obras e uma delas é cuidar da nossa Casa Comum.

Os governos em todos os níveis, no que concerne aos temas saneamento e resíduos sólidos, estão devem muito a sociedade. As cidades brasileiras estariam bem melhores se prefeitos, governadores, presidente, vereadores, tivessem aplicado duas leis nacionais que ainda não passam de letras mortas. Uma é a Lei 11.445/2007 que instituiu a Política Nacional de Saneamento Básico e a outra é a Lei 12.305/2010, que criou o Plano Nacional de Resíduos Sólidos.

Encerro lembrando que nesses dias da Campanha da Fraternidade devemos trabalhar duro para limpar, sanear nossas vidas, nossas latas de lixo, esgotos, valas, bueiros, para que da fonte brote apenas direito e corra livre fazendo justiça “qual riacho que não seca”.

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Meio ambiente, gestão estratégica sustentável e o papel do advogado ambientalista

Tiago Castilho, advogado com especialização em Direito Sanitário pela UNICAMP e MBA em Direito Ambiental e Sustentabilidade pela FGV – DIREITO RIO sócio do Castilho & Scaff Manna Advogados

José Carlos Lima da Costa, advogado especializado em Direito Ambiental, integrante da Comissão de Meio Ambiente da OAB-PA, diretor da Fundação Verde Herbet Daniel, pela qual participou da COP-21

O acordo assinado ao final da 21ª Conferência Mundial sobre o Clima (COP-21), em dezembro de 2015, em Paris, na França, foi tido como histórico. No entanto, além da necessidade de ser posto em prática mundo afora, deverá contar com a participação não só dos 195 Estados signatários, mas, sobretudo, das empresas e companhias privadas. Em verdade, permanece contemporâneo e contemplando a ideia da necessidade premente do engajamento pleno das empresas privadas neste compromisso, a afirmativa da primeira-ministra indiana Indira Ghandi, em Estolcomo, numa semelhante Conferência da ONU. Na declaração, encerra a máxima de que “a pior tipo de poluição é pobreza – a falta de condições mínimas de alimentação, saneamento e educação”, pois, já se sabe que o Estado sozinho não consegue resolver os problemas sociais.
A própria ONU, possui incontáveis iniciativas na área de responsabilidade socioambiental das empresas. Destaca-se, na senda, o Pacto Global (Global Compact), que resultou em um convite do ex-secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annam, ao setor privado para que, juntamente com algumas agências da ONU e atores sociais, contribuísse para avançar na prática de responsabilidade social corporativa. Isso tendo em perspectiva a busca de uma economia global mais sustentável e inclusiva, reduzindo, por exemplo, a pobreza, e, trazendo o lado politicamente correto da globalização.
Assim, o início deste novo padrão de relacionamento entre os três setores da sociedade, sobretudo, o setor privado, apoia-se no reconhecimento do próprio Estado que essas empresas acumularam um capital de recursos, experiências e conhecimentos sob formas inovadoras de enfrentamento das questões sociais. Nisso, elas são qualificadas como parceiras e interlocutoras de políticas governamentais, seja quando utilizam as ONGs como canais para realizar investimentos nas áreas social, ambiental e cultural, seja quando criam fundações e institutos para executar seus próprios projetos de responsabilidade social. Ou ainda, quando encarregam uma unidade interna de responsabilidade social, ou relações institucionais, a responsabilidade de planejar e coordenar projetos sociais.
Agora, pode-se ousar falar que, não bastasse o novo padrão de relacionamento entre os três setores da sociedade, o acordo ratificado em Paris, representa a maior e mais inédita novidade no mundo ambiental, sobretudo do Direito. Pois, representa o primeiro texto universal escrito visando à nítida contenção “da elevação da temperatura média do planeta para abaixo de 2ºC“, sendo aprovado por consenso, previsto para entrada em vigor em 2020, tornando-se fulcral para a história da humanidade e no âmbito das negociações climáticas.
Na esteira do Pacto firmado em Paris, o Setor Privado já se movia atento a longos passos. Cite-se, como exemplo, os trabalhos desenvolvidos pelo subcomitê 7, da  International Organization for Standardization (ISO), criado para desenvolver normas internacionais para medição, monitoramento, comunicação, verificação de emissões e absorção de gases-estufa em nível de projetos e entidades. É responsável pela criação de duas novas normas relacionadas ao tem. A ISO 14067 sobre pegada de carbono de produtos, com os requisitos para a quantificação e comunicação de gases de efeito estufa associados aos produtos. E a ISO 14069 para orientação às organizações, para calcular a pegada de carbono de seus produtos, serviços e da cadeia de suprimento, por exemplo.
Assim, no que toca à responsabilidade socioambiental empresarial, propriamente dita, há novas perspectivas que se delinearão em relação ao conceito de desenvolvimento sustentável (pacto formal inibindo a elevação da temperatura média do planeta para abaixo de 2ºC). Essas balizarão, sobremaneira, os grandes e próximos desafios Empresariais para a obtenção efetiva do desenvolvimento sustentável, especialmente daquelas empresas que empreendem nos países emergentes.
Importante lembrar que, para reduzir a emissão de dióxido de carbono, responsável pelo aumento da temperatura média no planeta, o Brasil assumiu o compromisso de alcançar a meta de desmatamento zero da Amazônia até 2030. Porém, a grande questão é como o país se aproximará deste objetivo uma vez que, infelizmente, todos os anos, há certo desprazer em receber as notícias de que, em nenhum momento, o desmatamento começa realmente a regredir. Logo, a conclusão remete ao fato de que se o país não mudar o modelo econômico de exploração da Mata Amazônica, tal objetivo não será conquistado com devido sucesso. Se o próprio Governo não sair do campo do comando e controle, incentivar a pesquisa científica, a incorporação tecnológica e demais atividades econômicas para que se possa encontrar um meio alternativo ao desmatamento, este objetivo não será alcançado.
Aliás, o acordo assinado provocará mudanças no contexto econômico e competitivo mundial especialmente no mundo dos business (vivemos um verdadeiro ecobusiness[1]. Sendo que, devido a essas características, referidas mudanças acabam por atingir o setor econômico por um todo. Mudanças inevitáveis para um novo mercado que exige compromisso com o meio ambiente em que a empresa está inserida. Motivado, assim, a priorização e a valorização das perspectivas de sustentabilidade e responsabilidade social dessas organizações, revelando-se como verdadeira meta e objetivo central das companhias. Logo, abandona-se a velha e imperialista máxima que teve valia por anos, de que, “negócios, negócios, meio ambiente à parte”, pois, devemos nos acostumar cada vez mais com o tempo presente: a era do ecobusiness.
O resultado do acordo assinado ao final da 21ª Conferência Mundial sobre o Clima (COP-21), para o Brasil, eleva as possibilidades do engajamento do Setor Privado para a contribuição e amenização dos problemas da comunidade nacional, com vistas principalmente a valorização das perspectivas de sustentabilidade brasileira. Ao mesmo tempo, para os cidadãos, enaltece o que a Carta Magna brasileira já prescreve e assegura a todos, o direito absoluto e irrestrito à saúde. Bem como, em seu artigo 225, redige uma espécie de poema ao garantir o direito universal ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Portanto, se constata uma nova lógica da propriedade pública, propriedade privada e a propriedade de uso comum. Ainda, ao tratar da futura geração, a Constituição impõe a condição de que os projetos empresariais sejam planejados de modo a contemplar em sua composição o agora e o amanhã.  
Neste cenário, surge a figura do advogado ambientalista porque, hoje, os instrumentos jurídicos ambientais são constituídos de boa qualidade. A questão central é que os advogados ambientalistas são exploradores numa terra nunca antes visitada. Observa-se que a Justiça ainda trata a propriedade privada como algo intocável mas, mesmo que ainda resistente, vai mudando seu entendimento aos poucos. O advogado ambientalista é o profissional do Direito que irá instigar o Judiciário a ter um pensamento diferente, semelhante ao que a humanidade começa a ter. É o verdadeiro papel de vanguarda, sendo o primeiro a promover às empresas os princípios da precaução e prevenção. A realizar uma boa consultoria jurídica para que estes princípios sejam observados pelo empresário e empreendedor pela nova lógica do bem comum, o que trará muita economia ao empresariado pela frente. Ressalta-se que existe uma tendência para que não se perdure mais os crimes ambientais e, assim, para que se tenha uma rigidez na aplicação de multas e penas. A consultoria do advogado ambientalista é fundamental para ajudar o empresariado a observar a nova lógica do bem comum e, ao adotar práticas de prevenção, certamente cometerá menos erros e deixará de arcar com custos muito altos no futuro. 
Isso porque a sustentabilidade impõe novos padrões de conduta organizacionais, novas modalidades de produção e gestão estratégica sustentável que, engloba, a expertise do profissional advogado com conhecimentos específicos na área ambiental e de sustentabilidade. Abre também novos nichos de mercado, tendo, portanto, uma nova roupagem ambiental em questão, que se exibe por todo um conjunto de grandes transformações econômicas, políticas e sociais. Estes sinalizam para novos paradigmas que deverão nortear o comportamento social, político e, especialmente, o empresarial corporativo, provocando, sobremaneira, profundas alterações nas estratégias empresariais. Por isso, ao considerar que o mundo corporativo tem papel fundamental na garantia de preservação do meio ambiente e na definição da qualidade de vida das comunidades locais, especialmente no meio em que estão inseridas, entende-se salutar que o empresariado se aproxime cada dia mais da gestão estratégica. Sendo esta gestão estratégica apoiada em profissionais técnicos com envergadura ambiental e sustentável, de modo a permitirmos um saudável, equilibrado e sadio caminhar para a tão sonhada “economia verde”[2].

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