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Estamos deixando de ouvir os graves alertas ambientais e sociais

Quando a barragem de Brumadinho rompeu, as sirenes não tocaram, foram engolfadas pela lama, mas os alertas ensurdecedores já haviam soado em Mariana. A empresa e os governos federal e estadual não quiseram ou não puderam ouvir sobre o perigo destas barragens.

Por que então estes alertas foram ignorados?

Não é de hoje que estamos deixando de ouvir todos alertas, até os mais graves, que implicam na nossa própria segurança e existência.

São as barragens, as doenças evitáveis, os desmatamentos, o uso excessivo de agrotóxicos, o derretimento do gelo da calota polar, a agonia dos corpos hídricos contaminados, as espécies animais e vegetais simplesmente extintas, os milhões de refugiados mortos ao tentar sair de seus países em busca de sobrevivência, a ausência criminosa de  saneamento básico que transmite doenças e mata pessoas em todos os cantos do Planeta, os milhões que morrem de fome, etc.

O que está nos cegando e nos deixando moucos?

Antes de falar sobre os motivos da nossa insensibilidade aos alertas de perigo tão iminente, vou me permitir fazer mais um alerta grave ao povo e as autoridades paraenses.

Trata-se dos perigos a que estão submetidos os mananciais de abastecimento de água de toda a Região Metropolitana de Belém, diante do trafego intenso de veículos, incluindo aqueles com carga perigosa ou insalubres como os caminhões que transportam lixo, cuja o conteúdo pode vazar diretamente para os lagos e nascentes.

O relatório apresentado a Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados, em 2014, sobre o processo de licenciamento ambiental do prolongamento a Avenida João Paulo II, já alertava para os futuros problemas que o Parque do Utinga e os mananciais de abastecimento de água por ele protegido, ocorreriam caso não se adotasse os cuidados necessários. Mas o alerta entrou para os rol de tantos outros e foi ignorado e, sobre a cegueira da sociedade, as autoridades fizeram ouvidos moucos, o Licenciamento Ambiental foi expedido com algumas condicionantes, que não estão sendo fiscalizadas.

Os olhos e ouvidos das autoridades e das pessoas estão sendo impedidos de funcionar pelo sistema economico e político, baseado no poder e no lucro, com métodos que não respeitam a vida e nos desconectaram da natureza, da qual, parece que deixamos de ser parte.

Os empresários  e os governantes olham para o sistema natural e para as pessoas e não enxergam nelas a complexa teia de relacionamento que significa a própria vida. Deixaram de perceber o verdadeiro sentido da vida e suas implicações.

As pessoas, capturadas pelo sistema, não tem força para reagir ao perigo e assumem as causas dos seus algozes, trabalhando, consumindo e produzindo em função de um pouco de satisfação pessoal e dos parcos salários.

A roda da máquina que eles inventaram, gira contra todas as leis naturais, subvertendo a teia da vida,  escravizando o meio ambiente e pessoas e forçando-os a produzir riquezas para sua apropriação.

Vamos pensar apenas na Vale e no seu produto.

A Vale é uma das maiores mineradoras da Terra. Seu negócio é encontrar e explorar todo o tipo de mineral que esteja em alta no mercado, principalmente o ferro.

A quem pertence a Vale?

Os verdadeiros donos da Vale
Os verdadeiros donos da Vale

Mais da metade do capital votante da Vale pertence, direta ou indiretamente, ao Estado. Outra parte é o capital que circula no mercado especulativo, rodando pelas bolsas, em apostas de investidores anônimos. A maior parte do lucro de toda atividade desta monumental empresa, porém é apropriada pelo mercado financeiro, verdadeiro monopolista e gerente desse sistema.

A Litel, uma das grandes acionista da Empresa, é formada pela Previ (Caixa de Previdência dos Empregados do Banco do Brasil), Petros (Fundação Petrobrás de Seguridade Social), Funcef (Fundação dos Economiários Federais) e Fundação Cesp, dos empregados da Eletropaulo, Cesp e Companhia Paulista de Força e Luz.

Os administradores da Companhia são profissionais pagos para dar lucro aos investidores e nem sabem quem são eles pessoalmente, pois apenas tratam com seus representantes, que são pessoas contratadas, cujo salário depende dos resultados positivos da Companhia.

Um funcionário da Caixa Econômica, do Banco do  Brasil ou da Petrobras, prestes a se aposentar, terá seus ganhos advindos do lucro dessa companhia e nada pode fazer para exigir que esse mesmo lucro venha de práticas ambientais ou sociais éticas.

Um conjunto de engrenagens sem rostos, movem esse sistema, que só tem um objetivo: rentabilidade para as ações e lucro para os fundos de investidores.

Assim como o pensionista da PREVI, lucra com o lucro da Vale extraído em forma de ferro, deixando as barragens de lama para trás, o consumidor que compra um produto feito de metal, também está contribuindo, involuntariamente, para os desastres de Brumadinho, Mariana ou, num futuro próximo, contribuirá para outras, pois existem só na região onde se localiza Brumadinho mais dez outras barragens como os mesmos riscos.

Quando se fala em capitalista, burguês ou elite poderosas, na verdade não se fala mais de pessoas, mas de um sistema que gira ao contrário do movimento do universo e por isso produz o caos. É um sistema fadado a nos destruir. Na periferia desse sistema vai ficando o desastre ambiental e a tragédia humana.

Todos as sirenes estão tocando ao mesmo tempo. Algumas foram engolfadas pela lama, mas as outras tocam e nós estamos insensíveis a ela.

Os cientistas do acordo do clima de Paris, as ONGS, os Verdes do Global Green, o Papa Francisco, mostram os relatórios, gritam, fazem barulho, apelam fortemente, mas o sistema nos cegou e nos ensurdeceu.

A classe política e o modelo de organização dos estados nacionais faliu, são incapazes, não tem força para mudar nada. Impotentes de atuar contra o capital especulativo, tratam apenas dos seus próprios interesses, sucumbindo a força desse sistema perverso.

É hora de abrir os ouvidos e os olhos e reagir criando mecanismos multilaterais, democráticos, transparentes, capaz de controlar o capital financeiro mundial, que a todos escravizou, subjugando os estados nacionais, incapazes de defender sua população.

É hora de trabalhar por um novo pacto baseado na visão sistêmica, abolindo o pensamento cartesiano e o poder patriarcal que desequilibrou tudo, incluindo o masculino e o feminino. Só a ecologia profunda pode nos salvar.

 

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Helder Barbalho fala em preservar o meio ambiente explorando minério e criando boi

Qual é a vocação natural do Estado do Pará?

Responder essa pergunta me parece a questão essencial para elegermos o modelo de desenvolvimento adequado e capaz de superar o estágio de pobreza e desigualdade em que vive a maioria dos oito milhões de paraenses.

“Neste contexto, o Pará precisará estar apto e pronto para atrair estes investimentos dentro da vocação econômica natural que tem – mineral, agropecuária e turismo, além de logística – e que servirão de alavanca para a geração do desenvolvimento, de emprego e renda que tanto é clamado por nossa população.
O foco no crescimento sustentável do nosso Estado com olhar atento à responsabilidade social, fiscal e ao aspecto ambiental é inegociável, pois precisamos garantir que nossa riqueza seja aproveitada de forma racional e consciente, e que se reverta em benefício para nossa sociedade no curto, médio e longo prazos.”
Foi o que disse Helder Barbalho em sua mensagem ao povo paraense, através de seus representantes, no ato de abertura do período legislativo.
O Governador acredita que a nossa vocação natural é minério, agropecuária e turismo. Eu acho que temos outras mais sustentáveis que essas as duas primeiras e que não são as nossas vocações naturais, com certeza não são.
 
Dizer vocação natural é o mesmo que dizer nasceu para isso, neste sentido compartilho as minhas reflexões sobre as vocações naturais que estão norteando o pensamento do Governado do Pará e irão dirigir suas políticas, caso não aceite refletir melhor sobre suas consequências.
 
O Pará não nasceu para retirar minério, construir barragens, ficar com os impactos ambientais danosos e gerar uma economia de concentração de riquezas.
 
O Pará não nasceu para retirar a floresta, plantar gramíneas, criar boi ou exportar soja, destruindo seu ecossistema, gerando pobreza e desigualdade.
 
O Pará nasceu para o turismo, agricultura familiar, para explorar as “drogas do sertão”, etc. Mas que tipo de turismo seria a nossa vocação?
Turismo é uma industria limpa, sem dúvida. A equipe do novo Governo, porém, precisa se fazer a seguinte pergunta: três razões pelas quais um turista disposto a gastar US$ 1000 por dia escolheria o Pará como seu roteiro turístico?
Quando essa pergunta for respondida com a cabeça do turista, estaremos prontos para explorar o turismo e gerar riqueza a partir dele.
O Governador afirma que o “aspecto ambiental é inegociável”:
Como não negociar a sustentabilidade da floresta e a preservação dos recursos naturais, garantindo um meio ambiente ecologicamente equilibrado para a geração atual e as futuras, quando se acredita que a vocação natural do Pará é a mineração e a agropecuária, inclusive colocando estas duas vertentes econômicas em primeiro e segundo lugar e o turismo, a única das três áreas eleitas compatível com a afirmação de que o aspecto ambiental é inegociável?
É uma contradição perigosa.
A mineração e a agropecuária não são nossas adversárias,  mas só servirão aos propósitos futuros do estado do Pará se forem tratadas como meio para construir uma economia sustentável e segura, em todos os seus aspectos, incluindo o combate a extrema pobreza e a violência a que estão submetidos ampla parcela da nossa população, baseada em outros setores, que sejam compatíveis com o bioma em que estamos inseridos.
Mensagem de Helder Barbalho aos deputados paraenses
Mensagem de Helder Barbalho aos deputados paraenses

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Cidadão ou consumidor

Cidadão ou consumidor
Cidadão ou consumidor

O mundo atual nos leva a comprar, comprar e comprar muito. É um exigência da vida moderna ditada pelo mercado. São tantas as ofertas, são tantas as estratégias que as pessoas acabam levando para casa aquilo que nem precisam no momento das compras. Os produtos estão nas nossas vistas nos shopping, nos supermercados ou nas timelines das redes sociais. Você já reparou que quando pesquisa um assunto, os produtos a eles ligados começam a brotar na tela do seu smartphone?

Algumas perguntas para o seu pensar: você se sente um cidadão ou um consumidor? Sabes fazer a diferença entre um e o outro? Consegues pensar se os teus hábitos de consumo são livres, baseados nas tuas reais necessidades ou apenas atendem aos impulsos provocados pelas estratégias de marketing?

Um cidadão vive para desfrutar da vida em sociedade, formando amigos, famílias, gerando filhos, usufruindo de direitos e cumprindo seus deveres para com seus pares e com o seu país. O consumidor, meu amigo, é apenas um item nas mãos do mercado.

O mercado, este ser invisível, poderoso, dominador, que nunca se contenta em deixar que a lei da oferta e da procura atue livremente, estuda os seus hábitos e tenta influenciar na qualidade e quantidade das coisas que você consome, desde a sua alimentação, ao seu vestir, o seu calçar, escolhe seus itens de beleza,  até o seu lazer e gosto pela cultura fazem parte dos estudos científicos da chamada mercadologia.

Os meios para influenciar seu consumo se diversificaram. Além daqueles dos tradicionais, através da grande mídia, jornais, rádios, tevês, as redes sociais atuam construindo poderosos bancos de dados ou “Big Data” sobre você e usando os dados para lhe impulsionar a consumir. Você mesmo é quem fornecer todos as suas manias e costumes, para alimentar esses bancos de dados.

Quando você faz seu perfil em uma rede social, os dados que você insere vão para o banco de dados do aplicativo que tem ferramentas que pode lhe classificar em uma das letras do big five,  a OCEAN (depois falamos disso). O big five refere-se em psicologia aos cinco fatores da personalidade descritos pelo método lexical, ou seja, baseado em uma análise linguística.

Nessa altura da nossa conversa o cidadão já foi deixado de lado a muito tempo. Só é requisitado nos anos eleitorais, quando se faz de conta que o mercado não existe e brincamos de ser democráticos, mas até no processo eleitoral as redes sociais já atuam influenciando nas nossas escolhas. Dúvidas?

A China, só para dar um exemplo, lá, do outro lado do mundo, sabe o que os brasileiros querem consumir e foca nesse mercado. Os chineses estudam quem somos nós. Se duvidar eles sabem mais sobre nós do que nós mesmos.

Ao deixarmos de ser cidadãos para sermos meros consumidores entramos no jogo do mercado e na roda viva do consumo sem consciência, apenas nos deixando levar pelos estímulos que eles preparam para aumentar nossos desejos pelos seus produtos.

Os produtos vão sendo feitos como a marca “feitos para jogar fora” e nós nunca estamos satisfeitos e cada vez queremos mais e mais. O mercado se utiliza das técnicas de obsolescência, tanto aquela que perceptível como as que programa para que o produto deixe de funcionar.

Assim, nesta roda de comprar, jogar fora, comprar de novo, jogar fora outra vez, vamos ajudando a esgotar os recursos da natureza, de onde vem as matérias primas e produzindo gases de efeito estufa que tem a capacidade de alterar o clima do Planeta e em pouco tempo jogamos tudo no lixo, para retornar ao ciclo do consumo, sem que isso nos garanta felicidade duradoura.

Você deve estar pensado, mas eu preciso consumir? Certo. Mas consumir por que? e como faço isso sem ter dor na consciência? Uma maneira de reagir ao mercado é através do consumo consciente, assunto que iremos abordar em outro texto. Mas vá pensando sobre o assunto e até pesquise na internet sobre o tema para nossa próxima conversa.

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O que é o lixo?

Emidio-BatistaO lixo é tudo aquilo que você não quer mais e que não fará parte de sua vida daqui por diante, claro que não está incluído ai o ex-namorado, pois estamos falando de outros matérias do convívio doméstico.

O que comumente chamamos de Lixo, a Lei denomina de resíduos e é constituído de duas partes: recicláveis e rejeitos. O termo lixo, para lei da política nacional é o resíduos sólidos.

É bom saber qual é a definição técnica do todo, ou seja, dos resíduos sólidos:

“resíduos sólidos: material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível;”  

Os resíduos sólidos, depois de aplicada a melhor tecnologia, que começa dentro da suas casas, deve ser separado, ficando de ukm lado o reciclado e do outro o rejeito.

Segundo a Lei n.º 12.305/2010, rejeitos é o resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e economicamente viáveis, não apresentem outra possibilidade que não a disposição final ambientalmente adequada;

Agora que você aprendeu que o lixo não é uma coisa só. Que tal fazermos uma exercício de separar as duas partes, listando aqui o que pode ser reciclado e voltar para indústrias. Vamos lá?

  1. garrafas de vidro;
  2. copos descartáveis;
  3. eletrônicos queimados;
  4. sacolas plásticas;
  5. garrafas plásticas;
  6. caixas de papelão;
  7. móveis quebrados ou usados;

Faça sua lista ai em sua casa e adote o seguinte método. Num saco coloque o que você acha que pode ser reciclado e em um outro aquilo que não serve para mais nada, os rejeitos. Vai ser um bom exercício.

No próximo texto vamos falar da importância do consumo consciente. Vá pensando sobre o assunto para nos ajudar.

 

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Sou de centro-esquerda e daí?

Ditadores

De tanto ver e ler ataques a quem pensa diferente, resolvi me declarar publicamente: “Sou de Centro-esquerda”

Sou de esquerda, alias de centro esquerda, para ser mais exato, e tenho orgulho disso. Meus amigos que defendem teses de esquerda deveriam se orgulhar de querer o melhor para humanidade.

Não defendo ditadura de qualquer lado. Não defendo bandido e nem tenho bandido de estimação. Sou contra mentiras, machismo, homofobias. Me dói assistir desmatamento, maus-tratos animais, violação das terras e da cultura indígena e das populações tradicionais.

Sou a favor de uma sociedade forte e de um estado regulador, eficiente, transparente e justo. Não acredito no mercado como solucionador ou construtor de uma sociedade sustentável.

Sou de centro, sem estar em cima de um muro. Aprendi que o melhor caminho para avançar é o caminho que segue em frente, contornando os obstáculos, avançando sempre nas conquistas. Assim é na natureza. Uma árvore que encontra um rocha pela frente, não pára de crescer por causa disso, busca uma fresta e por lá desenvolve seu tronco na direção do sol e do vento ou estica suas raízes em busca de nutrientes.

Veja que na natureza um predador só caça e mata para se alimentar, nunca por maldade, por vingança, por ganância ou para acumular bens materiais.

Diferente das sociedades humanas, onde o rico entope seus armazéns de riqueza e seus cofres de dinheiro, sempre vivendo a custa do suor do outro, sem querer respeitar o limite, o tempo da natureza e o próximo.

Sou de esquerda por viver num país injusto, com uma brutal desigualdade social, com feminicido, racismo, intolerância religiosa e uma gigantesca concentração de rendas. Defendo as políticas sociais inclusivas. Defendo os mais pobres e desvalidos.

Estou dizendo tudo isso com o peito estufado de quem tem a consciência tranquila, até como cristão, que está trabalhando pelo projeto civilizatório que faça o homem viver em um mundo justo e sustentável.

Viva aqueles que entendem que quem não vive para servir, não serve para viver!

 

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Plenária de Mulheres promovida por Zé Carlos tratou de temas fundamentais

 

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Na plenária destinada às mulheres, que aconteceu no último dia (26), deste mês, os debates foram de extrema importância para elas, que lotaram o auditória do Hotel Ypê, localizado no bairro de São Brás. O candidato Jarbas Vasconcelos iniciou a plenária falando sobre a importância da cota de gênero na política, já que pela primeira vez na história, pelo menos 30% dos recursos partidários deverão ser investidos em candidatas do gênero feminino. Jarbas deixou claro acreditar que uma democracia ideal é uma democracia plural, onde todos participam, e que vê nas mulheres 81d1d861-9127-4fff-848f-9f6549e4dd81a possibilidade de ma condução mais justa da sociedade. Para ele, a igualdade entre homens e mulheres deverá fluir naturalmente no pensamento de todas as pessoas. O candidato ao senado também atentou para o fato de que no estado do Pará existem mais de um milhão de residências onde a mulher é achefe de família, sendo ela quem sustenta a casa, mesmo em um país onde a capacitação das mulheres não é tão intenso quanto dos homens. Por fim, Jarbas Vasconcelos criticou a visão machista que alguns brasileiros ainda possuem, e afirmou oferecer sua solidariedade em relação a luta pela igualdade.

Logo em seguida, Zé Carlos criticou a falta de apoio para a mulher no momento de denúncia contra violência. “Entre o que está escrito na constituição, e o que realmente acontece, existe uma distância muito grande”, afirmou. O candidato relembrou que o Partido Verde discute a igualdade entre os gêneros há mais de 30 anos. A secretária do PV Mulher, Cristina condenou a existência de violência contra a mulher em todos os níveis, lembrou que o estado tem a responsabilidade de ser garantidor de vidas, e pediu às mulheres presentes que fizessem perguntas e apresentassem suas necessidades.7524164d-aaf3-453e-b205-912dba6a59bf

Durante o momento de diálogo entre o candidato Zé Carlos e as mulheres presentes na plenária, foram levantadas diversas questões. Uma dasmulheres presentes contou sua história de vida, revelando que teve seu primeiro filho aos 15 anos e por isso não foi possível concluir o ensino médio, em seguida perguntou quais os planos do candidato para ajudar as mulheres que passam pela mesma situação. Zé Carlos respondeu que já existem iniciativas boas para ajudar nesses problemas, porém elas não são continuadas. Acrescentou que adequar a política pública a realidade é crucial, ou ela não irá funcionar.

Em outro momento, foi questionado em relação ao que o candidato poderia fazer pelas travestis que precisam se prostituir para sobreviver, encontrando-se em uma posição de extrema vulnerabilidade. Zé Carlos respondeu que irá investir em políticas de saúde e educação, garantindo que recursos sejam voltados para essas necessidades. Também lembrou que o PV Diversidades discute diversas políticas públicas para esse grupo social.

Uma das mulheres expôs uma situação que infelizmente é muito presente na realidade brasileira, o caso das mulheres que são donas de casa, e enfrentam humilhações dos maridos que trabalham fora e sustentam o lar. Zé Carlos disse que acreditava ser um absurdo o homem se sentir superior por ganhar dinheiro, já que as mulheres que trabalham como donas de casa também trabalham muito, e que essa é uma cultura que precisa ser quebrada. Afirmou ainda que “A mulher não é empregada do marido, e sim companheira nas conquistas dele”.

Zé Carlos terminou a plenária afirmando que aprendeu muito com as mulheres presentes no evento, garantiu políticas públicas voltadas para as mulheres, e convidou todas para ajudar na sua proposta de mandato colaborativo, já que para ele a participação da população na política é extremamente importante

Fotos: Moisés Rosa

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Pensar no futuro, sem esquecer o passado.

O incêndio do Museu Nacional traz a tona as mazelas do Brasil, colocando no colo da população, digo, dos eleitores, a responsabilidade de passar o país a limpo nas próximas eleições. As operações (mensalão e lava jato) de combate a corrupção na máquina pública, principalmente nas estatais e o incêndio do Museu Nacional, revelam que estamos nas mãos de quadrilhas e de corporações lobistas, que não tem compromisso com o passado, com o presente e comprometem o futuro de uma grande nação de despossuídos.

Reflita comigo:

O Museu que pegou fogo guardava o maior e mais antigo acervo da história e memória do povo brasileiro. Relíquias insubstituíveis, um verdadeiro tesouro nacional, mas foi tratado com negligência e total irresponsabilidade pelas pessoas que o país determinou e pagou para que fossem os responsáveis pela sua guarda. Entre a memória do povo e seus gordos salários, priorizaram os últimos.

Os bens públicos – incluindo museus-, as estatais, como a Petrobras, os Correios, a Eletrobrás, o tesouro nacional, as unidades de conservação de nossa riqueza biodiversa, as leis, a aplicação da justiça, são patrimônios do povo brasileiro e estão sob a responsabilidades de servidores públicos que escolhemos ou contratamos e pagamos religiosamente para deles tomarem conta, zelar, guardar, evoluir, em nossa nome.  Quantos destes nossos tesouros estão sendo destruídos? Quantos correm o risco de pegar fogo e virar cinzas no momento em que você lê este texto?

O nosso patrimônio está nas mãos de dois tipos de administradores: os corruptos e os incompetentes. Os dois grupos são sustentados por quadrilhas e corporações, que ser apoderaram da máquina pública nacional e a destroem em nome dos seus próprios interesses.  As quadrilhas usam o dinheiro da corrupção para eleger seus representantes. As corporações viram currais eleitoras de defensores dos seus interesses (lobbys) mesquinhos.

A instituição pública responsável pelo Museu Nacional é a Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, uma instituição de ensino superior que tem autonomia administrativa e financeira, mas, junto com o Governo Federal, foi incompetente sob todos os ângulos que se possa analisar.  A direção do Museu alega que não recebi recursos suficiente para fazer face as despesas de manutenção do prédio e do acervo. Os primeiros números parecem dar razão aos dirigentes do Museu. Mas porque eles não pediram demissão dos cargos e denunciaram o descaso da administração da UFRJ?

A UFRJ, que deveria prover o Museu de recursos, recebeu receitas sempre crescentes do Governo Federal, mas gastou quase tudo em pessoal, sobrando muito pouco para os investimentos que o Museu precisava, quadro que se repete nas demais instância do poder público, nem para contratar uma brigada de incêndio tinha recursos. O UFRJ pediu mais recursos ao Ministério da Educação (MEC)? Não obteve por quê? O custo administrativo da UFRJ é compatível com suas necessidades? Pagar pessoal é a única forma de manter uma Universidade? A folha de pagamento e os gastos administrativos não podem ser revistos?

O MEC que fica com 25% de tudo que se arrecada no país para aplicar em educação se negou a repassar mais recursos para que a UFRJ aplicasse no Museu Nacional e tenho certeza que a prioridade do MEC não foi aplicar em outros setores importantes. A UFRJ pediu investimentos ao BNDES e não obteve. Por que o BNDES não priorizou investir no Museu Nacional e preferiu investir na FRIBOI?  Os administradores do MEC, do Ministério da Cultural e do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional – IPHAN, mesmo alertados sobre o perigo que corria o nosso acervo histórico, nada fizeram, não cortaram suas despesas administrativas e seguiram com a irresponsável forma de cuidar do Brasil.

As empresas estatais brasileiras gastam absurdos com a corrupção e publicidade, por que não investem em Museu e Unidades de Conservação, por exemplo? As empresas privadas, mesmo podendo usar a Lei Rounet para se beneficiar de investimentos em cultura não se interessam por financiar museus estatais, será que é por causa da lei do retorno em voga neste setor da cultura nacional?

O Governo Federal mantém uma máquina mastodôntica, que custa muito caro ao povo brasileiro, responsável por pagar uma das mais pesadas e injustas cargas tributárias do mundo, mas os recursos arrecadados são gastos quase todo em pessoal e custeio, como no caso da UFRJ, sem sobrar receitas para investimentos em educação, saúde, emprego, renda, unidades de conservações, museus.

O Museu Nacional pegou fogo. Nem um dos administradores responsáveis pela tragédia pediu ou foi demitido, provando que eles se auto-protegem, mesmo diante de tamanha evidência de suas incompetências. Não vou falar da empresa de água que deixou os hidrantes sem o liquido necessário para que os Bombeiros do Rio de Janeiro, que também não os revisaram, fizessem o trabalho de conter as chamas, chega! Não quero esticar mais essa conversa, embora assunto trágico tenha de sobra.

Como mudar tudo isso?

Na democracia, só tem uma única formula, o julgamento de todos os corruptos e incompetentes, através do voto popular. Derrotá-los, quadrilhas de corruptos e aliados das corporações, é a missão do eleitor nas urnas neste ano.

Ah! mais isto é muito difícil, claro que não! Basta que o eleitor aplique o principio básico pelo qual a democracia avança, a alternância de poder, renovando tudo. Mandando de volta para suas casas os atuais políticos. Quem tem mandato atualmente, com raríssimas excessões, estava em um dos lados deste jogo, por tanto, deve perdê-lo para o bem do Brasil.

Alerto que o Bolsonaro não é a solução. A privatização de tudo também não nos ajuda. O Estado, até que a sociedade evolua e se autogoverne, ainda é um mal necessário, isto nos impõe elegermos os melhores administradores, fiscais e legisladores que possamos encontrar.

Finalizando esta longa reflexão, aconselho aos eleitores que me acompanham, muita atenção e responsabilidade com o voto. Pensem no futuro, sem esquecer o passado.

a) José Carlos Lima

Advogado e ambientalista.

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Direito de morar bem? SIM! Eu quero!

Visitando duas áreas da periferia de Belém, uma na Pratinha e outra em Icoaraci. Nas duas se repetem o mesmo cenário: as casas apertadas, quase sempre em construção; as ruas sem pavimentação e nem arborização; esgotos a céu aberto; transporte público precário, carências de áreas de lazer e espaço adequado para juventude.

Invariavelmente, as casas são construídas em área de ocupação, sem planejamento urbano e os terrenos não tem titulação. Assim vivem a maioria da população paraense e muitas delas, principalmente na periferia de Belém, são vítimas da especulação urbana que vai ocupando as áreas urbanizadas e expulsando os pobres para bem mais longe. As pessoas pobres passam anos vivendo na lama, sem a presença do poder público, quando a urbanização chega, as empresas compram as terras sem documentação por preços aviltados.

Esse quadro terrível foi previsto pelos vereadores populares, eleitos em 1988, nós lutamos por uma Lei Orgânica do Município de Belém – LOMB inclusiva, para que isso não fosse possível. Mas foi. A força dos especuladores e de sua teia de amigos, conseguiu não cumprir a LOMB., piorando em muito a vida em cidades como Belém. Tudo que tem de serviços urbanos em Nazaré, Batista Campos e Umarizal, por exemplo, falta na Região da Augusto Montenegro, Icoaraci e Outeiro. Até em locais mais perto, como a Terra Firme, Guamá, Cremação e Jurunas, verifica-se o quadro de exclusão de grande parte da população.

Mais de 50% dos terrenos dos moradores da Região Metropolitana de Belém, são posses precárias, sem titulação, uma parte porque oriunda de ocupações urbanas, outra porque classificadas como terras de marinhas, sob o controle do patrimônio da União, o que dificulta financiamento para construção com juros subsidiados, mas facilita em muito a expulsão dos moradores pela especulação imobiliária.

Legalização fundiária, saneamento, transporte de qualidade, arborização, creche, postos de saúde, coleta regular e seletiva de resíduos sólidos, seria o mínimo esperado.  Porém, a ausência de área de lazer e de programa cultural para juventude me parece de máxima urgência.

Sempre que vou a estes bairros, pergunto: o que tem para um jovem fazer por aqui? Nada. Ficar em casa na internet, quando tem, ou se juntar nas esquinas correndo o risco de toda sorte. Nada. Não tem praças. Não tem quadras. Não tem programa cultural. Nem lazer. Nada. Nada que eleve a qualidade de vida. Nada que incentive o futuro. Nada. O vazio, infelizmente, é preenchido por violência, insegurança, drogas.

O quadro encontrado em Belém, começa a ser replicado em muitas cidades paraenses. Bragança, Capanema, Castanhal, Marabá, Parauapebas, Altamira, Santarém, por exemplo, caminham na mesma direção, embora ainda seja tempo de implantar um planejamento urbano com menor custo. Estas medidas, são essenciais para baixar os índices de violência urbana. A segurança público se resolve por medidas com as que passa o propor daqui por diante.

Um deputado federal pode ajudar?

Uma área de lazer e de juventude para cada 500 famílias. Pode ser exagero, mas é para começar o debate. A área seria irradiadora de um processo de reconquista da dignidade humana. Se tivéssemos as escolas de tempo integral, talvez pudesse funcionar na comunidade como uma esta área de integração. Legalização fundiária obrigatório. Criação de um programa federal para financiar a legalização de todos os terrenos urbanos, principalmente das regiões metropolitanas. Obrigatoriedade para implantação da Política Nacional de Saneamento Básico e Resíduos Sólidos. Reconfiguração do  Programa Minha Casa, Minha Vida, evitando que os municípios escolham lugares afastados, de difícil acesso para implantar conjuntos habitacionais de favelados. Política Nacional de Sistemas de Transporte Público Urbano.

 

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