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Quem lava a roupa suja é o meu pessoal

 

Na entrevista autorizada pelo STF, que concedeu ao El Pais e a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, o ex-presidente Lula, sempre muito bom com as palavras e encantador para quem o admira, sem críticas, se postou como se fosse um rei falando aos seus súditos ou o próprio deus do Olimpo em busca de vingança ou da correção da falibilidades dos humanos, suas criaturas.

 

 

Em dois trechos, vê-se um Lula salvador da pátria, um semideus da economia e da administração pública, para concluir jogando a senha de que só ele pode salvar esse povo e esse país.

“Se eles lessem alguma coisa, se eles conversassem, eles saberiam que esse cidadão aqui, analfabeto, com um curso de torneiro mecânico, juntou R$ 370 bilhões e dólares de reservas, que a R$ 4 o dólar dá mais de R$ 1,2 trilhão, sem causar nenhum prejuí

zo a nenhum brasileiro.”

“No dia em que eu sair daqui, eles sabem, eu estarei com o pé na estrada. Para, junto com esse povo, levantar a cabeça e não deixar entregar o Brasil aos americanos. Para acabar com esse complexo de vira-lata.”

Ao ler toda a entrevista, incluindo o trecho que diz que errou ao não regulamentar os meios de comunicação, tem-se a impressão que Lula não poder morrer, pois é o único que pode salvar esse país.

Toda entrevista transcorria conforme o Lula havia desenhado. Ele falava direcionado para públicos específicos, incluindo os ministros do STF. Os trechos eram fortes para serem trabalhados pela máquina de propaganda petista. Reforçou toda narrativa da sua prisão e julgamento para se concluir que ali estava o preso político mais honesto e mais importante do Planeta. Seus algozes também estavam delimitados e identificados nas figuras de Moro e Dallagnol. O adversário político a Bolsonaro e seus malucos. O PT traçado como o único partido brasileiro nacional e capaz de libertar o povo. Eis que a genialidade da perguntadora Mônica Bergamo, desnudou o mito eo deixou cara a cara com sua natureza humana, revelando o método que o faz limpo e sem contato com as sujeiras que o levaram a condenação por corrupção e lavagem de dinheiro.

“O sr. lava suas roupas? Não. Eu mando para o meu pessoal lavar.”

Lula não lava a sua própria sujeira e tem sempre pessoas prontas para assumir e lavar tudo o que ele suja. Foi assim a vida inteira. No Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, no Partido dos Trabalhadores e no Governo. Lula nunca quis saber como se lava a sujeira que ele e seu governo foram deixando pelo meio do caminho.
Sempre teve o “meu pessoal” para assumir as roupas sujas.

Lula se sentem limpo e isso se explica pelo lado mais humano possível, ele não tem contato com a sujeira, as roupas, os apartamentos, os sítios, as palestras, o Instituto, tudo vem limpo e sem qualquer mácula. O seu pessoal providenciam a lavagem.

A pergunta da Mônica foi como a cena  do menino que viu o rei nu, dai a genialidade e o compromisso do bom e velho jornalismo sem regulamentação dos meios de comunicação, que neste país significa censura.

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Quem sabe escolher pupunha, saberá escolher o presidente da república?

Na vida, fazer boas escolhas é sempre muito difícil. Escolher é um jogo de acertos e erros. Muitas vezes, para escolher, levamos em conta a aparência, o que está diante dos olhos e não perscrutamos, investigamos, sondamos, para chegar até ao coração daquilo que desejamos escolher.

De todas as escolhas difíceis, acho escolher pupunha boa uma das piores.

Sei que você pensou em outras escolhas da vida, que também são difíceis. Mas nem uma delas chega aos pés de escolher na feira e levar para casa uma boa pupunha e receber os elogios da família.

Na vida sempre somos instado a escolhas. Escolher uma profissão de futuro. Um parceiro ou uma parceira. Um bom candidato a presidente da república, tudo é tão difícil…

Eu concordo que dá um certo trabalho, mas, meu amigo, escolher pupunha boa é uma ciência. Todas elas são jeitosas e têm sempre uma cara boa, o problema é depois de cozinhá-las. Ai verdade vem a tona. É a prova de fogo.

As vezes a bichinha está lá no Ver-o-peso, toda, toda, você compra, leva para casa, bota no fogo para cozinhar, prepara o café, e fica só na espera, quando a pupunha larga do talo, tira-se da panela ainda quente, descasca-se, ai, na hora de comer, pode ser aquela decepção.

As demais escolhas, mesmo as mais fáceis, também podem decepcionar, eu concordo. Mas para todos elas existem remédios. No caso da pupunha é que não tem. Da feita que comprou e cozinhou ou presta ou foi uma escolha errada e não tem remédio.

Certa feita, querendo me especializar em levar para casa uma boa pupunha, consultei uma senhora de seus setenta anos, do interior, acostumada a ver a pupunha no pé, perguntei-lhe qual era o método para comprar uma boa pupunha. Ela então me disse, “quando o Senhor vê um cacho de pupunha com algumas delas bicadas por passarinho, pode comprar que é da boa, os passarinhos não comem coisa ruim”.

Eu, ouvi aquele conselho, mas pensei aqui com os meus botões, eu também não gosto de comer coisa ruim e mesmo assim escolho mal minhas pupunhas, pois escolho pela beleza aparente.

Nesta minha angustia por querer saber escolher e lembrando que o povo brasileiro escolha cada tipo para ser político e até governar o nosso país, lembrei-me do trecho da Bíblia, que está no livro dos Reis, quando o profeta Samuel vai a casa de Jessé escolher o futuro rei de Israel. Logo na chegada, ao ver o primeiro filho bonitão, Eliabe, já vai puxando o seu chifre com o óleo sagrado para ungi-lho e ouve de Deus:

E sucedeu que, entrando eles, viu a Eliabe e disse: Certamente, está perante o Senhor o seu ungido. Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a altura da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o Senhor não vê como vê o homem. Pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração.

Tá certo que para escolher um rei, um presidente, um governador, um prefeito ou mesmo um parlamentar, dá para chegar ao coração. Bolsonaro, por exemplo, nunca enganou ninguém, tudo que ele está dizendo ou fazendo já era seu comportamento antes. Como homem, defende a família tradicional, mas está no terceiro casamento. Como militar foi afastado por comportamento incompatível com a carreira. Como deputado nunca apresentou um trabalho relevante. Na política, preferiu favorecer seus filhos. Na ideologia foi sempre de direita e defensor de soluções de força. Mesmo assim, o povo o preferiu como um recado perigoso aos demais políticos, escolhidos sempre pela aparência de suas campanhas milionárias a custa de corrupção.

Mas deixemos a política pra lá e vamos cuidar da nossa pupunha que é mais importante.

Uma punha boa não pode ser aguada, oleosa ou seca demais. Precisa ter as três características de forma moderada. Nem muito aguda, nem muito seca e pouco oleosa. A medida da moderação depende do gosto de cada um, pois a pupunha tem terroir, aquela característica que tem os vinhos e o açaí. Precisa vir de um área pouco alagada e plantada num monturo. As plantadas em linha, como se fosse soldado enfileirados, prestam para palmito, mas o fruto não é bom. O vendedor, acostumado a comprar , escolhe bem o fruto para os seus fregueses, trazendo para feira aqueles que vem de um bom fornecedor, os conselhos dele vale a pena. Também olhe para o cacho e siga a dica da pupunha bicada por pássaros. Na dúvida, compre logo a cozida, provando ali, no tabuleiro do vendedor.

O certo é que escolher uma boa pupunha dá trabalho, claro, e deve ser executada com bastante responsabilidade e afinco. Feita a boa escolha, o prazer é certo. Cozinhar e comer uma boa pupunha com café da tarde, não tem preço.

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A realidade de pobreza e miséria é maior que as ideologias

O Governo deveria governar para os mais necessitados, os pobres e os miseráveis do país. E o Governo sabe o número de pobres e miseráveis que temos, assim como também sabe quem são os bilionários e milionários.

Ah, sabe! E sabe por diversos meios oficiais.

Começa pela Receita Federal. A Receita, órgão considerado o mais sério dos órgãos públicos brasileiros, tem um cadastro de pessoas físicas. Depois a Receita tem os declarantes de imposto por faixa de rendas. E tem os isentos, que por não terem renda não declaram. Pronto, é só mandar o computador, através de um simples programa, ler o banco de dados e separar os ricos dos pobres e os pobres dos miseráveis, os que tem, dos que não tem, teremos os pobres e miseráveis que necessitam de assistência pública e programas sociais.

Não quer usar os dados da Receita Federal ou eles não vos serve? Tá bem, vamos a outro indicador.

Use então a base de dados dos CADÚNICO. “Esse conjunto de dados apresenta a quantidade de famílias em situação de pobreza e extrema pobreza, o total de famílias e pessoas cadastradas no Cadastro Único, assim como o município e o ano/mês de referência.”

Para decidir qual o universo prioritário das ações do governo nem um desses indicadores estão servindo, nem o IBGE, que é de esquerda, por que não consultar a  base de dados da previdência social?

Quem pode receber benefícios como o BPC ( Benefício de Prestação Continuada), são os idosos a partir de 65 anos e os portadores de deficiência física, mental, sensorial ou intelectual, desde que o impedimento da deficiência dure pelo menos 2 anos.

Tem ainda os dados do CAGED que é  o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – CAGED, que foi criado como instrumento de acompanhamento e de fiscalização do processo de admissão e de dispensa de trabalhadores regidos pela CLT, com o objetivo de assistir os desempregados e de apoiar medidas contra o desemprego.

Por último, o Governo pode se valer dos dados da educação, do bolsa família, do IDH, em fim, por tantos meios disponíveis o Presidente da República e os Congressistas saberão que somos um país desigual e constituídos por uma maioria de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza.

Ao verificar essa realidade, que se impõe sem qualquer margem para debates ou discordâncias, só resta uma saída, trabalhar e trabalhar muito para reverte esse quadro terrível que não é de esquerda e nem de direita, é humano. cristão, judeus, muçulmano, espirita, umbandista…

Combater a pobreza e a miséria nos colocará unidos por uma causa que está acima das ideologias e dos partidos políticos.

Virar as costas para essa realidade e continuar estimulando o ódio, as disputas estéreis vão adiar por muitos anos, com consequências terríveis, o futuro do nosso país. Como dizem os internautas, simples assim.

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Santos Dumont e a morte das abelhas

Viver a vida com limites e respeito a natureza

“Alguém, sabe me dizer onde encontro a feira de produtos orgânicos, destes que vem direito da roça e dizem que faz muito bem para saúde?”, perguntou o vizinho do 501, dirigindo-se as pessoas que estavam ali pela portaria do prédio residencial onde mora.

O porteiro fez que não ouviu ou se ouviu não sabia o que era produto orgânico, para ele, era coisa dessa gente metida a besta, que gosta de inventar moda. 

Já o tenente reformado, que saia para passear com seu cachorrinho de estimação, homem, que por ter muito tempo livre, sabia de quase tudo que rola na cidade, foi logo dizendo: “Vizinho, hoje a feira está lá na Praça Santos Dumont”

“Praça Santos Dumont, onde ficaria?”, pensou o morador, que estava ansioso pelos produtos limpos e vindos direto da natureza, sem os tais agrotóxicos, um mal medonho para saúde. Ele que morava a tanto tempo em Belém, agora estava em dúvida sobre a localização de uma praça da cidade. 

A rede Globo faz propaganda da agricultura que usa agrotóxico. A propaganda diz que Agro é Tech, que tech que nada! A propaganda quer é associar o mal ao bem, ao tecnológico, para dourar a pílula. Mas não adianta, não doura não.

A ciência já revelou que esses produtos lindos, certinho, sem manchas, bonitos de se ver, que estão nas prateleiras dos supermercados, são assim artificialmente e não porque a natureza o quis.

Estudos comprovam que a exposição da população a certas substâncias usadas na indústria química causam distúrbios neurocomportamentais. Embora os traços de glifosato em cada alimento possam não ser grandes, o seu efeito cumulativo é o verdadeiro motivo de preocupação.

A vida moderna está muito artificial. Manipulada pelo homem que manda no dinheiro e sempre quer obter lucro com tudo que vê pela frente, lucro só não, também quer o poder, pois os dois andam juntos, de braços dados e se protegem.

Essa industria apressam a vida do boi, do frango, da cenoura, da batata, fazem-nas de escravas do seu sistema de produção em larga escala. É um sistema em crise. Num ponta produz-se muito, perde-se muito, lucra-se muito. Na outra ponta, a fome e a busca por alimento é uma triste realidade que ceifa milhões de vidas todos os anos.

Nada mais é duradouro nessa vida de modernidade líquida, disse Bauman.

Uma rua está assim, no outro dia já está mudada. As fachadas das lojas do comércio, então! Uma hora estão de um jeito, ai vem um chinês, que a gente nem sabe como eles chegam por aqui, vindo de tão longe, com seus plásticos e microchipe, aluga, coloca uma fachada e esconde a beleza do prédio original da belle epóque.

Até as farmácias, que antes eram escritas como ph e faziam o remédios na hora, de acordo com a doença e com a cara do freguês, hoje são construídas, uma em cada esquina, em menos de 24 horas. Você passa hoje é uma padaria, vem amanhã e já tem uma dessas lojas. Até ali no Baenão já construíram uma. Qualquer dia vão colocar uma dessas farmácias ao lado da Igreja da Sé ou da Basílica, ai vai ter revolta, pois era só o que faltava!

“Vizinho, a Praça Santos Dumont é a mesma Praça Brasil, que os antigos até apelidavam de Praça do Índio, por causa daquela estatua em bronze, importada da Alemanha pelo dono do Armazém Guarani, um que ficava ali na 15 de Novembro”, disse-lhe o Tenente do cachorrinho.

As galinhas de granja, brancas, sebentas, gordurosas, aquilo é só hormônio e faz muito mal para as pessoas. Os bois daqui dizem que é boi verde, como verde, se para crescer precisou de pasto, que ocupou o lugar da floresta, pasto que foi plantado e mantido com muito produto químico. 

O vizinho do 501, agradeceu, se despediu e foi a suas compras de produtos naturais, sem os venenos da modernidade. 

Na Praça, a feira estava lá, mas foi direto ao monumento que fica no centro da Praça, certificar-se da mudança, quando viu a placa nova, de 1996, anunciando a reconstrução da Praça Santos Dumont, pelo prefeito Hélio Gueiros, já com a nova nomenclatura.

Mudaram mesmo o nome e nem avisaram, será que um prefeito tem tanto poder assim? Pensou consigo mesmo, enquanto caminhava até a feira. 

As pessoas vão se acostumando as mudanças repentinas, como se a vida fosse digital, igual a timeline do foi facebook, ali as noticias passam rápido pelas nossas vistas e nem dá tempo de fixa-las na mente, muito menos, os fatos maturam o suficiente para transforma-se em conhecimento e daí gerar a sabedoria. Assim como vem, se vão e são substituídos por muitas outras informações. Uma morte anunciada no face, logo é substituída por outra tragédia, mais outra e outra, num processo de banalização completa.

Nas barracas da feira de orgânicos, os vendedores são os próprios produtores. Uma senhora pergunta porque o mel de abelha está mais claro. A moça explica que a cor do mel depende da florada. Ovos caipira são bem menores, mas a gema é vermelha que dá gosto. O mamão e a laranja tem marcas do seu crescimento natural. Aquilo são produtos elaborados e maturados pela natureza, no tempo apropriado.

Uma galinha, pelo processo natural leva no mínimo 90 dias para ser abatida, enquanto que a da granja, cheia de antibióticos, estará pronta em apenas 40 dias. Comparando ao cozimento de alimento, se o fogo for muito alto, cozinhara bem mais rápido, preparando o alimento em menor tempo, mas o sabor não será o melhor, os temperos não se misturarão adequadamente, não ocorrera a química perfeita e a coacção.

O vizinho se abasteceu dos produtos mais saudáveis que tinha por lá, na volta, parou novamente no monumento, agora pelo lado da Senador Lemos e viu que a placa original, de 1937, quando governava o Pará o interventor federal Magalhães Barata, ainda continuava no mesmo lugar. Em cima do monumento de 4 metros de altura, o índio do Armazém Guarani, objeto de prosa do poeta Rodrigo Pinajé, também estava lá. O que mudou, afinal? 

Ele não era contra a modernidade e as boas invenções humanas, nem as descobertas dos produtos químicos e das facilidades tecnológicas, nem era contra a homenagem a Santos Dumont, afinal o seu invento é uma maravilha da inteligência humana. Questionava a mudança sem o bom propósito ou o uso dessas novidades para permitir o exagero, o lucro e o poder pelo poder. 

Lembrava dos caças japoneses se atirando com o piloto como se fora uma arma letal ou daquele avião com a bomba, jogada sobre Hiroshima. Lembrava agora do avião agrícola jogando muitos litros de veneno sobre o pomar, matando as pragas, mas também milhões de abelhas, coitadinhas, fecundadoras das plantas, as polinizadoras da natureza e que para todo esse enorme benefício a humanidade cobram tão pouco.

O avião não foi feito para matar as abelhas e Santos Dumont merece toda nossa homenagem.

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O tempo pede coração civil

– Coloca ai um Milton Nascimento, pedia um dos frequentadores assíduos do Boteco dos Amigos. 

Mas os tempos estão bicudos e a intolerância não escolha hora para se manifestar. Até nos lugares de recreios o radicalismo ingressou sem pedir licença. 

Quando o caixa, que controlava o som, ia perguntar a preferência, e antes que o freguês disse que desejava escutar “Coração Civil”, de uma outra mesa, lá no fundo, ouviu-se um brado.

– chega de badalar esses artistas gay e maconheiros, que vivem da Lei Rounet, respeitem a maioria, disse o homem, apoiado por todos da sua mesa.

Fez-se o impasse. O conflito era iminente. O clima ficou tenso.

O funcionário do Boteco acostumado a harmonia e o respeito as diferenças por ali, era o que fazia o charme do lugar, sem saber o que fazer, fez o som emudecer, como se protestasse para dizer, nem uma coisa nem outra, vamos nos entender.

O freguês, que havia pedido a música do Bituca, acendeu um cigarro, pegou seu copo e saiu para o ar livre, cantarolando, sem se intimidar:

“Sem polícia, nem a milícia, nem feitiço, cadê poder?

Viva a preguiça, viva a malícia que só a gente é que sabe ter

Assim dizendo a minha utopia eu vou levando a vida

Eu viver bem melhor

Doido pra ver o meu sonho teimoso, um dia se realizar”

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Por que Belém alaga com qualquer chuva?

Dizem que as chuvas de março são as maiores, mas no Pará chove muito sempre. Isso acontece porque estamos dentro de uma grande bacia fechada, composta de floresta e água, muita água.

Trata-se da maior bacia hidrográfica fechada do planeta Terra, a bacia Amazônica.

Todas as soluções humanas construídas em outros lugares, se forem copiadas pra cá, devem ser com muito cuidado, antes de sua implantação por aqui. Se não for assim, não dará certo.

Temos um diferencial chamado Amazônia. Aqui se localiza o maior rio em volume d’água da Terra meus amigos. Você já parou para pensar sobre isso?

Belém, por exemplo, é quase uma ilha. Um pedaço de terra cercado de água por todos os lados e por dentro também. Os canais que a natureza abriu para dentro do nosso continente, no passado, nos trazia grandes alegrias e muita fertilidade.

Por falar em muita água, lembre-se que por aqui chega o poderoso rio Guamá (Guamá vem de um vocábulo indígena e significa rio que chove), trazendo água, muita água, e muita chuva, como diz o seu nome. E que recolhe ao longo de 87.389,54 km², recebendo igarapés e rios caudalosos, nutrientes em forma de sedimentos. Para ele se dirigem o rio Capim, o rio Inhangapi, o rio Moju, o rio Acará, até chegar na cidade e se unir ao rio Pará.

A força do rio Pará, é impressionante, nos seus 300 km de percurso, iniciado na Baía das Bocas (delta de Boiaçu/Breves), vindo receber gentilmente as águas do Tocantins e do rio Meruú-Açú. Ele na verdade é um braço do Amazonas, que de tão volumoso se divide para chegar ao mar. O rio Pará, tem esse nome, que os indígenas o denomina assim por compará-lo ao próprio Oceano, sendo denominado de um rio que parece com o mar.

É muita água veloz e espremida, passando por canais com margens não tão largas e até estreitas para os padrões amazônicos, mas que mesmo assim não consegue vencer a força contrária que vem do mar.  No momento que o mar chega, quando as duas forças se encontram, para evitar o confronto desnecessário, uma vez que não é saudável brigar com quem o ira receber em festa momentos depois, o rio se refugia a espera da suavidade do reencontro.

A natureza, para esse refúgio, sabiamente criou os canais naturais, para os quais as águas escorrem e descansam por algumas horas, depois de ter percorrido longas extensões, esperando que o mar se acalme, para voltar suavemente ao leito do rio a fim de alcançar a foz e seguir levando os nutrientes recolhidos, como se fora boas noticias e muitos boatos também, por muitos quilômetros, mar a dentro, alimentando peixes e pescadores com que sempre extraem causos e contos de encantamentos.

No momento que os rios entram nos canais da cidade eles levam coisas boas para distribuir com as árvores, os pássaros e os peixes que alimentavam as pessoas na outra Belém do passado. Era uma bela troca.

Os canais naturais que estão por todas as partes de Belém, talvez hoje você nem os identifique por esse nome, veja neles um adversários, uma vala, um alagamento, mas são igarapés de outrora.

Vamos ver alguns aqui rapidamente?

O canal do igarapé do Piri, esse você já viu falar muito dele, não lembra? Foi o igarapé onde as três embarcações trazendo os fundadores da Cidade de Belém, aportaram, aportaram não, que na época não tinha porto, fundearam, ancoraram, em fim, pararam para que Francisco Roso Caldeira Castelo Branco e seus acompanhantes, incluindo os marinheiros franceses, descessem para declarar a possessão de Portugal por estas bandas.

O canal e igarapé das Almas, é aquele que nascia perto do Largo da Pólvora e escorria pela São Jeronimo até alcançar a Doca de Souza Franco. Ai você lembrou, não é?

O canal da 14 de Março, é esse mesmo, aquele que nasce atras da Basilica de Nossa Senhora de Nazaré, onde o Plácido achou a imagem milagrosa que todos os anos desce do Esplendor e fica ali, quinze dias para admiração dos paraenses. Este canal se alonga pelas ruas da Cremação e segue na direção da Estrada Nova, formando a bacia com o mesmo nome.

O canal do Tucunduba, eita que foi o igarapé da minha infância, no qual tomávamos delicioso banhos, perto da estância e do porto que tinha ali no final da Rua Barão de Igarapé Miri. O igarapé é grande e vem lá da baixada do Marco, do canal da Leal Martins, do canal da Cipriano e da Gentil, tudo acaba no Tucunduba.

O canal do igarapé do Galo, heim! Este vai lá para o Una, Utinga, se encontra com o canal do Jacaré, um mostro de grande. Lembra do Projeto de Macrodrenagem da Bacia do Una, pois é parte desse imenso curso d’água interno.

O canal da 3 de Maio, o da Antonio Baena, verdadeiros rios, amigo, verdadeiros rios!

Tem o canal da Visconde de Inhauma também, alia na Visconde, nas margens desse canal, nos finais de semana, tudo vira festa e animação. Na Pedreira ainda tem o canal da Pirajá, não posso esquecer dele, pois era lá os ensaios do Bloco Estrela Radiante.

O canal do São Joaquim e do Água Cristal, se comunicam que é uma beleza e atravessam muitos bairros de gente humilde e honesta, mas também rega o grande Parque Ambiental de Belém, depois de passar pela área da Marinha e receber as águas do Igarapé Val-de-cans, que já nos serviu de marco limítrofe com o município de Ananideua.

Ia encerram as citações quando lembrei do Canal do rio Paracuri, aquele que alimenta de barro a arte dos ceramistas marajoara, da Vila Sorriso em Icoaraci.

Pronto, chega de coisas boas, vamos agora para parte triste dessa historia, que começa com uma pergunta incomoda: o que nós fizemos dos nossos canais naturais da cidade de Belém?

No lugar de usá-los como uma malha de comunicação sadia por toda cidade, levando-nos aos bairros, construindo passeios as suas margens, respeitando suas bacias e leitos, retirando deles os nutrientes trazidos generosamente por muitos quilômetros, resolvemos tratá-los como adversários, saímos esbofeteando sua face, dando-lhes pontapé nos traseiros,  e os declaramos inimigos da nossa forma “moderna” de vida, da expansão sem planejamento das nossas moradias e do asfalto.

Depois, não satisfeitos, aterramos tudo com os aterros recebidos nas eleições municipais, em troca cedemos os votos para eleger os piores políticos urbanos do país. Hoje, os canais nos servem como depósito de lixo e esgoto a céu aberto ou como fonte de reclamação com as quais alimentamos a oposição ao prefeito de plantão, oposição que com discurso fácil, populista e sem planejamento, agregado a isso outros mimos, nos levarão o voto, o poder e o futuro de uma bela cidade portuguesa as margens de invejáveis cursos d’água.

Ah, mas a natureza não recebe as nossas injustiças pacificamente. Não, isso não. A cada chuva, a cada maré cheia, que coincide com os pés d’águas que constantemente caem por aqui, as águas dos rios, não podendo e nem querendo se atritar com o seu amigo mar, invadem as ruas e alagam as casas construídas em lugar inadequado. É verdade que se vê obrigada a recolher nossas sujeiras do cotidiano, sim. Mas também se vigam deixando para trás as doenças que tentamos lhes passar.

Declaramos guerra a natureza, nossa irmã, nossa amiga, nossa benfeitora, vamos sofrer as consequências, mas é preciso saber que a natureza tem um grande coração capaz de perdoar, para isso, porém, espera que façamos gestos de respeito e de desejo de viver em harmonia com ela.

Devemos dar os primeiros passos e numa boa convivência reabrir todos os canais, fazendo-os voltar ao seu leito natural, como tinha sido idealizado pela natureza. Tratar o esgoto e os resíduos antes de descartá-los por ai sem responsabilidade. Diminuir o consumo de plásticos, eliminando os plásticos de uso único.  Arborizar as ruas e margens dos canais para diminuir o efeito impermeabilizante do asfalto.

Nós, através dos nossos cientista, sabemos o que deve ser feito, falta-nos coragem e atitudes.

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A luta para manter a Contribuição Sindical deve unir todos os sindicatos

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A contribuição sindical ou qualquer outra forma de financiamento das entidades dos trabalhadores é um assunto que deve ser disciplinado pelos próprios trabalhadores, sem qualquer interferência do Estado.

A Medida Provisória, do Presidente Jair Bolsonaro, determinando que o pagamento de contribuição sindical deve ser feito por boleto individual é inconstitucional, viola o princípio da liberdade e autonomia sindical, estabelecida pela nossa Carta Magna e deve cair por decisão da Corte Constitucional do País.

A contribuição sindical dos trabalhadores para sustentar a estrutura dos sindicatos brasileiros, já passou por ampla sabatina de debates. No final dos nos 70 e inicio dos anos 80, os sindicalistas brasileiros, durante a construção de central sindical, pautaram este assunto e depois de muito se discutir, concluiu-se que esse recurso era fundamental a vida dessas entidades.

O movimento de oposição a estrutura sindical, que está no DNA da Central Única dos Trabalhadores, debatia que o sindicalismo pelego, atrelado ao estado, criado pelo getulismo, tirava sua sustentação de uma contribuição compulsória, ilegal e abusiva, denominada por este movimento de imposto, embora tecnicamente não o fosse.

Os dirigentes sindicais, como tinham a garantia de receita permanente e sem qualquer esforço, administravam sindicatos esvaziados e com pouquíssimos filiados, o que lhes garantia controle total da maquina.

Estes sindicatos sem base, faziam acordos pífios e seus dirigentes eram acusados de vender a luta dos trabalhadores, inclusive denunciando quem se arvorava a construi oposição, se contrapondo a suas práticas nefastas.

Os dirigentes de oposição a estrutura sindical generalizavam e o tempo provou que estavam errados. Haviam outras correntes políticas sindicais que, ao contrário, não tinha o perfil de sindicato pelego, estavam na defesa de bandeiras essenciais aos trabalhadores, mas defendia a permanência da contribuição sindical, vitória do movimento sindical durante as reformas getulista, que visavam enfraquecer o movimento dos trabalhadores.

A pelegada, identificada pelos mais radicais, era minoria e fazia parte da intervenção feita aos sindicatos durante o período militar, quando os dirigente autênticos foram afastados, acusados de crime contra a segurança nacional, processados, presos e até banidos do país, sendo substituídos por interventores apontados pelo governo ou por patrões.

A CUT foi fundada e logo após outras centrais sindicais surgiram no cenário das organizações profissionais. Estas centrais, chamadas pelo Ministério do Trabalho para tratar desse assunto, decidiram a sua permanência e a forma de distribuição dos valores arrecadados, pacificando um debate iniciado ainda no período militar.

O interesse do Governo de Jair Bolsonaro é claro e visa enfraquecer o movimento dos trabalhadores, única voz que pode se contrapor a reforma da previdência e a fragilização dos direitos e garantias dos trabalhadores brasileiros, o que não se pode aceitar em hipótese alguma.

O Movimento Sindical sempre é o alvo preferido dos governos reformistas e privatistas.

Almir Pazzianotto
Ministro do TST

Fernando Henrique Cardoso, quando apresentou seu programa de privatização, investiu pesado contra os trabalhadores organizados em sindicatos. Os petroleiros foram o seu alvo. Através de violência jurídica cometida pelo Ministro Almir Pazzianotto, os sindicatos dos petroleiros de todo o país tiveram a greve legitima julgada ilegal e receberam a primeira criminalização da política, quando, através de um multa astronômica, perderam força e patrimônio, alguns desses patrimônios com anos de história de luta.

O que o presidente Jair Bolsonaro faz ao atacar a principal fonte de financiamento dos sindicatos brasileiros tem um único objetivo que é o enfraquecimento de qualquer reação as suas propostas de retirar direitos dos trabalhadores brasileiros, principalmente os direitos previdenciários.

A reação jurídica e política a esse atentado precisa unir todas as forças sindicais do país. A jurídica deve se dirigir ao STF e a reação política em cima do Congresso Nacional para obter a rejeição dessa Medida Provisória absurda.

 

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Fechar o Lixão e reiniciar, sem errar

O povo de Marituba está doente e meio ambiente está ecologicamente desequilibrado, por causa do Lixão erroneamente instalado naquele Município.

Errou o promotor Raimundo Moraes que comandou o açodado fechamento do Aurá. Errou o Governo do Estado ao conceder a licença ambiental. Errou a Prefeitura de Belém ao contratar a sem licitação e sem avaliar os impactos os serviços da Guamá, uma empresa sem competência técnica para prestar o serviço de acordo com a legislação em vigor.

Tudo que avisamos, nós, Seu André Nunes e a comunidade através de suas entidades legitimas aconteceu.

O povo de Abacatal está doente. O povo do Santa Lúcia 1 e 2 está sem água. Todos os poços viraram lamas desde que o aterro foi para lá. Como é possível dizer que é um aterro digno ?

Para o consertar o problema só tem uma saída. Admitir os erros, voltar atras e começar do zero caminhando pelo caminho correto que é o da Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos.

As prefeituras com seus técnicos devem atuar livremente, sem a interferência indevida do promotor Raimundo Moraes, que provou não ter expertise nesta área e nem ser o papel de um promotor apontar soluções para Política de Resíduos Sólidos.

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Estamos deixando de ouvir os graves alertas ambientais e sociais

Quando a barragem de Brumadinho rompeu, as sirenes não tocaram, foram engolfadas pela lama, mas os alertas ensurdecedores já haviam soado em Mariana. A empresa e os governos federal e estadual não quiseram ou não puderam ouvir sobre o perigo destas barragens.

Por que então estes alertas foram ignorados?

Não é de hoje que estamos deixando de ouvir todos alertas, até os mais graves, que implicam na nossa própria segurança e existência.

São as barragens, as doenças evitáveis, os desmatamentos, o uso excessivo de agrotóxicos, o derretimento do gelo da calota polar, a agonia dos corpos hídricos contaminados, as espécies animais e vegetais simplesmente extintas, os milhões de refugiados mortos ao tentar sair de seus países em busca de sobrevivência, a ausência criminosa de  saneamento básico que transmite doenças e mata pessoas em todos os cantos do Planeta, os milhões que morrem de fome, etc.

O que está nos cegando e nos deixando moucos?

Antes de falar sobre os motivos da nossa insensibilidade aos alertas de perigo tão iminente, vou me permitir fazer mais um alerta grave ao povo e as autoridades paraenses.

Trata-se dos perigos a que estão submetidos os mananciais de abastecimento de água de toda a Região Metropolitana de Belém, diante do trafego intenso de veículos, incluindo aqueles com carga perigosa ou insalubres como os caminhões que transportam lixo, cuja o conteúdo pode vazar diretamente para os lagos e nascentes.

O relatório apresentado a Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados, em 2014, sobre o processo de licenciamento ambiental do prolongamento a Avenida João Paulo II, já alertava para os futuros problemas que o Parque do Utinga e os mananciais de abastecimento de água por ele protegido, ocorreriam caso não se adotasse os cuidados necessários. Mas o alerta entrou para os rol de tantos outros e foi ignorado e, sobre a cegueira da sociedade, as autoridades fizeram ouvidos moucos, o Licenciamento Ambiental foi expedido com algumas condicionantes, que não estão sendo fiscalizadas.

Os olhos e ouvidos das autoridades e das pessoas estão sendo impedidos de funcionar pelo sistema economico e político, baseado no poder e no lucro, com métodos que não respeitam a vida e nos desconectaram da natureza, da qual, parece que deixamos de ser parte.

Os empresários  e os governantes olham para o sistema natural e para as pessoas e não enxergam nelas a complexa teia de relacionamento que significa a própria vida. Deixaram de perceber o verdadeiro sentido da vida e suas implicações.

As pessoas, capturadas pelo sistema, não tem força para reagir ao perigo e assumem as causas dos seus algozes, trabalhando, consumindo e produzindo em função de um pouco de satisfação pessoal e dos parcos salários.

A roda da máquina que eles inventaram, gira contra todas as leis naturais, subvertendo a teia da vida,  escravizando o meio ambiente e pessoas e forçando-os a produzir riquezas para sua apropriação.

Vamos pensar apenas na Vale e no seu produto.

A Vale é uma das maiores mineradoras da Terra. Seu negócio é encontrar e explorar todo o tipo de mineral que esteja em alta no mercado, principalmente o ferro.

A quem pertence a Vale?

Os verdadeiros donos da Vale
Os verdadeiros donos da Vale

Mais da metade do capital votante da Vale pertence, direta ou indiretamente, ao Estado. Outra parte é o capital que circula no mercado especulativo, rodando pelas bolsas, em apostas de investidores anônimos. A maior parte do lucro de toda atividade desta monumental empresa, porém é apropriada pelo mercado financeiro, verdadeiro monopolista e gerente desse sistema.

A Litel, uma das grandes acionista da Empresa, é formada pela Previ (Caixa de Previdência dos Empregados do Banco do Brasil), Petros (Fundação Petrobrás de Seguridade Social), Funcef (Fundação dos Economiários Federais) e Fundação Cesp, dos empregados da Eletropaulo, Cesp e Companhia Paulista de Força e Luz.

Os administradores da Companhia são profissionais pagos para dar lucro aos investidores e nem sabem quem são eles pessoalmente, pois apenas tratam com seus representantes, que são pessoas contratadas, cujo salário depende dos resultados positivos da Companhia.

Um funcionário da Caixa Econômica, do Banco do  Brasil ou da Petrobras, prestes a se aposentar, terá seus ganhos advindos do lucro dessa companhia e nada pode fazer para exigir que esse mesmo lucro venha de práticas ambientais ou sociais éticas.

Um conjunto de engrenagens sem rostos, movem esse sistema, que só tem um objetivo: rentabilidade para as ações e lucro para os fundos de investidores.

Assim como o pensionista da PREVI, lucra com o lucro da Vale extraído em forma de ferro, deixando as barragens de lama para trás, o consumidor que compra um produto feito de metal, também está contribuindo, involuntariamente, para os desastres de Brumadinho, Mariana ou, num futuro próximo, contribuirá para outras, pois existem só na região onde se localiza Brumadinho mais dez outras barragens como os mesmos riscos.

Quando se fala em capitalista, burguês ou elite poderosas, na verdade não se fala mais de pessoas, mas de um sistema que gira ao contrário do movimento do universo e por isso produz o caos. É um sistema fadado a nos destruir. Na periferia desse sistema vai ficando o desastre ambiental e a tragédia humana.

Todos as sirenes estão tocando ao mesmo tempo. Algumas foram engolfadas pela lama, mas as outras tocam e nós estamos insensíveis a ela.

Os cientistas do acordo do clima de Paris, as ONGS, os Verdes do Global Green, o Papa Francisco, mostram os relatórios, gritam, fazem barulho, apelam fortemente, mas o sistema nos cegou e nos ensurdeceu.

A classe política e o modelo de organização dos estados nacionais faliu, são incapazes, não tem força para mudar nada. Impotentes de atuar contra o capital especulativo, tratam apenas dos seus próprios interesses, sucumbindo a força desse sistema perverso.

É hora de abrir os ouvidos e os olhos e reagir criando mecanismos multilaterais, democráticos, transparentes, capaz de controlar o capital financeiro mundial, que a todos escravizou, subjugando os estados nacionais, incapazes de defender sua população.

É hora de trabalhar por um novo pacto baseado na visão sistêmica, abolindo o pensamento cartesiano e o poder patriarcal que desequilibrou tudo, incluindo o masculino e o feminino. Só a ecologia profunda pode nos salvar.

 

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Cidadão ou consumidor

Cidadão ou consumidor
Cidadão ou consumidor

O mundo atual nos leva a comprar, comprar e comprar muito. É um exigência da vida moderna ditada pelo mercado. São tantas as ofertas, são tantas as estratégias que as pessoas acabam levando para casa aquilo que nem precisam no momento das compras. Os produtos estão nas nossas vistas nos shopping, nos supermercados ou nas timelines das redes sociais. Você já reparou que quando pesquisa um assunto, os produtos a eles ligados começam a brotar na tela do seu smartphone?

Algumas perguntas para o seu pensar: você se sente um cidadão ou um consumidor? Sabes fazer a diferença entre um e o outro? Consegues pensar se os teus hábitos de consumo são livres, baseados nas tuas reais necessidades ou apenas atendem aos impulsos provocados pelas estratégias de marketing?

Um cidadão vive para desfrutar da vida em sociedade, formando amigos, famílias, gerando filhos, usufruindo de direitos e cumprindo seus deveres para com seus pares e com o seu país. O consumidor, meu amigo, é apenas um item nas mãos do mercado.

O mercado, este ser invisível, poderoso, dominador, que nunca se contenta em deixar que a lei da oferta e da procura atue livremente, estuda os seus hábitos e tenta influenciar na qualidade e quantidade das coisas que você consome, desde a sua alimentação, ao seu vestir, o seu calçar, escolhe seus itens de beleza,  até o seu lazer e gosto pela cultura fazem parte dos estudos científicos da chamada mercadologia.

Os meios para influenciar seu consumo se diversificaram. Além daqueles dos tradicionais, através da grande mídia, jornais, rádios, tevês, as redes sociais atuam construindo poderosos bancos de dados ou “Big Data” sobre você e usando os dados para lhe impulsionar a consumir. Você mesmo é quem fornecer todos as suas manias e costumes, para alimentar esses bancos de dados.

Quando você faz seu perfil em uma rede social, os dados que você insere vão para o banco de dados do aplicativo que tem ferramentas que pode lhe classificar em uma das letras do big five,  a OCEAN (depois falamos disso). O big five refere-se em psicologia aos cinco fatores da personalidade descritos pelo método lexical, ou seja, baseado em uma análise linguística.

Nessa altura da nossa conversa o cidadão já foi deixado de lado a muito tempo. Só é requisitado nos anos eleitorais, quando se faz de conta que o mercado não existe e brincamos de ser democráticos, mas até no processo eleitoral as redes sociais já atuam influenciando nas nossas escolhas. Dúvidas?

A China, só para dar um exemplo, lá, do outro lado do mundo, sabe o que os brasileiros querem consumir e foca nesse mercado. Os chineses estudam quem somos nós. Se duvidar eles sabem mais sobre nós do que nós mesmos.

Ao deixarmos de ser cidadãos para sermos meros consumidores entramos no jogo do mercado e na roda viva do consumo sem consciência, apenas nos deixando levar pelos estímulos que eles preparam para aumentar nossos desejos pelos seus produtos.

Os produtos vão sendo feitos como a marca “feitos para jogar fora” e nós nunca estamos satisfeitos e cada vez queremos mais e mais. O mercado se utiliza das técnicas de obsolescência, tanto aquela que perceptível como as que programa para que o produto deixe de funcionar.

Assim, nesta roda de comprar, jogar fora, comprar de novo, jogar fora outra vez, vamos ajudando a esgotar os recursos da natureza, de onde vem as matérias primas e produzindo gases de efeito estufa que tem a capacidade de alterar o clima do Planeta e em pouco tempo jogamos tudo no lixo, para retornar ao ciclo do consumo, sem que isso nos garanta felicidade duradoura.

Você deve estar pensado, mas eu preciso consumir? Certo. Mas consumir por que? e como faço isso sem ter dor na consciência? Uma maneira de reagir ao mercado é através do consumo consciente, assunto que iremos abordar em outro texto. Mas vá pensando sobre o assunto e até pesquise na internet sobre o tema para nossa próxima conversa.

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