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Santos Dumont e a morte das abelhas

Viver a vida com limites e respeito a natureza

“Alguém, sabe me dizer onde encontro a feira de produtos orgânicos, destes que vem direito da roça e dizem que faz muito bem para saúde?”, perguntou o vizinho do 501, dirigindo-se as pessoas que estavam ali pela portaria do prédio residencial onde mora.

O porteiro fez que não ouviu ou se ouviu não sabia o que era produto orgânico, para ele, era coisa dessa gente metida a besta, que gosta de inventar moda. 

Já o tenente reformado, que saia para passear com seu cachorrinho de estimação, homem, que por ter muito tempo livre, sabia de quase tudo que rola na cidade, foi logo dizendo: “Vizinho, hoje a feira está lá na Praça Santos Dumont”

“Praça Santos Dumont, onde ficaria?”, pensou o morador, que estava ansioso pelos produtos limpos e vindos direto da natureza, sem os tais agrotóxicos, um mal medonho para saúde. Ele que morava a tanto tempo em Belém, agora estava em dúvida sobre a localização de uma praça da cidade. 

A rede Globo faz propaganda da agricultura que usa agrotóxico. A propaganda diz que Agro é Tech, que tech que nada! A propaganda quer é associar o mal ao bem, ao tecnológico, para dourar a pílula. Mas não adianta, não doura não.

A ciência já revelou que esses produtos lindos, certinho, sem manchas, bonitos de se ver, que estão nas prateleiras dos supermercados, são assim artificialmente e não porque a natureza o quis.

Estudos comprovam que a exposição da população a certas substâncias usadas na indústria química causam distúrbios neurocomportamentais. Embora os traços de glifosato em cada alimento possam não ser grandes, o seu efeito cumulativo é o verdadeiro motivo de preocupação.

A vida moderna está muito artificial. Manipulada pelo homem que manda no dinheiro e sempre quer obter lucro com tudo que vê pela frente, lucro só não, também quer o poder, pois os dois andam juntos, de braços dados e se protegem.

Essa industria apressam a vida do boi, do frango, da cenoura, da batata, fazem-nas de escravas do seu sistema de produção em larga escala. É um sistema em crise. Num ponta produz-se muito, perde-se muito, lucra-se muito. Na outra ponta, a fome e a busca por alimento é uma triste realidade que ceifa milhões de vidas todos os anos.

Nada mais é duradouro nessa vida de modernidade líquida, disse Bauman.

Uma rua está assim, no outro dia já está mudada. As fachadas das lojas do comércio, então! Uma hora estão de um jeito, ai vem um chinês, que a gente nem sabe como eles chegam por aqui, vindo de tão longe, com seus plásticos e microchipe, aluga, coloca uma fachada e esconde a beleza do prédio original da belle epóque.

Até as farmácias, que antes eram escritas como ph e faziam o remédios na hora, de acordo com a doença e com a cara do freguês, hoje são construídas, uma em cada esquina, em menos de 24 horas. Você passa hoje é uma padaria, vem amanhã e já tem uma dessas lojas. Até ali no Baenão já construíram uma. Qualquer dia vão colocar uma dessas farmácias ao lado da Igreja da Sé ou da Basílica, ai vai ter revolta, pois era só o que faltava!

“Vizinho, a Praça Santos Dumont é a mesma Praça Brasil, que os antigos até apelidavam de Praça do Índio, por causa daquela estatua em bronze, importada da Alemanha pelo dono do Armazém Guarani, um que ficava ali na 15 de Novembro”, disse-lhe o Tenente do cachorrinho.

As galinhas de granja, brancas, sebentas, gordurosas, aquilo é só hormônio e faz muito mal para as pessoas. Os bois daqui dizem que é boi verde, como verde, se para crescer precisou de pasto, que ocupou o lugar da floresta, pasto que foi plantado e mantido com muito produto químico. 

O vizinho do 501, agradeceu, se despediu e foi a suas compras de produtos naturais, sem os venenos da modernidade. 

Na Praça, a feira estava lá, mas foi direto ao monumento que fica no centro da Praça, certificar-se da mudança, quando viu a placa nova, de 1996, anunciando a reconstrução da Praça Santos Dumont, pelo prefeito Hélio Gueiros, já com a nova nomenclatura.

Mudaram mesmo o nome e nem avisaram, será que um prefeito tem tanto poder assim? Pensou consigo mesmo, enquanto caminhava até a feira. 

As pessoas vão se acostumando as mudanças repentinas, como se a vida fosse digital, igual a timeline do foi facebook, ali as noticias passam rápido pelas nossas vistas e nem dá tempo de fixa-las na mente, muito menos, os fatos maturam o suficiente para transforma-se em conhecimento e daí gerar a sabedoria. Assim como vem, se vão e são substituídos por muitas outras informações. Uma morte anunciada no face, logo é substituída por outra tragédia, mais outra e outra, num processo de banalização completa.

Nas barracas da feira de orgânicos, os vendedores são os próprios produtores. Uma senhora pergunta porque o mel de abelha está mais claro. A moça explica que a cor do mel depende da florada. Ovos caipira são bem menores, mas a gema é vermelha que dá gosto. O mamão e a laranja tem marcas do seu crescimento natural. Aquilo são produtos elaborados e maturados pela natureza, no tempo apropriado.

Uma galinha, pelo processo natural leva no mínimo 90 dias para ser abatida, enquanto que a da granja, cheia de antibióticos, estará pronta em apenas 40 dias. Comparando ao cozimento de alimento, se o fogo for muito alto, cozinhara bem mais rápido, preparando o alimento em menor tempo, mas o sabor não será o melhor, os temperos não se misturarão adequadamente, não ocorrera a química perfeita e a coacção.

O vizinho se abasteceu dos produtos mais saudáveis que tinha por lá, na volta, parou novamente no monumento, agora pelo lado da Senador Lemos e viu que a placa original, de 1937, quando governava o Pará o interventor federal Magalhães Barata, ainda continuava no mesmo lugar. Em cima do monumento de 4 metros de altura, o índio do Armazém Guarani, objeto de prosa do poeta Rodrigo Pinajé, também estava lá. O que mudou, afinal? 

Ele não era contra a modernidade e as boas invenções humanas, nem as descobertas dos produtos químicos e das facilidades tecnológicas, nem era contra a homenagem a Santos Dumont, afinal o seu invento é uma maravilha da inteligência humana. Questionava a mudança sem o bom propósito ou o uso dessas novidades para permitir o exagero, o lucro e o poder pelo poder. 

Lembrava dos caças japoneses se atirando com o piloto como se fora uma arma letal ou daquele avião com a bomba, jogada sobre Hiroshima. Lembrava agora do avião agrícola jogando muitos litros de veneno sobre o pomar, matando as pragas, mas também milhões de abelhas, coitadinhas, fecundadoras das plantas, as polinizadoras da natureza e que para todo esse enorme benefício a humanidade cobram tão pouco.

O avião não foi feito para matar as abelhas e Santos Dumont merece toda nossa homenagem.

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O tempo pede coração civil

– Coloca ai um Milton Nascimento, pedia um dos frequentadores assíduos do Boteco dos Amigos. 

Mas os tempos estão bicudos e a intolerância não escolha hora para se manifestar. Até nos lugares de recreios o radicalismo ingressou sem pedir licença. 

Quando o caixa, que controlava o som, ia perguntar a preferência, e antes que o freguês disse que desejava escutar “Coração Civil”, de uma outra mesa, lá no fundo, ouviu-se um brado.

– chega de badalar esses artistas gay e maconheiros, que vivem da Lei Rounet, respeitem a maioria, disse o homem, apoiado por todos da sua mesa.

Fez-se o impasse. O conflito era iminente. O clima ficou tenso.

O funcionário do Boteco acostumado a harmonia e o respeito as diferenças por ali, era o que fazia o charme do lugar, sem saber o que fazer, fez o som emudecer, como se protestasse para dizer, nem uma coisa nem outra, vamos nos entender.

O freguês, que havia pedido a música do Bituca, acendeu um cigarro, pegou seu copo e saiu para o ar livre, cantarolando, sem se intimidar:

“Sem polícia, nem a milícia, nem feitiço, cadê poder?

Viva a preguiça, viva a malícia que só a gente é que sabe ter

Assim dizendo a minha utopia eu vou levando a vida

Eu viver bem melhor

Doido pra ver o meu sonho teimoso, um dia se realizar”

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Por que Belém alaga com qualquer chuva?

Dizem que as chuvas de março são as maiores, mas no Pará chove muito sempre. Isso acontece porque estamos dentro de uma grande bacia fechada, composta de floresta e água, muita água.

Trata-se da maior bacia hidrográfica fechada do planeta Terra, a bacia Amazônica.

Todas as soluções humanas construídas em outros lugares, se forem copiadas pra cá, devem ser com muito cuidado, antes de sua implantação por aqui. Se não for assim, não dará certo.

Temos um diferencial chamado Amazônia. Aqui se localiza o maior rio em volume d’água da Terra meus amigos. Você já parou para pensar sobre isso?

Belém, por exemplo, é quase uma ilha. Um pedaço de terra cercado de água por todos os lados e por dentro também. Os canais que a natureza abriu para dentro do nosso continente, no passado, nos trazia grandes alegrias e muita fertilidade.

Por falar em muita água, lembre-se que por aqui chega o poderoso rio Guamá (Guamá vem de um vocábulo indígena e significa rio que chove), trazendo água, muita água, e muita chuva, como diz o seu nome. E que recolhe ao longo de 87.389,54 km², recebendo igarapés e rios caudalosos, nutrientes em forma de sedimentos. Para ele se dirigem o rio Capim, o rio Inhangapi, o rio Moju, o rio Acará, até chegar na cidade e se unir ao rio Pará.

A força do rio Pará, é impressionante, nos seus 300 km de percurso, iniciado na Baía das Bocas (delta de Boiaçu/Breves), vindo receber gentilmente as águas do Tocantins e do rio Meruú-Açú. Ele na verdade é um braço do Amazonas, que de tão volumoso se divide para chegar ao mar. O rio Pará, tem esse nome, que os indígenas o denomina assim por compará-lo ao próprio Oceano, sendo denominado de um rio que parece com o mar.

É muita água veloz e espremida, passando por canais com margens não tão largas e até estreitas para os padrões amazônicos, mas que mesmo assim não consegue vencer a força contrária que vem do mar.  No momento que o mar chega, quando as duas forças se encontram, para evitar o confronto desnecessário, uma vez que não é saudável brigar com quem o ira receber em festa momentos depois, o rio se refugia a espera da suavidade do reencontro.

A natureza, para esse refúgio, sabiamente criou os canais naturais, para os quais as águas escorrem e descansam por algumas horas, depois de ter percorrido longas extensões, esperando que o mar se acalme, para voltar suavemente ao leito do rio a fim de alcançar a foz e seguir levando os nutrientes recolhidos, como se fora boas noticias e muitos boatos também, por muitos quilômetros, mar a dentro, alimentando peixes e pescadores com que sempre extraem causos e contos de encantamentos.

No momento que os rios entram nos canais da cidade eles levam coisas boas para distribuir com as árvores, os pássaros e os peixes que alimentavam as pessoas na outra Belém do passado. Era uma bela troca.

Os canais naturais que estão por todas as partes de Belém, talvez hoje você nem os identifique por esse nome, veja neles um adversários, uma vala, um alagamento, mas são igarapés de outrora.

Vamos ver alguns aqui rapidamente?

O canal do igarapé do Piri, esse você já viu falar muito dele, não lembra? Foi o igarapé onde as três embarcações trazendo os fundadores da Cidade de Belém, aportaram, aportaram não, que na época não tinha porto, fundearam, ancoraram, em fim, pararam para que Francisco Roso Caldeira Castelo Branco e seus acompanhantes, incluindo os marinheiros franceses, descessem para declarar a possessão de Portugal por estas bandas.

O canal e igarapé das Almas, é aquele que nascia perto do Largo da Pólvora e escorria pela São Jeronimo até alcançar a Doca de Souza Franco. Ai você lembrou, não é?

O canal da 14 de Março, é esse mesmo, aquele que nasce atras da Basilica de Nossa Senhora de Nazaré, onde o Plácido achou a imagem milagrosa que todos os anos desce do Esplendor e fica ali, quinze dias para admiração dos paraenses. Este canal se alonga pelas ruas da Cremação e segue na direção da Estrada Nova, formando a bacia com o mesmo nome.

O canal do Tucunduba, eita que foi o igarapé da minha infância, no qual tomávamos delicioso banhos, perto da estância e do porto que tinha ali no final da Rua Barão de Igarapé Miri. O igarapé é grande e vem lá da baixada do Marco, do canal da Leal Martins, do canal da Cipriano e da Gentil, tudo acaba no Tucunduba.

O canal do igarapé do Galo, heim! Este vai lá para o Una, Utinga, se encontra com o canal do Jacaré, um mostro de grande. Lembra do Projeto de Macrodrenagem da Bacia do Una, pois é parte desse imenso curso d’água interno.

O canal da 3 de Maio, o da Antonio Baena, verdadeiros rios, amigo, verdadeiros rios!

Tem o canal da Visconde de Inhauma também, alia na Visconde, nas margens desse canal, nos finais de semana, tudo vira festa e animação. Na Pedreira ainda tem o canal da Pirajá, não posso esquecer dele, pois era lá os ensaios do Bloco Estrela Radiante.

O canal do São Joaquim e do Água Cristal, se comunicam que é uma beleza e atravessam muitos bairros de gente humilde e honesta, mas também rega o grande Parque Ambiental de Belém, depois de passar pela área da Marinha e receber as águas do Igarapé Val-de-cans, que já nos serviu de marco limítrofe com o município de Ananideua.

Ia encerram as citações quando lembrei do Canal do rio Paracuri, aquele que alimenta de barro a arte dos ceramistas marajoara, da Vila Sorriso em Icoaraci.

Pronto, chega de coisas boas, vamos agora para parte triste dessa historia, que começa com uma pergunta incomoda: o que nós fizemos dos nossos canais naturais da cidade de Belém?

No lugar de usá-los como uma malha de comunicação sadia por toda cidade, levando-nos aos bairros, construindo passeios as suas margens, respeitando suas bacias e leitos, retirando deles os nutrientes trazidos generosamente por muitos quilômetros, resolvemos tratá-los como adversários, saímos esbofeteando sua face, dando-lhes pontapé nos traseiros,  e os declaramos inimigos da nossa forma “moderna” de vida, da expansão sem planejamento das nossas moradias e do asfalto.

Depois, não satisfeitos, aterramos tudo com os aterros recebidos nas eleições municipais, em troca cedemos os votos para eleger os piores políticos urbanos do país. Hoje, os canais nos servem como depósito de lixo e esgoto a céu aberto ou como fonte de reclamação com as quais alimentamos a oposição ao prefeito de plantão, oposição que com discurso fácil, populista e sem planejamento, agregado a isso outros mimos, nos levarão o voto, o poder e o futuro de uma bela cidade portuguesa as margens de invejáveis cursos d’água.

Ah, mas a natureza não recebe as nossas injustiças pacificamente. Não, isso não. A cada chuva, a cada maré cheia, que coincide com os pés d’águas que constantemente caem por aqui, as águas dos rios, não podendo e nem querendo se atritar com o seu amigo mar, invadem as ruas e alagam as casas construídas em lugar inadequado. É verdade que se vê obrigada a recolher nossas sujeiras do cotidiano, sim. Mas também se vigam deixando para trás as doenças que tentamos lhes passar.

Declaramos guerra a natureza, nossa irmã, nossa amiga, nossa benfeitora, vamos sofrer as consequências, mas é preciso saber que a natureza tem um grande coração capaz de perdoar, para isso, porém, espera que façamos gestos de respeito e de desejo de viver em harmonia com ela.

Devemos dar os primeiros passos e numa boa convivência reabrir todos os canais, fazendo-os voltar ao seu leito natural, como tinha sido idealizado pela natureza. Tratar o esgoto e os resíduos antes de descartá-los por ai sem responsabilidade. Diminuir o consumo de plásticos, eliminando os plásticos de uso único.  Arborizar as ruas e margens dos canais para diminuir o efeito impermeabilizante do asfalto.

Nós, através dos nossos cientista, sabemos o que deve ser feito, falta-nos coragem e atitudes.

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A luta para manter a Contribuição Sindical deve unir todos os sindicatos

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A contribuição sindical ou qualquer outra forma de financiamento das entidades dos trabalhadores é um assunto que deve ser disciplinado pelos próprios trabalhadores, sem qualquer interferência do Estado.

A Medida Provisória, do Presidente Jair Bolsonaro, determinando que o pagamento de contribuição sindical deve ser feito por boleto individual é inconstitucional, viola o princípio da liberdade e autonomia sindical, estabelecida pela nossa Carta Magna e deve cair por decisão da Corte Constitucional do País.

A contribuição sindical dos trabalhadores para sustentar a estrutura dos sindicatos brasileiros, já passou por ampla sabatina de debates. No final dos nos 70 e inicio dos anos 80, os sindicalistas brasileiros, durante a construção de central sindical, pautaram este assunto e depois de muito se discutir, concluiu-se que esse recurso era fundamental a vida dessas entidades.

O movimento de oposição a estrutura sindical, que está no DNA da Central Única dos Trabalhadores, debatia que o sindicalismo pelego, atrelado ao estado, criado pelo getulismo, tirava sua sustentação de uma contribuição compulsória, ilegal e abusiva, denominada por este movimento de imposto, embora tecnicamente não o fosse.

Os dirigentes sindicais, como tinham a garantia de receita permanente e sem qualquer esforço, administravam sindicatos esvaziados e com pouquíssimos filiados, o que lhes garantia controle total da maquina.

Estes sindicatos sem base, faziam acordos pífios e seus dirigentes eram acusados de vender a luta dos trabalhadores, inclusive denunciando quem se arvorava a construi oposição, se contrapondo a suas práticas nefastas.

Os dirigentes de oposição a estrutura sindical generalizavam e o tempo provou que estavam errados. Haviam outras correntes políticas sindicais que, ao contrário, não tinha o perfil de sindicato pelego, estavam na defesa de bandeiras essenciais aos trabalhadores, mas defendia a permanência da contribuição sindical, vitória do movimento sindical durante as reformas getulista, que visavam enfraquecer o movimento dos trabalhadores.

A pelegada, identificada pelos mais radicais, era minoria e fazia parte da intervenção feita aos sindicatos durante o período militar, quando os dirigente autênticos foram afastados, acusados de crime contra a segurança nacional, processados, presos e até banidos do país, sendo substituídos por interventores apontados pelo governo ou por patrões.

A CUT foi fundada e logo após outras centrais sindicais surgiram no cenário das organizações profissionais. Estas centrais, chamadas pelo Ministério do Trabalho para tratar desse assunto, decidiram a sua permanência e a forma de distribuição dos valores arrecadados, pacificando um debate iniciado ainda no período militar.

O interesse do Governo de Jair Bolsonaro é claro e visa enfraquecer o movimento dos trabalhadores, única voz que pode se contrapor a reforma da previdência e a fragilização dos direitos e garantias dos trabalhadores brasileiros, o que não se pode aceitar em hipótese alguma.

O Movimento Sindical sempre é o alvo preferido dos governos reformistas e privatistas.

Almir Pazzianotto
Ministro do TST

Fernando Henrique Cardoso, quando apresentou seu programa de privatização, investiu pesado contra os trabalhadores organizados em sindicatos. Os petroleiros foram o seu alvo. Através de violência jurídica cometida pelo Ministro Almir Pazzianotto, os sindicatos dos petroleiros de todo o país tiveram a greve legitima julgada ilegal e receberam a primeira criminalização da política, quando, através de um multa astronômica, perderam força e patrimônio, alguns desses patrimônios com anos de história de luta.

O que o presidente Jair Bolsonaro faz ao atacar a principal fonte de financiamento dos sindicatos brasileiros tem um único objetivo que é o enfraquecimento de qualquer reação as suas propostas de retirar direitos dos trabalhadores brasileiros, principalmente os direitos previdenciários.

A reação jurídica e política a esse atentado precisa unir todas as forças sindicais do país. A jurídica deve se dirigir ao STF e a reação política em cima do Congresso Nacional para obter a rejeição dessa Medida Provisória absurda.

 

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Estamos deixando de ouvir os graves alertas ambientais e sociais

Quando a barragem de Brumadinho rompeu, as sirenes não tocaram, foram engolfadas pela lama, mas os alertas ensurdecedores já haviam soado em Mariana. A empresa e os governos federal e estadual não quiseram ou não puderam ouvir sobre o perigo destas barragens.

Por que então estes alertas foram ignorados?

Não é de hoje que estamos deixando de ouvir todos alertas, até os mais graves, que implicam na nossa própria segurança e existência.

São as barragens, as doenças evitáveis, os desmatamentos, o uso excessivo de agrotóxicos, o derretimento do gelo da calota polar, a agonia dos corpos hídricos contaminados, as espécies animais e vegetais simplesmente extintas, os milhões de refugiados mortos ao tentar sair de seus países em busca de sobrevivência, a ausência criminosa de  saneamento básico que transmite doenças e mata pessoas em todos os cantos do Planeta, os milhões que morrem de fome, etc.

O que está nos cegando e nos deixando moucos?

Antes de falar sobre os motivos da nossa insensibilidade aos alertas de perigo tão iminente, vou me permitir fazer mais um alerta grave ao povo e as autoridades paraenses.

Trata-se dos perigos a que estão submetidos os mananciais de abastecimento de água de toda a Região Metropolitana de Belém, diante do trafego intenso de veículos, incluindo aqueles com carga perigosa ou insalubres como os caminhões que transportam lixo, cuja o conteúdo pode vazar diretamente para os lagos e nascentes.

O relatório apresentado a Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados, em 2014, sobre o processo de licenciamento ambiental do prolongamento a Avenida João Paulo II, já alertava para os futuros problemas que o Parque do Utinga e os mananciais de abastecimento de água por ele protegido, ocorreriam caso não se adotasse os cuidados necessários. Mas o alerta entrou para os rol de tantos outros e foi ignorado e, sobre a cegueira da sociedade, as autoridades fizeram ouvidos moucos, o Licenciamento Ambiental foi expedido com algumas condicionantes, que não estão sendo fiscalizadas.

Os olhos e ouvidos das autoridades e das pessoas estão sendo impedidos de funcionar pelo sistema economico e político, baseado no poder e no lucro, com métodos que não respeitam a vida e nos desconectaram da natureza, da qual, parece que deixamos de ser parte.

Os empresários  e os governantes olham para o sistema natural e para as pessoas e não enxergam nelas a complexa teia de relacionamento que significa a própria vida. Deixaram de perceber o verdadeiro sentido da vida e suas implicações.

As pessoas, capturadas pelo sistema, não tem força para reagir ao perigo e assumem as causas dos seus algozes, trabalhando, consumindo e produzindo em função de um pouco de satisfação pessoal e dos parcos salários.

A roda da máquina que eles inventaram, gira contra todas as leis naturais, subvertendo a teia da vida,  escravizando o meio ambiente e pessoas e forçando-os a produzir riquezas para sua apropriação.

Vamos pensar apenas na Vale e no seu produto.

A Vale é uma das maiores mineradoras da Terra. Seu negócio é encontrar e explorar todo o tipo de mineral que esteja em alta no mercado, principalmente o ferro.

A quem pertence a Vale?

Os verdadeiros donos da Vale
Os verdadeiros donos da Vale

Mais da metade do capital votante da Vale pertence, direta ou indiretamente, ao Estado. Outra parte é o capital que circula no mercado especulativo, rodando pelas bolsas, em apostas de investidores anônimos. A maior parte do lucro de toda atividade desta monumental empresa, porém é apropriada pelo mercado financeiro, verdadeiro monopolista e gerente desse sistema.

A Litel, uma das grandes acionista da Empresa, é formada pela Previ (Caixa de Previdência dos Empregados do Banco do Brasil), Petros (Fundação Petrobrás de Seguridade Social), Funcef (Fundação dos Economiários Federais) e Fundação Cesp, dos empregados da Eletropaulo, Cesp e Companhia Paulista de Força e Luz.

Os administradores da Companhia são profissionais pagos para dar lucro aos investidores e nem sabem quem são eles pessoalmente, pois apenas tratam com seus representantes, que são pessoas contratadas, cujo salário depende dos resultados positivos da Companhia.

Um funcionário da Caixa Econômica, do Banco do  Brasil ou da Petrobras, prestes a se aposentar, terá seus ganhos advindos do lucro dessa companhia e nada pode fazer para exigir que esse mesmo lucro venha de práticas ambientais ou sociais éticas.

Um conjunto de engrenagens sem rostos, movem esse sistema, que só tem um objetivo: rentabilidade para as ações e lucro para os fundos de investidores.

Assim como o pensionista da PREVI, lucra com o lucro da Vale extraído em forma de ferro, deixando as barragens de lama para trás, o consumidor que compra um produto feito de metal, também está contribuindo, involuntariamente, para os desastres de Brumadinho, Mariana ou, num futuro próximo, contribuirá para outras, pois existem só na região onde se localiza Brumadinho mais dez outras barragens como os mesmos riscos.

Quando se fala em capitalista, burguês ou elite poderosas, na verdade não se fala mais de pessoas, mas de um sistema que gira ao contrário do movimento do universo e por isso produz o caos. É um sistema fadado a nos destruir. Na periferia desse sistema vai ficando o desastre ambiental e a tragédia humana.

Todos as sirenes estão tocando ao mesmo tempo. Algumas foram engolfadas pela lama, mas as outras tocam e nós estamos insensíveis a ela.

Os cientistas do acordo do clima de Paris, as ONGS, os Verdes do Global Green, o Papa Francisco, mostram os relatórios, gritam, fazem barulho, apelam fortemente, mas o sistema nos cegou e nos ensurdeceu.

A classe política e o modelo de organização dos estados nacionais faliu, são incapazes, não tem força para mudar nada. Impotentes de atuar contra o capital especulativo, tratam apenas dos seus próprios interesses, sucumbindo a força desse sistema perverso.

É hora de abrir os ouvidos e os olhos e reagir criando mecanismos multilaterais, democráticos, transparentes, capaz de controlar o capital financeiro mundial, que a todos escravizou, subjugando os estados nacionais, incapazes de defender sua população.

É hora de trabalhar por um novo pacto baseado na visão sistêmica, abolindo o pensamento cartesiano e o poder patriarcal que desequilibrou tudo, incluindo o masculino e o feminino. Só a ecologia profunda pode nos salvar.

 

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Derrote políticos viciados

Nesta eleição, a ordem é renovar a política com qualidade. Você topa? Renovar é trocar, mudar, substituir, mas não de qualquer jeito.

O Congresso Nacional em todas as eleições sempre renova 30% dos seus membros, mas isso nem sempre quis dizer mudanças, o eleitor acaba trocando seis por meia dúzia. Veja um caso concreto.

O corrupto do Severino Cavalcante perdeu o mandato. Aplaudimos muito, ele não merecia nos representar. Depois descobrimos que Severino pediu e os eleitores votaram num seu substituto novinho em folha, o deputado Eduardo da Fonte, acontece que o moço é pior e veio com uma folha corrida invejável (Veja processo do Dudu da Fonte)

Agora os corruptos inelegíveis, respondendo processos, alcançados pela Lava Jato e outras operações, não querem perder poder e tencionam eleger seus filhos ou parentes, é o caso de Eduardo Cunha que quer eleger sua filha, Wladimir e o Pastor Josue Bengtson, também.

Renovar na política é renovar com qualidade. É corrigir sempre os rumos da construção do estado democrático de direito. É fortalecer as instituições. É buscar representantes cada vez mais identificado com valores éticos, morais, defensores do bem-comum, dos interesses gerais da sociedade em busca da felicidade como um bem de todos.

O trabalho do eleitor, enquanto cidadão é acreditar nos valores coletivos como seus e garimpar na sociedade os melhores cidadãos para desempenhar essa missão de representa-lo. O desfio é grande, mas nada que um eleitor comprometido não posso alcançar.

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Saiu a nova Pensar Verde

A revista aborda três temas de grande importância e uma entrevista com o presidente Penna. Articulistas de grande relevância escrevem nesta edição. Tem o Gabeira, falando de segurança pública. Tem o ex-presidente da OAB, Marcus Vinicius Furtado e a voz da Transparência Brasil, falando da importância das eleições parlamentares. Tem tudo sobre a Conferência Internacional das Águas. Leia e se gostar, compartilhe com seus amigos e seguidores.

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Limpar o Brasil da corrupção vai dar muito trabalho

A limpeza mínima necessária que o Brasil precisa para começar a viver na democracia, com ênfase no debate dos verdadeiros problemas nacionais, ainda vai dar muito trabalho. A faxina começou e cada quanto da casa que a vassoura chega, encontra muito lixo acumulado, não é só debaixo do tapete, este ainda nem levantamos, a sujeira está por todos os cantos e quanto mais se limpa, mais os atuais ocupantes sujam.

Hoje, 24.04, cumprindo um mandato de busca e apreensão, a PF percorreu a casa do senador Ciro Nogueira e o gabinete do deputado federal Eduardo da Fonte, os dois do PP, sendo Ciro presidente nacional da legenda e Eduardo da Fonte ex-corregedor da Câmara dos Deputados, herdeiro político de Severino Cavalcanti. Dois currículos pesados que se juntaram dentre de um biombo chamado PP, Partido Progressista, a legenda mais corrupta da República, ganhando do PMDB e do PT, e olha que o páreo é duro.

O PP foi o partido que na janela partidária, período que os parlamentares com mandato podem trocar de partido sem perder o mandato, mais recebeu parlamentares, sendo o partido com a maior bancada na Câmara dos Deputados.

A vassoura está nas mãos do eleitor e a tarefa é dura, trabalhosa, minuciosa, mas necessária. O parlamento, Senado e Câmara dos Deputados, é o mais importante dos poderes da república e não pode ser um valhacouto de bandidos. Por tanto, meus e minhas, peguem a vassoura, não a vassoura do Jânio Quadros, aquela é demagógica, populista, mas a vassoura democrática do voto consciente e mãos a obra.

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O voto, a legitimidade e a ética divina

Neste ano, vamos eleger os novos legisladores brasileiros, deputados e senadores, que irão compor o Congresso Nacional, lugar de onde saírão as leis que tanto o povo brasileiro precisa para superar a crise política em que o país está mergulhado.

Os legisladores são como os moisés e sempre subirão ao monte Sinaí para buscar as leis, os “Dez Mandamentos”, as regras de ouro para vivermos em comunidade e estabelecermos a paz social.

As leis pegam ou não pegam, são seguidas ou resistidas, harmónicas ou criam conflitos, são justas ou causam injustiças. Tudo depende da legitimidade com que são confeccionadas.

As leis penais e a política de encarceramento, por exemplo, uma das mais importantes medidas que poria em ordem o sistema carcerário brasileiro, é uma dessas legislações fundamentais que necessitam passar pela revisão dos  parlamentares. Outra medida que o Congresso Nacional deve ao Brasil é a que fará distribuição de renda, mexendo, corretamente, na política tributária.

Moisés foi o legislador que Deus convidou para subir até o Monte Sinaí e das Suas mãos sagradas recebeu os Dez Mandamentos, regras que permitiram ao povo Hebreu conviver em sociedade, enquanto caminhavam rumo a terra prometida, lugar onde correria leite e mel.

Os povos do mundo inteiro caminham em busca da sua terra prometida, os brasileiros também, é o chamado caminho civilizatório e para chegar ao lugar destinados aos filhos do povo escolhido, precisam de leis construídas por legisladores com legitimidade. O deus que confere legitimidade ao processo legislativo é o sistema eleitoral e são os eleitores.

Na democracia, podemos, por paralelismo, construir as simbologias bíblicas de forma prática, adaptando-as para os nossos dias. Quem é Moisés? Onde fica o Monte Sinaí? De onde vem a inspiração divina para elaborar as leis?

Moisés são os eleitos. Monte Sinaí o Parlamento. Inspiração divina a legitimidade.

Para que isso se cumpra, precisamos de candidatos limpos, eleitores conscientes e um sistema eleitoral democrático.

Aqui no Brasil, por não termos filtros eficazes que separem, antes das convenções, os que são cândidos, dos impuros, concorrem em igual possibilidade de receber votos os bandidos, mentirosos, processados, corruptos, dos que tem bons propósitos.

O sistema eleitoral, por seu turno, desiguala os concorrentes, dando tempo e dinheiro em demasia para uns e de menos para outros. Resta, então uma grande responsabilidade nas mãos do eleitor.

Os eleitores brasileiros é que ficam com o ônus de escolher, neste cipoal de maus elementos, aqueles que podem subir até o monte sagrado e na presença de Deus, receber a inspiração para fazer as melhores e mais justas leis.

Sei que é pedir muito, mas rogo a Deus que nos ajude a superar a nossa crise política e que inspire os eleitores, para que das urnas emerjam a ética e a legitimidade que tanto precisamos neste momento de grande crise, quando precisamos seguir caminhando em busca do futuro.

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A paz se conquista com sociedade forte e instituições democráticas

Desmontar a industria do tráfico de drogas e de marginalização dos jovens é fundamental para diminuir a violência no Brasil

Os traficantes de drogas e chefes do crime organizado compreenderam as fragilidades do sistema punitivo brasileiro e o fizeram trabalhar a favor de suas organizações criminosas, fortalecendo seus mandos e alimentando a industria das drogas e da violência, que lhes confere poder e dinheiro.

As autoridades brasileiras, com suas instituições em crise, principalmente o Poder Legislativo, fundamental na aprovação de novas regras de punição e encarceramento, não conseguem responder ao crime organizado, uma vez que usam os métodos e regras que os chefes de facções já conhecem, dominam e estão alimentando as engrenagens de suas máquinas do mal.

Comecemos pela política de drogas.

O Brasil entendem o viciado e o traficante como criminosos, que devem ser tratados da mesma forma. No país, não se estuda este fenômeno do ponto de vista da sua organização econômica. O combate é todo feito pelo sistema de segurança pública, utilizando-se a repressão aos fornecedores, o combate aos distribuidores e a prisão dos viciados, pequenos deliquentes. Entender a rede e o seu funcionamento, é fundamental para desmontar a suas engrenagens. O preconceito com drogas leves, como a maconha, ligando-a aos pobres, pretos e ao uso para comentar como essencial ao cometimento de crimes, dificulta

As penas de prisão ou o aumento destas penas são as resposta mais comum que o nosso legislador encontra para dar satisfação a sociedade. As cadeias estão nas mãos das facções e elas estão usando o sistema de pena, junto com a superlotação para recrutar novos soldados para o seu negócio.

O estado, que tem na pena de prisão à ressocialização dos presos faliu, não consegue parar à reincidência e nem entregar a sociedade pessoas transformadas.

O sistema prisional não consegue nem impedir que os chefes das cadeias atuem livremente, controlando armas, celulares, drogas, agenciamento de presos primários, seus familiares, comandar de lá o negocio aqui fora e ainda contam com a colaboração dos agentes do estado para o seus propósitos.

O sistema está superlotado e consome receita pública em grande quantidade sem resultado prático algum para a sociedade.

Nas periferias das grandes e inchadas cidades, jovens e famílias empobrecidas e desestruturadas buscam nas drogas e no delito uma saída para os seus dramas. As escolas públicas faliram. Os direitos básicos à moradia digna, alimentação, transporte e emprego, são negados a milhões de brasileiros. Tudo isso diante de um mundo em transformações numa velocidade nunca vista. Nada é simples como era a pouco tempo, da opção sexual a escolha de uma carreira, tudo virou coisa muito complexa, a atormentar a cabeça de adolescentes em idade de dúvidas e aventuras. Com um agravante, os pais e a escola não são mais a única fonte de transmissão de saber e conhecimento.

Num quadro desses, pululam as sugestão imediatistas, populista e do uso da força, propostas por salvadores da pátria, que apenas desejam salvar as suas próprias vidas e aumentar o seus patrimônios. As sugestões vão desde a formação de milícias, execuções de suspeitos, aumento de penas, encarceramentos,  criminalização, diminuição das liberdades, violação dos direitos civis, etc.

A saída não é por ai. Muitos países que caminharam nesta direção, apenas instituiram a volta da barbarie.

Nem é pelo caminho de jogar a sociedade em uma luta de classes, do nós contra eles, politizando o debate, para obter vantagens eleitoras oportunistas, que iremos triunfar, encontrando almejada paz social e salvando os milhões de brasileiros marginalizados.

As soluções são de curto, médio e longo prazo, que passam por fortalecer a sociedade e as instituições democráticas, dando ao coletivo o poder de agir contra os indivíduos que não aceitam o projeto sociedade e o caminho civilizatório.

No curto prazo as intervenções no sistema de segurança pública dos estados, para limpar as policias repressivas, judiciárias e o sistema carcerários da influências das facções e milícias, parecer ser extremamente necessário e urgente.

No médio prazo é preciso mudar os programas governamentais, adotando políticas públicas inclusivas, tais como educação de tempo integral, por exemplo. Renovar os quadros dos Congressistas para que se faça uma mudança profunda no arcabouço jurídico nacional. A política de drogas deve ser revista. O sistema de punição e de cumprimento de pena precisa passar por alterações que desmonte o controle das facções e efetivamente ressocializem os que foram alcançados pelo sistema punitivo do estado.

Ao longo prazo é necessário transformações profunda que torne a sociedade brasileira justa, como maior distribuição de renda, com o fim da miséria, a diminuição da pobreza e das desigualdades.

Um obra dessa magnitude não se faz com péssimos cidadãos, eleitos com propinas, caixa dois e outros expedientes ilegítimos. Alguns deles ligados diretamente as facções que operam o crime organizado. É preciso eleitores conscientes e políticos comprometidos com o bem comum.

Deixo, pois, esta reflexão feita para pessoas, como eu, que nasceram em uma periferia, vivera com o perigo de cair no crime rondando a suas vidas, tiveram parentes tragados pelo crime, sobreviveram, constituíram famílias e hoje  se colocam a disposição de construir uma sociedade  melhor para seus filhos e netos.

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