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O Mecanismo

As narrativas, a pós-verdade e a verdadeira verdade

O MecanismoAlguns políticos narram suas versões para as histórias em que são protagonistas  com emoção e menos fatos, querendo fazer crer a sua versão sobre o acontecido, baseado em criatividade e em uma mistura de verdades como meias verdades e até imaginações inverossímeis.

Chamam isso, usando um neologism,o de a pós-verdade:  “algo que aparente ser verdade é mais importante que a própria verdade”. Entendeu? Nem eu.

Antigamente, dizia-se: não foi bem assim, meu caro. Também já houve quem dissesse que sobre um mesmo fato pode haver três versões possíveis: a minha; a tua; e a verdadeira. A minha e a tua são, quase sempre, boas narrativas ou pós-verdades. A real é aquela que de fato aconteceu e só com o tempo se revelará sem as tintas das emoções. Uma mentira repetida mil vezes ganha a força da verdade, dizia o propagandista do nazismo.

O processo da Lava Jato é todo baseado em provas, delações e sentenças judiciais. Ali está a verdade processual. Aquela que é possível ser alcançado por meio do processo. Na série da Netflix, denominada “O Mecanismo”, temos uma narrativa baseada em fatos reais, mas recheada pela criatividade do redator, pessoa que não passa de um grande contador de histórias, que completa os fatos reais com sua boa imaginação.

É como contar a história da Arca de Noé sem ter nunca entrada na arca e nem ter vivido o dilúvio. O tamanho da Arca, os dias de chuvas, as espécies que foram resgatadas por Noé, tudo isso está descrito na Bíblia, mas para contar essa história, o narrador terá que preencher as lacunas com sua imaginação.

A Justiça brasileira aprecia fatos e condena políticos. Os políticos envolvidos narram suas pós-verdades. Não é lindo?

É como se estivéssemos em um set de filme. A história de ficção vai sendo construída, mas os funcionários do estúdio vivem um cotidiano que é real, no qual comem, bebem e fazem suas necessidade fisiológicas ali, durante as tarefas de levar cabos, baixar gruas, filmar, gravar, editar…

“Os lábios arrogantes não ficam bem ao insensato; muito menos os lábios mentirosos ao governante! (Provérbios 17:7)

No Brasil, precisamos sair das narrativas e entrar na vida real, construir a verdadeira verdade, pois vamos ingressar no período eleitoral, pelo qual escolheremos os nossos governantes em grande momento de crise, onde o futuro de milhões de pessoas estará em jogo e nas mãos da classe política.

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Doe dinheiro para ajudar a campanha do verde

Vaquinha Eletrônica

 

Os políticos que se recusaram a entrar na corrupção ficaram sem possiblidade de divulgar suas plataformas. Agora, com a vaquinha eletrônica aprovada pelo TSE, eles ganharam a possibilidade de arrecadar dinheiro limpo e transparente. Faça uma doação, pode ser pequena ou até 10% do valor da sua última declaração do imposto de renda. Entre no site clicando na foto e siga as instruções apertando em contribuir. A doação é feita pelo cartão de crédito, fiscalizada por você e pela Justiça Eleitoral. Tudo como deverias ser sempre.

 

 

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Todo dia é um novo 7 x 1

Todos os dias, o povo brasileiro acorda com um novo sete a um. É corrupção. É aumento de impostos. É um governo ilegítimo. É o fantasma da volta da inflação. É o preço do combustível sendo reajustado diariamente.

Desta vez, o sete a um foi a greve ou locaute dos caminhoneiros ou empresas de cargas que parou o Brasil de ponta a ponta.

O protesto era contra a política de preços praticada pela Petrobras, dirigida por Pedro Parente. A Petrobras já foi a nossa seleção brasileira, até que em 2015 deu o seu primeiro prejuízo bilionário, levou a sua primeira goleada, depois de ter escalada diretores indicados por partidos políticos aliados ao governo.

Foi uma surpresa decepcionante para o Brasil descobrir que Petrobras estava passando por sérios problemas. Logo esta empresa que é o orgulho nacional, que é pioneira em tecnologia de exploração de petróleo em águas profundas, que nos deu a esperança de ser autossuficiente, após a descoberta de gigantescas reservas  na camada do pré-sal e que até investiu em um refinaria da Boliva e em Pasadena no Estados Unidos. Era como se o país estivesse preparado para ganhar a copa de economia do primeiro mundo.

A crise política que o Brasil se meteu nos últimos anos nos leva a pensar em paralelo com o nosso futebol. Naquela terça-feira, 08 de julho de 2014, o brasileiro acordo de peito estufado. As famílias e os amigos se encontraram para o churrasco e a cerveja, todos a frente da televisão. A copa era nossa. Iríamos levar a taça dentro de casa, no estádio do Mineirão. Os palpites davam vitórias magras ao Brasil, afinal o adversário era a Alemanha, mas nunca um empate, jamais uma derrota, muito menos uma goleada.

Bastaram apenas onze minutos de jogo para a realidade nos acordar do sonho de ter o melhor futebol do mundo. O Brasil viu o sonho de ganhar um copa do mundo em casa ir se esvaindo nas chuteiras alemãs. Thomas Müller marcou o primeiro gol. Em seis minutos, quatro gols a mais davam como certa o vexame apelidado de mineiraço. O primeiro tempo terminou com os inacreditáveis cinco a zero. A cerveja perdeu o sabor. As pessoas se olhavam sem acreditar no que estava acontecendo.

Em Curitiba, em uma Vara Federal, um doleiro negociava a colaboração premiada com o Ministério Público e marcava o primeiro gol contra a nossa principal empresa. Quando o acordo foi fechado, o Brasil conheceu o maior escândalo de corrupção da história recente. Em seguida, após a delação do doleiro, vieram os Paulo Roberto Costa, Pedro Barusco, Jorge Zelada, Nestor Cerveró, Renato Duque, etc. Depois destas prisões, foi a vez da classe política ser presa, pois era ela que indicava os diretores que saquearam a nossa Petrobras e o sonho do Brasil ser uma nação que superou a pobreza, a miséria e as desigualdades sociais, como nos foi prometido pela Constituição Federal.

Assim como a derrota para Alemanha mostrou que o país do futebol vivia uma farsa, a greve dos caminhoneiros, o nosso mais novo sete a um, expôs a fragilidade econômica do país, que apostou em transportar todas as suas mercadorias, incluindo combustível  e medicamentos, por rodovias. O país tornou-se dependente de petróleo para se mover. Somos um gigante super frágil.

A população parece que ainda não queria acreditar que a Petrobras tenha feito 125 reajuste de combustíveis em cinco meses. Como não estava acreditando que em poucos dias, os postos de combustíveis estava sem o produto para abastecer seus veículos. Remédios deixaram ser entregues. Verduras e legumes começaram a faltar. Voos foram cancelados por falta de querosene de aviação.

Os caminhoneiros estavam derrotados pelo preço diesel sendo reajustado quase que diariamente. O valor acertado no inicio do frete, não paga o custo da manutenção do caminhão e do combustível para o abastecimento. Além do custo do diesel, os caminhoneiros suportam grande peso vindo dos pedágios.

A greve dos caminhoneiros durou sete dias e vai chegando ao fim, com um novo acordo anunciado pelo Governo Temer. O país, do jeito que está, sem um comando legitimo a frente do governo, dividido por projetos radicais, com sua instituições fragilizadas pela corrupção, sabe que mais derrotas ainda virão por ai e, neste ano de copa do mundo, não cansa de se perguntar: quando acontecerá um novo sete a um?

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O Casamento do Príncipe Harry com Meghan Markle e a Bancada da Bíblia

O Bispo Michael Bruce Cury, roubou a cena durante o casamento real, entre o Principe Harry e a atriz, afrodescendente, Meghan Markle, com a pregação que repete Martin Luther King, sobre o poder redentor do amor: “o amor pode ajudar a curar quando nada mais pode”.

A cerimônia, presidida pelo Justin Welby, arcebispo de Cantuária, líder da comunhão Anglicana mundial, foi realizada no templo do protestantismo, oriundo do cisma que gerou muitas denominações cristãs pelo mundo afora.

Ver a cerimônia e ouvir o pregador americano e negro, falando na Inglaterra, aos nobres, nos remete a pensar sobre o baixo nível das pregações de políticos, disfarçados de pastores, que usam os púlpitos das casas, através de meios de comunicação e de construções transmudadas em templo, para pregar o ódio, a divisão, arrecadar dinheiro e apoiadores para seus projetos de poder terreno, onde tudo existe, menos o amor.

O bispo Michael, ligou o seu tablet, assomou o púlpito da capela de São Jorge, no Castelo de Windsor, para falar de amor e do fogo controlado. Citou Luther King, os mais importantes líderes do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, e no mundo, com uma campanha de não violência e de amor ao próximo. Mas também citou o padre católico Pierre Teilhard de Chardin, que foi um padrejesuíta, teólogo, filósofo e paleontólogofrancês que tentou construir uma visão integradora entre ciência e teologia.

Os religiosos que pregam a palavra, não podem fazer sem estuda-la, sem se aprofundar, sem receber a inspiração do Espirito de Deus. O sentido da obra religiosa deve ser o amor ao próximo, que é a primeira e mais importante lição cristã.

O bispo negro americano, fez o que deve ser feito em nome de Deus. E o fez demonstrando que de sua boca saiam palavras inspiradas e cultas.

Os pregadores políticos, quando falam, cospem ódio, oportunismo, lições que mais parecem vindas de Baal. Querem o corpo das pessoas, o dinheiro das pessoas, a fé dos crentes para seus projetos políticos escusos. Vendem a Igreja e a alma.

A bancada da Bíblia no Congresso Nacional, que não demonstra ter amor ao próximo, é a que mais troca o voto, a representação popular por negócios e mais poder para si e para o seu desamor, tudo em nome de Jesus Cristos, confundindo a cabeça de eleitores e fiéis.

O papa Francisco tem se esforçada pela unidade dos cristãos e ontem, ao ver a cerimônia com o Bispo de Cantuária e o Presidente das Igreja Episcopal dos Americanos, acendeu em mim a chama desta unidade, que afastaria os maus-profetas e separaria o joio do trigo, fazendo coque se cumpra:

Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. 22E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”.

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Não há crime perfeito quando se investiga

De todos os homicídios ocorridos no Pará, apenas 3,4% foram esclarecidos. O caso Marielle, que parecia ser o crime perfeito, após exaustivo trabalho de investigação criminal, começa ser desvendado, mostrando que não há crime perfeito para o cientifico trabalho de investigação criminal.

A investigação criminal ficou famosa no mundo inteiro através da ficção criada pelo Sir Arthur Conan Doyle, nos romances policiais “Um estudo em Vermelho” e “O Sinal dos Quatros”, nos quais aparecem a inconfundível figura do detetive dos detetives Sherlock Holmes. Isto era no Século XIX.

Os governos estaduais, induzidos por propostas marqueteiras, desviaram o foco da investigação policial para compras de armas, equipamentos para policial ostensiva, estruturas físicas em comunidades. Mas aos poucos foram relegando ao segundo plano a policial civil investigativa.

A impunidade e a corrupção fizeram o crime valer a pena no Pará.

Lembro que mataram um líder comunitário do bairro do Jurunas, que denunciava as milícias e o tráfico, na época, apelei para que fizessem da investigação desse crime um símbolo importante contra o crime perfeito. Descobrir e punir os criminosos seria como dizer para toda a malandragem que o crime nunca compensará.

Vi com bastante preocupação a execução, em plena luz do dia, ali na Julio Cesar com a Brigadeiro Protásio, de um apenado do regime semi-aberto, quando este saia da cadeia, após ter dormido na unidade prisional que fica perto do Aeroporto de Belém e nada foi esclarecido.

A Segurança Pública está nas mãos da PM e da sua declaração de guerra. Matam um policial militar verifica-se uma reação, que segue uma nova ação dos bandidos e reações se seguem deixando mortos seletivos, alguns inocentes, sem que a violência dê trégua.

Quantas pessoas são assaltadas por dia, perdem celular, bolsa, dinheiro, cordão, registram boletim de ocorrência e nunca recebem uma satisfação do Estado?

O melhor investimento em segurança pública, além de tudo que já esta anunciado, é na carreira de investigadores de policia, peritos criminais e nos equipamentos técnicos-científicos. Aliado a estas medidas, implantar a tolerância zero, que significa punir os criminosos com os rigores da lei, seja quem for e qual o crime cometa.

Se chegar o dia em que as pessoas voltarem a confiar na capacidade do estado esclarecer e punir os crimes e criminosos, derrubando os índices de impunidade, neste dia se reconquistará a confiança do cidadão e da sociedade e a paz voltará a triunfar.

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Derrote políticos viciados

Nesta eleição, a ordem é renovar a política com qualidade. Você topa? Renovar é trocar, mudar, substituir, mas não de qualquer jeito.

O Congresso Nacional em todas as eleições sempre renova 30% dos seus membros, mas isso nem sempre quis dizer mudanças, o eleitor acaba trocando seis por meia dúzia. Veja um caso concreto.

O corrupto do Severino Cavalcante perdeu o mandato. Aplaudimos muito, ele não merecia nos representar. Depois descobrimos que Severino pediu e os eleitores votaram num seu substituto novinho em folha, o deputado Eduardo da Fonte, acontece que o moço é pior e veio com uma folha corrida invejável (Veja processo do Dudu da Fonte)

Agora os corruptos inelegíveis, respondendo processos, alcançados pela Lava Jato e outras operações, não querem perder poder e tencionam eleger seus filhos ou parentes, é o caso de Eduardo Cunha que quer eleger sua filha, Wladimir e o Pastor Josue Bengtson, também.

Renovar na política é renovar com qualidade. É corrigir sempre os rumos da construção do estado democrático de direito. É fortalecer as instituições. É buscar representantes cada vez mais identificado com valores éticos, morais, defensores do bem-comum, dos interesses gerais da sociedade em busca da felicidade como um bem de todos.

O trabalho do eleitor, enquanto cidadão é acreditar nos valores coletivos como seus e garimpar na sociedade os melhores cidadãos para desempenhar essa missão de representa-lo. O desfio é grande, mas nada que um eleitor comprometido não posso alcançar.

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23ª Ed. da Revista Pensar Verde

Saiu a nova Pensar Verde

A revista aborda três temas de grande importância e uma entrevista com o presidente Penna. Articulistas de grande relevância escrevem nesta edição. Tem o Gabeira, falando de segurança pública. Tem o ex-presidente da OAB, Marcus Vinicius Furtado e a voz da Transparência Brasil, falando da importância das eleições parlamentares. Tem tudo sobre a Conferência Internacional das Águas. Leia e se gostar, compartilhe com seus amigos e seguidores.

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O Lixão de Marituba continua fedendo

Descobriu-se que uma assessora do Ministério Público e o um engenheiro da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade atuavam em conluiou para favorecer a Guamá, empresa proprietária do “Lixão de Marituba”. O curioso é que as prefeituras, mesmo com toda ilegalidades, mantem os contratos com a empresa e continuam depositando lixo naquele local e pagando por isso. Como a responsabilidade ambiental é objetiva e solidária, por que até agora os prefeitos também não forma denunciados por crime ambiental?

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A CUT dividiu e enfraqueceu a luta dos trabalhadores

Saímos em três ônibus, da Praça da Bandeira, em Belém, seriam três dias e duas noites de viagem, 2.900 km, rumo ao Vera Cruz, palco da produção das chanchadas da Atlantida, com Mazzaropi e Oscarito, em São Bernardo do Campo, São Paulo. Era agosto de 1983 e íamos participar do congresso de fundação da Central Única dos Trabalhadores.

A comitiva era formada de trabalhadores de várias categorias urbanas e rurais. Todas as despesas pagas com muita coleta, apuração de festas, rifas, vendas de broches, doações dos sindicatos e os parcos recursos pessoais de cada um dos assalariados.

Os sindicatos de todas as vertentes políticas, petistas, pedetistas, pecebistas, pecedebistas, socialistas, pessedebistas, sem partidos haviam chegado ao consenso que era fundamental unificar a luta sindical e partiram para o I CONCLAT na Praia Grande, seguido de ENCLATS, culminando com o Congresso de fundação de uma centra única de trabalhadores.

Os princípios que norteavam aquele movimento sindical pujante se resumiam em unir os trabalhadores, independente de filiação partidária, para fortalecer a luta em prol de redemocratização do Brasil e por “liberdade e autonomia sindical”.

Na viagem fomos cantando, debatendo as teses, afinando as palavras de ordem. Era muita energia e alegria. O ato de fundação da CUT significava o coroamento das lutas sindicais por direitos banidos durante o período militar, quando os sindicatos foram intervidos e tutelados. Os militares, porém, preservaram a CLT e a Justiça do Trabalho.

Os ônibus paravam para o café, almoço e jantar, nos pontos de apoio da Transbrasilana, empresa fundada pela família do ex-presidente Juscelino Kubitschek, que monopolizava as viagens do norte em direção ao Distrito Federal.

Nestas horas, o grupo se dividia, os que tinham um pouco de dinheiro faziam suas refeições no restaurante da empresa de ônibus, alguns haviam levado comida e faziam as refeições em baixo de árvores, outros atravessavam para as barracas de beira de estrada e comiam as comidas regionais, como a panelada.

A luta por liberdade sindical nos permitiria organizar e funcionar as entidades sindicais de forma livre, segundo as determinações consensuais dos trabalhadores, sem obediência ao modelo preconizado pelo estado. Já havia alguns consensos como, por exemplo, a base territorial e o ramo de atividade. Não queríamos pulverizar as entidades para não enfraquecer a luta dos trabalhadores.

A viagem seguia pelo enorme e delgado estado de Goiás. Na época ainda não existia o estado do Tocantins. Quando saímos do norte, começou um sufoco em todos três ônibus. O tempero e a comida forte fez efeito. Os banheiros dos ônibus não suportaram a demanda. Fomos obrigado a entrar na cidade de Anápolis para adquirir enterovioform, receitado pelos médicos, da oposição sindical, integrantes da nossa delegação.

A autonomia sindical era muito importante. Nos libertar do Estado, interventor por meio do Ministério do Trabalho e romper com a estrutura sindical varguista, que engessava os sindicatos, hierarquizados por federações e confederações pelegas, sustentadas pelo dinheiro ilegítimo do imposto sindical, significava construir sindicatos forte e ligados a base. Mas a proposta de autonomia ia muito mais além. Queríamos ser autônomos dos partidos políticos. O movimento sindical não podia ser correia de transmissão dos partidos comunistas, socialistas ou social-democratas. Isto teria sido um erro das revoluções mundo a fora.

Os ônibus seguiam ultrapassando o sul de Goiás e as paisagens mudavam. Curado dos desarranjos e aliviados, os passageiros podiam apreciar melhor a paisagem passando em velocidade pela janela dos carros, era a primeira vez que trabalhadores humildes, acostumados com o calor dos trópicos e a floresta Amazônica, experimentava o frio a vegetação do serrado.

Tudo era novidade naquela viagem. Durante o dia, os ônibus viravam palco para cantorias, show de humor, contação de histórias e debate sobre temas variados. Agricultores falavam com operários, profissionais liberais aprendiam com pessoas de ocupações manuais. Aquilo era uma escola de formação política sobre rodas.

Chegar em São Paulo, olhar o Rio Tietê, ver os prédios, ruas com carros em alta velocidade e frio de doer os dentes, era um sonho. São Bernardo do Campo então. Ali estava o templo dos nossos deuses do sindicalismo. Luis Inácio, o Baiano, junto com Jair Meneghelli, recebi as delegações de todos os estados do país. No galpão da Vera Cruz, as delegações iam buscando seus cantos para armar colchonetes, juntar as malas, tomar banho e pegar o rango.

Os gaúchos, como Olívio Dutra, líder dos bancários, e Paulo Renato Paim, líder dos metalúrgicos de Caxias, desfilavam por entre operários de todas as partes do país, com suas cuias de chimarrão e bombachas vistosas.

O líder nordestino José Novais, da Bahia, era o símbolo dos trabalhadores rurais. Naquela época os STR eram os herdeiros da Ligas Camponesas e da luta pela reforma agrária, não existia o MST, Movimento do Trabalhadores Rurais Sem Terra.

O Congresso de Fundação da CUT abriu em clima de festa e de muita firmeza em torno da redemocratização do país. A maioria dos delegados era formada por sindicalistas oriundos da Anampos, articulação nacional em oposição as estruturas sindicais. Os camaradas do PCB e do PCdoB, por serem minoritários, resolveram boicotar o encontro e não credenciaram seus delegados.

Teses aprovadas, moções e requerimentos votados, chegou a hora de escolher a forma se organização da futura central. Neste momento o congresso se dividiu. Jair defendia uma estrutura presidencial. Paim propunha uma estrutura de coordenação. Por trás estava sair com um CUT pronta e acabada sem os comunistas ou esperar para aparar as arestas e incorpora-los no processo de formação de uma verdadeira central única.

Paim, defensor da unificação, lutou muito, chegou a rasgar o crachá e abandonar o evento, mas foi convencido por Lula a voltar, para ver sua proposta derrotada.

A CUT nasceu forte. Jair Meneghelli foi eleito presidente. Mas o tempo iria mostrar que a maioria estava errada. Aos poucos a CUT virou a central sindical do PT. Outras centrais foram criadas. Os sindicatos se dividiram na base para abocanhar parcelas do imposto sindical mantido. Passaram a ser o apêndice de partidos aliados ao governo petista e perderam a referência de suas categorias.

Os erros foram tantos e o resultado foi o enfraquecimento da luta dos trabalhadores ao ponto de não resistirem a um governo ilegítimo e a um Congresso corrupto, que reformou as leis trabalhistas, retirando direitos históricos conquistados com muita luta e sangue.

O Primeiro Maio é de luto e não mais de luta. Lula está preso. As centrais sindicais são muitas, mas pouco representativas. Seus atos não reunem o povo, sendo urgente que se retome o debate da tese derrotada e se faça um movimento de unificação em prol da classe trabalhadora, voltando ao inicio para criarmos uma CUT com todas as correntes sindicais e sem atrelamento a partidos políticos.

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