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Municípios ou candidaturas sustentáveis

O Governador Simão Jatene criou uma nova Secretaria, que terá como titular sua filha Izabela Jatene. Chama-se Secretaria Extraordinária de Estado de “Municípios Sustentáveis”.

Diante da realidade dos 144 municípios paraenses, o nome “Municípios Sustentáveis”, parece mais um desejo do que uma realidade. Sabemos que 52 municípios tem repassa de FPM – Fundo de Participação dos Municípios, menor que o repasse do Programa Federal “Bolsa Família”.

O conceito de município, todos sabemos, trata-se da divisão político-jurídica do Estado Federado, cuja as atribuições estão delimitadas pela nossa Constituição.

O conceito de sustentabilidade, porém, é um conceito em construção. Alguns contornos já alcançaram o status de consensuais.

Vamos a eles.

A sustentabilidade, utiliza-se da imagem de um tripé, constituído de uma perna econômica, outra perna social e a terceira perna ambiental.

A perna econômica, dividi-se em pública e a privada.

Na pública, o município tem que ser eficiente. As receitas e as despesas devem está equilibrada e todos os serviços essenciais garantidos.
No aspecto privado, é os setores econômicos do município devem ser capazes de gerar empregos produtivos. Pondo fim ao ciclo de empregos informais, que geram miséria, que acaba sendo a responsáveis por muito mais empregos informais.

No aspecto social, o município deve ofertar políticas públicas  nas áreas de saúde, educação, assistência social e cultural, priorizando as necessidades básicas dos menos favorecidos.

A terceira perna, não em ordem de importância, mas sempre visando o equilíbrio, é a perna ambiental.

O meio ambiente municipal equilibrado, natural e urbano, deve, pelo menos, atender os aspectos de saneamento básico, coleta e tratamento adequado de resíduos sólidos, poluição atmosférica, tratamento de esgotos, fornecimento de água potável. Uma cidade harmonizada ambientalmente deve cuidar do seu patrimônio histórico, cultural e paisagístico.

Vê-se, por uma simples leitura do título da nova Secretaria, que a Dra. Izabela Jatene, terá muito trabalho pela frente e precisará formar uma competente equipe multidisciplinar, obviamente.
Antes de partir para políticas públicas de sustentabilidade, a nova Secretaria precisa construir um rol de índices. Medindo, na linha de largada, o tripé da sustentabilidade nos 144 municípios paraenses.

Após a aferição dos dados, decidirá as metas para os próximos 10 anos, pelo menos. O certo é falar em 30 anos, conforme o projeto de desenvolvimento econômico. Nos primeiros anos, a meta é zerar os déficits. O ideal é que os municípios paraenses alcancem o status de municípios realmente sustentáveis.

O que é um município sustentável?

Segundo o BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, um município será sustentável quando:

1. Oferecer uma boa qualidade de vida aos seus cidadãos;

2. Minimizar seus impactos sobre o meio ambiente;

3. Preservar seus ativos ambientais e físicos;

4. Promover sua competitividade;

5. Contar com um governo local com capacidade fiscal e administrativa; e

6. Os cidadãos participarem ativamente.

Para chegar aos indicadores seguros, de onde partirá as ações de mudanças, a nova Secretaria precisará saber de cada município como está a dívida, a gestão de gastos, os impostos e a autonomia financeira, a transparência, se a gestão pública é moderna, se a gestão pública é participativa, como está a saúde, a segurança, a educação, a conectividade, o emprego, a competitividade econômica, mobilidade e transporte, desigualdade urbana, o uso do solo e o ordenamento territorial, a vulnerabilidade a desastres naturais, ruído, mitigação da mudança climática, qualidade do ar, energia, gestão dos resíduos sólidos, esgotamento sanitário e drenagem e água.

Fazendo assim e levando a serio a missão expressa no nome, o governo ajudará o povo do Pará e eliminará as especulações de que a Secretaria foi criada com objetivo de alavancar a campanha de Izabela Jatene ao cargo de deputada federal.

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Felizes como pinto no lixo

Outro dia, um jovem da minha relação, muito antenado, disse-me que o ditado popular “mais feliz que pinto no lixo” não fazia qualquer sentido. Achava a frase estranha.

Impactado com a revelação, fiquei mudo e achando que o jovem estava com preguiça de pensar. O ditado era óbvio. Não tinha o que explicar.

Depois de um tempo, quando o meu primeiro impacto havia passado, percebi que o jovem estava certo. Realmente, não faz mais sentido hoje em dia um fato corriqueiro da minha infância, que era ver uma ninhada de pinto, como sua mãe, ciscando no monturo de detritos.

Muita coisa simples do dia a dia parecem não fazer mais sentido.

Como uma história puxa a outra, lembrei-me que em Bragança, tem uma procissão fluvial em homenagem a São Benedito. A procissão com muitas embarcações, sai do cais da cidade em direção a comunidade de “Vila Que Era”, local de referência da fundação original da cidade. Ali recebe a imagem e volta para cidade, onde uma multidão espera para saudar o “Santo Preto”, que é como os populares chamam o “Frei Capuchino”.

Acontece que a procissão só pode ocorrer no horário que coincida com a maré cheia. E como saber o horário em que ocorrerá a maré no ano seguinte a fim de mobilizar a população cristã?

Nesta comunidade da ‘Vila Que Era”, tem um prático, um velho habitante, muito habilidoso com as coisas da natureza, que prevê a maré de um ano para outro, informado a Igreja em que horário, no ano seguinte, os fiéis devem está a posto no cais da cidade.

Estes velhos sábios, que eram sempre consultados em suas aldeias e vilas, estão errando suas previsões por causa das mudanças climáticas. Foi o que comprovou recente pesquisa:

“Os xamãs passaram a se queixar que suas previsões estavam perdendo a exatidão e, a partir dessas indagações, descobrimos que alguns fenômenos provocados pelas mudanças climáticas afetavam seus cálculos”, explicou à Agência Efe o astrônomo Germano Afonso, coordenador do estudo.

Voltando ao ditado, percebi que aquilo que parece simples para mim que fui criado em casa com quintal, para aquele jovem realmente não fazia qualquer sentido. Os jovens de hoje, são criados em cidades, morando em apartamentos, cercados de concretos. Muitos deles conhecem galinha por nuggets do McDonald’s ou por peitos brancos que vem no saco do supermercado.

O lixo de hoje não é mais igual ao lixo do meu tempo. Naquela época, todo o lixo era orgânico. O café da manhã era coado em um saco de pano. O pão era embrulhado em saco de papel. O leite era vendido em garrafas. A carne vinha embrulhada em uma folha de guarumã. Tudo virava um monturo no quintal da casa. Queimava-se o lixo seco e o restante entrava em decomposição.

As galinhas, com seus pintinhos, quando percebiam que no lixo havia se formado as gostosas minhocas e outras guloseimas, corriam para o monturo, ciscavam, cantavam chamando os pintinhos, que, na maior felicidade começavam a saborear os deliciosos petiscos.

Hoje, o lixo é composto de plásticos, embalagens, material sintético, metal pesado e em grande quantidade. Cada morador produz até 1,2 kilos de lixos. As pessoas não dispões de espaços para guardar tanto lixo. As casas e apartamentos não tem mais quintais, e não se criam mais galinhas.

Os aterros e lixões viraram problemas nas regiões metropolitanas pelo mundo a fora. É o que está vivenciando a população de Belém, Ananindeua e  Marituba, com uma montanha de lixo e mais de oito milhões de litros de chorume. No Sri Lanka, pelo menos 15 pessoas, incluindo quatro crianças, morreram quando uma montanha de lixo deslizou, soterrando vários barracos em um bairro da capital Colombo. Um primeiro balanço de vítimas relatava 10 mortos.

Não é possível voltar a roda do tempo. O que já fizemos de estrago no Planeta precisa ser reparado, mas é urgente que mudemos nossos forma de viver, precisamos criar hábitos sustentáveis, para voltarmos a sermos felizes que nem pinto no lixo.

 

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Uma aula sobre os americanos

 Nick, é como minha esposa chama a sobrinha americana, um doce de pessoa, que nos brindou com sua adorável companhia durante a Semana Santa, em Bragança. Com ela aprendi muito sobre os EUA. Nick é lúcida, crítica e comprometida com o futuro mehor. 

Lá o capitalismo é muito selvagem, nos disse ela, ao defender o Obama Care como algo necessário para quem ganha menos do que US$ 100 mil por ano, das mudanças que o Presidente Trump quer fazer. A saúde é privada e as empresas não são fiscalizadas. Os republicanos  não permitem.

Apoiei Bern Sanders, era o melhor.  Hillary quer ser a rainha, deseja empunhar o título de primeira mulher a presidir os Estados Unidos. Se fosse outro o candidato dos democratas, ganharia, mas a família de Hillary é uma das maiores doadoras de campanha do Partido Democrata. Trump era apoiado pela KKK e Neo-nazistas. 

Os americanos enfrentam um crise econômica braba desde 2008. A vida por lá está dificil e a sociedade ainda convive com problemas como as armas liberadas, a xenofobia latente e a discriminação brutal. Os EUA foram o pai da globalização e a seu povo está sofrendo as consequências. 

O país nas mãos de Donald Trump marcha para incerteza ainda maior. A possibilidade de os EUA continuarem se envolvendo em conflitos mundiais é uma das poucas certezas a tirar o sono dos jovens, muitos dos quais se entristecem ao saber que o Presidente retirou todo o apoio do País aos compromissos ambientais planetários. 

A nostalgia está presente na atual sociedade de lá. Existe um forte desejo de voltar ao “sonho americano” do pós-guerra e início da guerra fria, quando os EUA era a modernidadade de uma vitrine da boa vida diante do mundo atrasado e vermelho.
Após ouvir as mais vivas lições americanas de minha vida, deu-me um sentimento de angústia ao perceber que o Brasil, um país tão bom e tão alegre, caminha para adotar como moderno, os erros que estão fazendo a tristeza do povo de lá. 

Sem freios, com as instituições políticas em frangalhos, a globalização fará muito mais estragos nesta nossa jovem nação, com graves consequências para o futuro de tantas pessoas.

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Política é diferente de corrupção 

  

Ouço muitas pessoas indignadas com a classe política brasileira depois das revelações feitas pela operação Lava Jato e pelos delatores da Odebrecht. Não é pra menos. Estimasse que só o departamento de propina desta empresa desviou de obras públicas perto de US$ 4 bilhões. 
Vejo com tristeza que as pessoas estão dizendo que política é um lugar de gente suja, de bandidos, de mentirosos, de corruptos e por isso querem manter-se distante dela. Esta é a pior decisão que se pode tomar.
O que os senadores, presidentes, governadores, deputados, prefeitos, acusados de receber propina fizeram não é política. É corrupção, roubo, desvio, falcatrua, suborno. 
Atos ilícitos em proveito próprio ou de seus apaniguados. O dinheiro serviu para aprovar leis contra o povo. Para eleger outros corruptos. Para comprar mordomias que vai de vinhos caros, quadros e joias da H Stern. 
Para fazer fortunas e manter vida de rei para poucos. 
Política, na definição clássica, é arte de governar, de encontrar soluções ideias para os problemas comuns. A política trata daquilo que é público, deixando de lado o interesse privado. 
A melhor atitude, porém a mais difícil, que o cidadão comprometido com o seu país e com os destinos da pátria deve ter é ir para a política, filiar-se a uma partido sério, candidatar-se aos cargos públicos, para, através dela, exigir que os corruptos sejam punidos e o Brasil volte a privilegiar o cidadão, resolvendo os entraves do crescimento, da geração de emprego, do desenvolvimento com sustentabilidade e da seguridade social. 
Se não for assim, sabe o que acontecerá? 
Os corruptos se unirão, derrotarão as investigações, atrasarão os julgamentos até que suas penas prescrevam e elegerão seus filhos, parentes ou aliados. Assediando com dinheiro sujo os eleitores menos esclarecidos, para continuar a saga de sugar o suor do nosso povo. 
A escolha é sua.  

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Isto não é política. O que eles fizeram tem nome e número no Código Penal

A população fica decepecionada com razão, mas o que estes homens fizeram foi ladroagem  e não política.

A troco de propina, os corruptos que estavam e a muitos ainda  permanecem no poder, entregaram o país para bandidagem ajudá-los a roubar. Nada de perdão. Todos, de todos os partidos que se melaram neste lamaçal, devem ir direto para cadeia pagar suas penas e deixar a política seguir seu rumo.

Política que a forma de resolução pacífica dos conflitos de interesses em função do bem comum, precisa de homens e mulheres que coloquem o interesse coletivo acima dos seus próprios interesses e vaidades. 

Deixemos eles, os ladrões travestivos de líderes, responderem por seus crimes e vamos nós, as pessoas de bem limpar e reestruturar nossas instituições. 

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Lava Jato

Corrupto não é pecador

Lava Jato

“Não devemos confundir pecado com corrupção. O pecado, especialmente quando é reiterativo, conduz à corrupção, mas não quantitativamente (tantos pecados provocam um corrupto), e sim qualitativamente, por criação de hábitos que vão deteriorando e limitando a capacidade de amar…” Papa Francisco.

O que disseram os políticos da Lista do Janot:

Eunício Oliveira:

“a Justiça brasileira tem maturidade e firmeza para apurar e distinguir mentiras e versões alternativas da verdade”.

Rodrigo Maia:

“o processo vai comprovar que são falsas as citações dos delatores, e os inquéritos serão arquivados. Eu confio na Justiça e vou continuar confiando sempre. O Ministério Público e a Justiça vão fazer o seu trabalho de forma competente, cabe ao Congresso cumprir seu papel institucional de legislar”.

Renam Calheiros:

“A abertura dos inquéritos permitirá que eu conheça o teor das supostas acusações para, enfim, exercer meu direito de defesa sem que seja apenas baseado em vazamentos seletivos de delações. Um homem público sabe que pode ser investigado. Mas isso não pode significar uma condenação prévia ou um atestado de que alguma irregularidade foi cometida. Acredito que esses inquéritos serão arquivados por falta de provas, como aconteceu com o primeiro deles”

Romero Jucá:

“Nas minhas campanhas eleitorais sempre atuei dentro da legislação e tive todas as minhas contas aprovadas”

Eliseu Padilha

“Sobre esse assunto só falo nos autos do processo. Processo a gente fala nos autos do processo”.

“Depois, fomos nos acostumando mais à palavra… e aos fatos, como se fizessem parte da vida cotidiana. Sabemos que todos somos pecadores, mas a novidade que se incorporou ao imaginário coletivo é que era como se corrupção fizesse parte da vida normal de uma sociedade, uma dimensão denunciada, mas aceitável no convívio cidadão. Não quero pormenorizar em exemplos: os jornais estão cheios disso.”

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Quem é o meu Jesus?

Os arqueologos buscaram comprovar a existência de Jesus e os registros de sua pasagen aqui pela Terra. Obtiveram sucesso. Jesus, realmente existiu. Mas a ciência desqualifica sua qualidade divina, seus milagres, sua manifestações. Isto pouco importa para mim.
O Jesus que eu busco é um paradigma para minha existência humana. O modelo a ser seguido. O meu Jesus é aquele que amou os homens até a morte. O Jesus do amor ao próximo. 
Amai o próximo como a ti mesmo. Esta é a lei. A lei que demonstra bem que é Jesus que devemos buscar.

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O futuro está comprometido 

Até a década de 1960, pelo menos aqui no Brasil, mas precisamente em Belém e no Bairro do Guamá, as pessoas não mexiam com aquilo que não conheciam. Seja uma árvore ou uma assombração. Havia um respeito quase religioso pelo desconhecido.
De uns tempo para cá, o ser humano subiu na sua Torre de Babel e de lá passou a dizer que podia dominar tudo. Transformar tudo em produtos para consumir, vender e gerar pobreza, miséria e desigualdade, colocando em risco até a própria existência humana na Terra. 
Passamos dos limites. De todos os limites. Entramos nas células, na nanotecnologia. Mexemos com todos os seres. Passamos a produzir animais em laboratório. Já podemos ressuscitar os dinossauros a partir de uma amostra de DNA colhida em um fóssil. 
Onde queremos chegar?
O poder da nossa ciência, financiada pela indústria, acha que dominou a vida e por isso, pode dispor da vida e do desconhecido apenas por hipótese. 
Vamos nos destruir. A natureza já está esgotada. Os recursos naturais exauridos. A quantidade de resíduos é enorme. Os gases de efeito estufa sobem das nossas fabricas, carros e lixões. Por levar vantagens individuais, não pensamos em parar e para prosseguir com o mesmo estilo de vida duvidamos da ciência e ignoramos os alertas.
Os partidos verdes do mundo, reunidos em Liverpool, aprovaram uma declaração com pontos que são essenciais no sentido de dar novo rumo ao desenvolvimento e ao futuro da humanidade. Recebi. Li. Aderi. Mas agora, encontro o ceticismo até dentro do nosso próprio partido quanto a viabilidade das propostas. 
Tudo indica que vamos continuar mexendo em tudo que não dominamos até o dia do fim. Como disse o Professor Luis Marques, da Unicamp, autor do Livro Capitalismo e a Crise Ambiental, “daqui por diante o futuro será sempre pior que o presente”.

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Fonte G1

CARTA AOS MEUS IRMÃOS CATÓLICOS  SOBRE O LIXO EM MARITUBA

Defender o BIOMA REVIS de Marituba das muitas toneladas de Lixo, eis o dever de agir na Campanha da Fraternidade 2017.

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Carta da Campanha da Fraternidade 2017

O lixão de Marituba, que acumula irregularmente muitas toneladas de lixo é uma grave ameaça ao bioma REVIS – Refúgio de Vida Silvestre, a segunda maior floresta urbana do Brasil, feita como uma unidade de conservação de proteção integral, para resguardar espécies ameaçadas, borboletas, pássaros, repteis, mamíferos, pequenos insetos, etc.

O bioma REVIS, que é uma reserva de vida silvestre, bem aqui na Região Metropolitana de Belém, está ameaçado pelas muitas toneladas de resíduos que estão sendo armazenados de forma incorreta no Aterro Sanitário de Marituba, pelos erros de operação da empresa REVITA, por estar dentro de um bioma importante e pela conivência das autoridades públicas.

A empresa promete adotar medida para diminuir o cheiro. O BIOMA está ameaçado, porque não é visto como bioma e nem estudado com tal, por isso vai ser destruído.

Conhecer, julgar e agir. Estes são os três passos que devem percorrer os cristãos durante a Campanha da Fraternidade de 2017, que este ano tem com tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”  e como lema “Cultivar e guardar a Criação”.

Vamos dar o primeiro passo, o passo do conhecer.

Os católicos que vivem na Amazônia, são levados a pensar no bioma como algo grandioso, que abrange oito países e tem árvores gigantes, um Rio fenomenal, o maior do mundo em volume d’água e a maior biodiversidade entre os biomas do Planeta.

O Bioma é grandioso sim, mas porque é composto de muitos pequenos biomas internos.

Assim como a Grande Igreja de Deus é composta por paróquias, comunidades e fieis, o bioma amazônico é um piso composto de azulejos moldados pela geologia e pelo tempo. São os mais diversos biomas internos que unidos fazem da Amazônia a maior floresta tropical da Terra e a também a mais importante para o equilíbrio ecológico.

Tem florestas, tem savanas, tem cerrado, tem mangue. Tem rio grande, tem afluentes, tem igarapés. Cada um cumprindo uma função essencial e unidos pelo mesmo clima e mesmo espaço geográfico.

A destruição destes pequenos pedaços, os biomas menores, significará a destruição de todo o piso que cobre o manto da Terra e a ele empresta vida e a possibilidade da existência humana na Terra.

No segundo passo, vamos exercitar o julgar.

O julgar, depois de conhecer estes pequenos biomas internos, nos coloca diante da descoberta que somos nós, com atos e omissões que estamos assistindo passivamente a destruição de pedaços importantes da Amazônia, que ficam às nossas vistas de braços cruzados.

Nossas cidades vão crescendo e destruindo florestas urbanas, igarapés, nascentes. Nossas atividades produzem muitas toneladas de resíduos e emissões de gases de efeito estufa.

No terceiro passo, chegou a hora de agir.

Para agir, o católico deve pensar no Bioma maior, mas defender aquele pedaço que está bem perto de sua comunidade e de sua paróquia.

Pensar globalmente, mas agir localmente é o dever de todos os católicos das comunidades e paróquias da Região Metropolitana em defesa deste bioma urbano, sendo solidários a comunidade de Marituba que está sofrendo com os odores terríveis, a proliferação de doenças e a destruição dos recursos naturais.

Um outro agir pode ser a atitude de separar o lixo dentro de cada casa católica. Depois do lixo separado, a Prefeitura tem obrigação de fazer a coleta seletiva. Quanto menos lixo for para Marituba, menor será a ameaça ao bioma REVIS, aos recursos naturais e da vida que ali deve ser protegida.

Ass. José Carlos Lima da Costa – um cristão

 

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Uber - Taxi

O UBER não é cabano e nem é de Deus

 

Uber-warAté quando levar vantagem pessoal em prejuízo da coletividade é ético?

Me fiz esta pergunta após ouvir a história de um taxista de Brasilia, que se tornou meu amigo, de tanto que usava seu taxi. Usava, pois com a chegada do Uber e a corrida ficando 40% mais em conta, resolvi optar pelo aplicativo, afinal era muito mais barato.

Hoje, tendo que fazer um favor para um amigo e levar umas caixas de Brasília para Belém, recorri ao meu velho amigo taxista de todas as horas. Pedi a ele que subisse até a sala onde trabalho para me ajudar com as caixas, coisa que o motorista do Uber não faz. Ele, sem ressentimento algum pelo meu abandono, prontamente me atendeu.

Seguimos para o aeroporto e no caminho, meu amigo perguntou-me se eu não conheci alguém de empresa de vigilância ou segurança. Indaguei dele o porquê. O taxista me disse que precisava completar sua renda e que no taxi não estava mais rendendo o suficiente para pagar nem as despesas da família.

Quis então saber o motivo.

Ele, todo tristonho, me descreveu a situação terrível que ele e seus colegas vem enfrentado para se manter e manter o serviço de taxi. Disse que agora passa horas no ponto – ele faz ponto em um hotel do setor hoteleiro sul – para pegar uma corrida, enquanto isso, os hóspedes, seus passageiros de antes, embarcam em carros que são acionados pelo aplicativo Uber, de instantes em instantes.

Por que você não vai para o Uber? – perguntei.

Ele me disse que os colegas que foram estão arrependidos, pois o que ganham mal dá para as despesas e não sobra nada para a manutenção do carro, teve colega que rodou quinze dias sem estepe porque não tinha dinheiro para comprar um pneu. Só uma troca de óleo custa cento e cincoenta reais, me relatou o taxista.

Íamos chegando ao aeroporto, quando ele completou, “no domingo, encostei aqui e a fiscalização me parou para examinar meus pneus, cinto de segurança, estepe, documentos meus e do carro. Os do Uber eles não fiscalizam.”

Desci, me despedi do taxista, fui ao balcão, despachei minha bagagem, segui para o embarque rumo ao portão vinte um. Tranquilo, peguei as esteiras rolantes, de repente firmei a vista e fui vendo as propagandas do Uber nos monitores eletrônicos e toda a conversa que tive com meu amigo taxista voltou a me incomodar.

Esqueci de mencionar que, antes do Uber, o taxista era um rapaz alegre e cheio de planos, até trocou o carro antigo por um novinho em folha, seu orgulho do momento. Falava do carro novo como se tivesse dizendo: “Olha como estou prosperando!”.

Lembrei-me que meu pai foi taxista no passado, criou todos os filhos nesta profissão e isto me incomodou mais ainda. Muito mais quando li nas redes sociais que o Uber, na minha ausência, havia desembarcado em Belém.

Não é justo.

Estes pobres motoristas não tem como competir com o Uber. Eles vão perder neste jogo desleal. E os motoristas que trabalham para Uber também não estão ganhando com isso. Só quem ganha é o aplicativo.

Conclui que de fato ele tinha razão.

O país também perde, o aplicativo é um grande negócio globalizado e todo lucro obtido nas cidades brasileiras alimenta a economia e os investidores sei lá de onde.

Temos que fazer algo contra isso.

Mas daí me veio um sentimento angustiante de que muito pouco pode ser feito.

O Uber joga com a vantagem individual e oferece ganhos para as pessoas que usam o aplicativo. Tem a comodidade de chamar um carro pelo celular. Poder pagar com o cartão de crédito. O preço do serviço chega a ser até 40% menor que o taxi normal.

O Uber consegue estas vantagens por que contribui muito pouco com a coletividade e tem pouquíssimas responsabilidade social. Paga pouco ao motorista que adere como usuário dos serviços. Não se submete a legislação e ao regime de concessões. Não tem impostos e taxas municipais de IPVA, selagem, licenciamento. Tem custo operacional muito baixo em face do uso de tecnologia de dados e informações ponta a ponta.

As pessoas que aderem ao aplicativo e deixam de utilizar o concessionário público de táxi, se livram das despesas com o sistema público e por ser mais vantajoso, não aceitarão pensar no prejuízo que o Uber está causando ao seu país e aos seus nacionais.

Parei, em frente portão vinte e um, confirmei meu voo, vi que ainda dispunha de meia hora antes da chamada para o embarque, agasalhei minha mochila, sentei-me e pus a imaginar que a forma de negócio globalizado do Uber já está por todos os cantos.

No agronegócios. No comércio de produtos baratos vindo da Ásia, principalmente da China. Nas commodites, eletrônicos, carros e alimentos. Pouco mais de 24 empresas produzem todo o alimento processado que é consumido no Planeta.

A floresta que está sendo derrubada para plantar soja ou criar gado é uma exigência dos investidores da bolsa de Hong Kong e um negócio onde o interesse individual do empresário local, que faz o trabalho sujo de devastar os recursos naturais, casa com o da multinacional de alimentos que pressionam para receber a matéria prima e transformá-la em alimento processado, com uso intensivo de agrotóxicos, a um preço bem abaixo do orgânico produzido pela agricultura familiar com todos os cuidados ambientais imposto pelas leis e pelo estado.

O desejo coletivo de manter a cobertura vegetal e os milhares de seres que dela dependem não resiste frente a pressão do mercado.

O interesse individual e o egocentrismo que está destruindo a vida é alimentado pelo mercado livre de controle, uma vez que as empresas globalizadas são mais fortes que os estados nacionais.

O taxista vai perder. Será o mais novo segurança da cadeia de supermercados que vendem os produtos processados produzidos a custa de externalidades insuportáveis. O agricultor da agricultura familiar não resistirá, abandonará sua terra, suas árvores, suas nascentes preservadas, suas abelhas polinizadoras e migrará para cidade, para trabalhar como classificador dos produtos agrícolas produzidos em monocultivos, carregados de venenos e transgenia, antes que vá para as gôndolas encher os olhos do consumidor, papel que nos sobrou ao deixarmos de sermos humanos, coletivos e fraternos.

Lá longe, uma ínfima minoria recebe os dividendos gerados pelo sistema globalizado. Só oito por cento de pessoas detém oitenta por cento de toda riqueza produzida no Mundo.

Meu desânimo deu lugar a uma grande esperança, quando desci no Aeroporto Internacional Val-de-cans Júlio César Ribeiro e na saída encontrei aquelas famílias fazendo festa para receber parentes e conhecidos, um costume que resiste em poucos lugares.

Este nosso jeito carinhoso, chameguento, cabano, paraense papaxibé, com tucupi, jambú tacacá, farinha de Bragança nunca será globalizado e é ele que fará a diferença que precisamos para nos salvar coletivamente e nos ensinar a usar o tal Uber e outros aplicativos sem perder a humanidade e a fé em Nossa Senhora de Nazaré

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