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Cidadão ou consumidor

Cidadão ou consumidor
Cidadão ou consumidor

O mundo atual nos leva a comprar, comprar e comprar muito. É um exigência da vida moderna ditada pelo mercado. São tantas as ofertas, são tantas as estratégias que as pessoas acabam levando para casa aquilo que nem precisam no momento das compras. Os produtos estão nas nossas vistas nos shopping, nos supermercados ou nas timelines das redes sociais. Você já reparou que quando pesquisa um assunto, os produtos a eles ligados começam a brotar na tela do seu smartphone?

Algumas perguntas para o seu pensar: você se sente um cidadão ou um consumidor? Sabes fazer a diferença entre um e o outro? Consegues pensar se os teus hábitos de consumo são livres, baseados nas tuas reais necessidades ou apenas atendem aos impulsos provocados pelas estratégias de marketing?

Um cidadão vive para desfrutar da vida em sociedade, formando amigos, famílias, gerando filhos, usufruindo de direitos e cumprindo seus deveres para com seus pares e com o seu país. O consumidor, meu amigo, é apenas um item nas mãos do mercado.

O mercado, este ser invisível, poderoso, dominador, que nunca se contenta em deixar que a lei da oferta e da procura atue livremente, estuda os seus hábitos e tenta influenciar na qualidade e quantidade das coisas que você consome, desde a sua alimentação, ao seu vestir, o seu calçar, escolhe seus itens de beleza,  até o seu lazer e gosto pela cultura fazem parte dos estudos científicos da chamada mercadologia.

Os meios para influenciar seu consumo se diversificaram. Além daqueles dos tradicionais, através da grande mídia, jornais, rádios, tevês, as redes sociais atuam construindo poderosos bancos de dados ou “Big Data” sobre você e usando os dados para lhe impulsionar a consumir. Você mesmo é quem fornecer todos as suas manias e costumes, para alimentar esses bancos de dados.

Quando você faz seu perfil em uma rede social, os dados que você insere vão para o banco de dados do aplicativo que tem ferramentas que pode lhe classificar em uma das letras do big five,  a OCEAN (depois falamos disso). O big five refere-se em psicologia aos cinco fatores da personalidade descritos pelo método lexical, ou seja, baseado em uma análise linguística.

Nessa altura da nossa conversa o cidadão já foi deixado de lado a muito tempo. Só é requisitado nos anos eleitorais, quando se faz de conta que o mercado não existe e brincamos de ser democráticos, mas até no processo eleitoral as redes sociais já atuam influenciando nas nossas escolhas. Dúvidas?

A China, só para dar um exemplo, lá, do outro lado do mundo, sabe o que os brasileiros querem consumir e foca nesse mercado. Os chineses estudam quem somos nós. Se duvidar eles sabem mais sobre nós do que nós mesmos.

Ao deixarmos de ser cidadãos para sermos meros consumidores entramos no jogo do mercado e na roda viva do consumo sem consciência, apenas nos deixando levar pelos estímulos que eles preparam para aumentar nossos desejos pelos seus produtos.

Os produtos vão sendo feitos como a marca “feitos para jogar fora” e nós nunca estamos satisfeitos e cada vez queremos mais e mais. O mercado se utiliza das técnicas de obsolescência, tanto aquela que perceptível como as que programa para que o produto deixe de funcionar.

Assim, nesta roda de comprar, jogar fora, comprar de novo, jogar fora outra vez, vamos ajudando a esgotar os recursos da natureza, de onde vem as matérias primas e produzindo gases de efeito estufa que tem a capacidade de alterar o clima do Planeta e em pouco tempo jogamos tudo no lixo, para retornar ao ciclo do consumo, sem que isso nos garanta felicidade duradoura.

Você deve estar pensado, mas eu preciso consumir? Certo. Mas consumir por que? e como faço isso sem ter dor na consciência? Uma maneira de reagir ao mercado é através do consumo consciente, assunto que iremos abordar em outro texto. Mas vá pensando sobre o assunto e até pesquise na internet sobre o tema para nossa próxima conversa.

zecarlos

Advogado, pós-graduado em Direito Ambiental, especialista em povo, principalmente o povo paraense.

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