Skip to main content
23ª Ed. da Revista Pensar Verde

Saiu a nova Pensar Verde

A revista aborda três temas de grande importância e uma entrevista com o presidente Penna. Articulistas de grande relevância escrevem nesta edição. Tem o Gabeira, falando de segurança pública. Tem o ex-presidente da OAB, Marcus Vinicius Furtado e a voz da Transparência Brasil, falando da importância das eleições parlamentares. Tem tudo sobre a Conferência Internacional das Águas. Leia e se gostar, compartilhe com seus amigos e seguidores.

Leia Mais

img_3060.jpg

A paz se conquista com sociedade forte e instituições democráticas

Desmontar a industria do tráfico de drogas e de marginalização dos jovens é fundamental para diminuir a violência no Brasil

Os traficantes de drogas e chefes do crime organizado compreenderam as fragilidades do sistema punitivo brasileiro e o fizeram trabalhar a favor de suas organizações criminosas, fortalecendo seus mandos e alimentando a industria das drogas e da violência, que lhes confere poder e dinheiro.

As autoridades brasileiras, com suas instituições em crise, principalmente o Poder Legislativo, fundamental na aprovação de novas regras de punição e encarceramento, não conseguem responder ao crime organizado, uma vez que usam os métodos e regras que os chefes de facções já conhecem, dominam e estão alimentando as engrenagens de suas máquinas do mal.

Comecemos pela política de drogas.

O Brasil entendem o viciado e o traficante como criminosos, que devem ser tratados da mesma forma. No país, não se estuda este fenômeno do ponto de vista da sua organização econômica. O combate é todo feito pelo sistema de segurança pública, utilizando-se a repressão aos fornecedores, o combate aos distribuidores e a prisão dos viciados, pequenos deliquentes. Entender a rede e o seu funcionamento, é fundamental para desmontar a suas engrenagens. O preconceito com drogas leves, como a maconha, ligando-a aos pobres, pretos e ao uso para comentar como essencial ao cometimento de crimes, dificulta

As penas de prisão ou o aumento destas penas são as resposta mais comum que o nosso legislador encontra para dar satisfação a sociedade. As cadeias estão nas mãos das facções e elas estão usando o sistema de pena, junto com a superlotação para recrutar novos soldados para o seu negócio.

O estado, que tem na pena de prisão à ressocialização dos presos faliu, não consegue parar à reincidência e nem entregar a sociedade pessoas transformadas.

O sistema prisional não consegue nem impedir que os chefes das cadeias atuem livremente, controlando armas, celulares, drogas, agenciamento de presos primários, seus familiares, comandar de lá o negocio aqui fora e ainda contam com a colaboração dos agentes do estado para o seus propósitos.

O sistema está superlotado e consome receita pública em grande quantidade sem resultado prático algum para a sociedade.

Nas periferias das grandes e inchadas cidades, jovens e famílias empobrecidas e desestruturadas buscam nas drogas e no delito uma saída para os seus dramas. As escolas públicas faliram. Os direitos básicos à moradia digna, alimentação, transporte e emprego, são negados a milhões de brasileiros. Tudo isso diante de um mundo em transformações numa velocidade nunca vista. Nada é simples como era a pouco tempo, da opção sexual a escolha de uma carreira, tudo virou coisa muito complexa, a atormentar a cabeça de adolescentes em idade de dúvidas e aventuras. Com um agravante, os pais e a escola não são mais a única fonte de transmissão de saber e conhecimento.

Num quadro desses, pululam as sugestão imediatistas, populista e do uso da força, propostas por salvadores da pátria, que apenas desejam salvar as suas próprias vidas e aumentar o seus patrimônios. As sugestões vão desde a formação de milícias, execuções de suspeitos, aumento de penas, encarceramentos,  criminalização, diminuição das liberdades, violação dos direitos civis, etc.

A saída não é por ai. Muitos países que caminharam nesta direção, apenas instituiram a volta da barbarie.

Nem é pelo caminho de jogar a sociedade em uma luta de classes, do nós contra eles, politizando o debate, para obter vantagens eleitoras oportunistas, que iremos triunfar, encontrando almejada paz social e salvando os milhões de brasileiros marginalizados.

As soluções são de curto, médio e longo prazo, que passam por fortalecer a sociedade e as instituições democráticas, dando ao coletivo o poder de agir contra os indivíduos que não aceitam o projeto sociedade e o caminho civilizatório.

No curto prazo as intervenções no sistema de segurança pública dos estados, para limpar as policias repressivas, judiciárias e o sistema carcerários da influências das facções e milícias, parecer ser extremamente necessário e urgente.

No médio prazo é preciso mudar os programas governamentais, adotando políticas públicas inclusivas, tais como educação de tempo integral, por exemplo. Renovar os quadros dos Congressistas para que se faça uma mudança profunda no arcabouço jurídico nacional. A política de drogas deve ser revista. O sistema de punição e de cumprimento de pena precisa passar por alterações que desmonte o controle das facções e efetivamente ressocializem os que foram alcançados pelo sistema punitivo do estado.

Ao longo prazo é necessário transformações profunda que torne a sociedade brasileira justa, como maior distribuição de renda, com o fim da miséria, a diminuição da pobreza e das desigualdades.

Um obra dessa magnitude não se faz com péssimos cidadãos, eleitos com propinas, caixa dois e outros expedientes ilegítimos. Alguns deles ligados diretamente as facções que operam o crime organizado. É preciso eleitores conscientes e políticos comprometidos com o bem comum.

Deixo, pois, esta reflexão feita para pessoas, como eu, que nasceram em uma periferia, vivera com o perigo de cair no crime rondando a suas vidas, tiveram parentes tragados pelo crime, sobreviveram, constituíram famílias e hoje  se colocam a disposição de construir uma sociedade  melhor para seus filhos e netos.

Leia Mais

img_0149.jpg

Bolsa Família, uma esmola oficial.

 

fila das bragantinas do bolsa-família
 
O programa bolsa-família faz parte da renda de muitas famílias sem rendas, mas ainda não mudou os índices de miséria e desigualdade regional, objetivo fundamental da República Federativa do Brasil, art. 3°, da Constituição Federal.  Muito menos foi um programa eficaz de distribuição de rendas ou mudou a qualidade da educação brasileira. 

Nos municípios, como Bragança, as pessoas fazem filas enormes para receber o benefício e a renda do Bolsa-família movimenta apenas o comércio local, passando dos bolsos dos beneficários diretamente para a conta corrente dos comerciantes, numa troca quase medieval, daquelas que se faziam nos burgos, sem que o bolsista agregue um bem promotor de autonomia e nem que a renda altere as bases da economia.

O programa, dito de transferência de renda virou um tabu. Os radicais defensores da doação mensal de um mísero valor não aceitam e nem cogitam qualquer alteração nas bases do bolsa-família. Os radicais opositores propõe a extinção pura e simples, o que poderia significar a deflagração (como diz o título do livro de Décio Freitas) da “revolução das miseráveis classes infâmes”.

Políticos oportunistas e descompromissados com o futuro olham para o bolsa-família e enxergam apenas eleitores e mexer negativamente com eles, pode significar uma derrota nas urnas.

O certo é que o programa Bolsa-família não cumpre seu objetivo e que é mudar a realidade de um país com uma das piores distribuições de renda do planeta. 

Também não alterou a triste realidade na educação, pois mesmo obrigando mães a colocar seus filhos na escola não impede a exclusão escolar. 

Os beneficiários do programa não se sustentam como consumidores qualificados e nem mudam seu próprio status quo, tornando-se cliente “ad eternum” do Programa, recebendo mensalmente uma esmola. 
Por mais que isto não seja simpático, defendo uma reavaliação deste programa de “distribuição de renda” o Bolsa-família, anteriormente chamado de bolsa-escola, que incorporou o “fome zero”, quem sabe seguir na direção de um sistema de renda mínima sustentado pelo imposto de grandes fortunas.

A música “vidas secas”, cantada por Luis Gonzaga, pode servir de estimulo a um bom debate sobre o Bolsa-família:

“Seu doutô os nordestino têm muita gratidão Pelo auxílio dos sulista nessa seca do sertão Mas doutô uma esmola a um homem qui é são                                                                                Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão

É por isso que pidimo proteção a vosmicê Home pur nóis escuído para as rédias do pudê Pois doutô dos vinte estado temos oito sem chovê                                                                        Veja bem, quase a metade do Brasil tá sem cumê.                                                                            Dê serviço a nosso povo, encha os rio de barrage.                                                                       Dê cumida a preço bom, não esqueça a açudage.”

Leia Mais