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Somos Amazônia, mas não falamos dela

O Pará é um estado rico em tudo: cultura, riquezas naturais, culinária e na história do seu povo. Somos um povo que luta todos os dias por melhores condições de vida, assim como todo brasileiro. Há alguns dias atrás, comemoramos o dia da adesão do Pará à independência do Brasil, em 1823. Desde aqueles tempos, o estado do Pará e seu povo eram subjugados por terceiros. Nunca conseguimos ser capazes de usufruir das nossas próprias riquezas. Hoje, somos “colonizados” pelo restante do país que toma do nosso povo tudo que produzimos e que deveria servir para ajudar na construção e prosperidade da nossa terra.

Desde a sua descoberta, os Portugueses se apossaram de tudo que era nosso sem piedade. Hoje, após 195 anos depois da nossa independência sobre os portugueses, somos subjugados pelo restante do Brasil e por grande parte do mundo, que desejam se apossar das nossas matérias primas e riquezas naturais. Nosso estado não pode servir apenas para fazer saldo na balança comercial brasileira.

Somos o segundo maior território do país com 1.248.000 km² mais da metade de todo esse território é composto por florestas amazônicas. Abrigamos grande parte da população indígena que ainda sobrevivem ao avanço do homem branco sobre as matas, muitas dessas comunidades ainda estão “intocadas”, mas ainda não sabemos por quanto tempo.

Segundo o site “Brasil Escola” A região amazônica é responsável por abrigar mais de 1800 espécies de fauna, aves, 2.500 de peixes, 320 de mamíferos e dezenas de espécies de répteis, anfíbios e insetos. Além de mais de 30 mil espécies de vegetais, representando a flora. Segundo ainda o estudo do site, todas as espécies de fauna e flora que vivem no nosso território ainda não foram completamente descobertas e catalogadas.

Recentemente muitos ativistas e ambientalistas falaram sobre os corais na região amazônica – descoberta recentemente. A região de corais da Amazônia, que fica localizada a cima do estado de Macapá, no oceano Atlântico, está sobre risco de ser destruída, graças a ganancia do homem sobre o petróleo. Os corais são fundamentais para o balanço do nosso ecossistema marinho. Corais são responsáveis por 65% da sobrevivência da biodiversidade marítima. Uma grande quantidade de peixes, dependem desses organismos para sobreviver e se alimentarem.

Sendo os corais responsáveis por grande parte da sobrevivência dos peixes e pela filtragem das impurezas do oceano, o que vai acontecer com toda nossa biodiversidade, caso aquela área seja liberada para exploração de petróleo? Todo o pescado que abastece a região de Belém e que é exportado para outras partes do mundo e do Brasil, estão comprometidas. Não só o ecossistema está em risco, mas também a economia de toda a região norte.

Apensar de toda essa riqueza, biodiversidade e importância para todo o ecossistema do planeta, somos explorados de forma inconsequente e irresponsável pelas grandes empresas, pela agropecuária e pelo mundo.

Outra realidade que nos assombra é a falta de importância que nós mesmos, amazônicos, damos para a nossa região. Falamos pouco sobre nossos problemas e agimos pouco para resolvê-los e defende-los. Os poucos que ainda permutam em brigar pelo direito da vida na nossa floresta, são mortos nas mãos de matadores de aluguel – a mando dos donos das fazendas que querem destruir a nossa riqueza em benefício próprio -, e esquecidos pela justiça brasileira.

O estado do Pará também sofre um grave problema de políticas públicas e administração que envolvem o saneamento básico, que é um direito que não é levado a sério no nosso estado. O saneamento básico é necessário para elevar a qualidade de vida de toda sociedade. O descaso dos nossos governantes paraenses em relação a atividade de abastecimento de água potável, o manejo de água pluvial, a coleta e tratamento de esgoto, a limpeza urbana, o manejo de resíduos sólidos e o controle de pragas e qualquer tipo de agente patogênico, visando à saúde das comunidades, é grave!

Segundo pesquisa do site “TrataBrasil”, três municípios paraenses ocupam ranking preocupantes na falta de tratamento e saneamento básico. Segundo a pesquisa, Santarém, Belém e Ananindeua ocupam os rankings 97 a 99 dos municípios do Brasil que pior oferecem saneamento básico para a população. Claro que, para nós, paraenses, que moramos nessas cidades, não precisaríamos de nenhuma pesquisa para perceber isto. Andamos nas ruas e vemos os esgotos a céu aberto que são completamente ignorados por aqueles que nos “governam”. Há muito tempo, Ananindeua aparece como um dos principais municípios brasileiros que menos investem em tratamento de água e esgoto.

Segundo dados do site “TrataBrasil”, Ananindeua realiza coleta de esgoto próxima à zero (0,75%). Além do nosso vizinho, outros cinco municípios brasileiros coletam menos que 15% do esgoto que produzem. O indicador médio para o grupo é de 24,96% valor bastante inferior à média nacional, que segundo o SNIS 2016, é de 51,90%. De maneira semelhante, os indicadores de atendimento urbano de esgotos também são baixos. O indicador médio para o grupo dos 20 piores que é de 25,61%, sendo bastante próximo ao indicador de atendimento total de esgoto; a discrepância é ainda maior em relação à já baixa média brasileira de 59,70%.

A pesquisa ainda afirma que, com relação ao indicador de tratamento; Ananindeua (PA) trata 0,91%, valor muito próximo de zero. Além disso, mais da metade dos municípios brasileiros tratam menos que 15% do esgoto produzido. O indicador médio para o grupo é apenas 14,44% sendo a média brasileira de 44,90%.

Uma matéria foi publicada em um jornal local dizendo que o Secretário Nacional de Saneamento Ambiental, Adailton Ferreira Trindade afirmou que todo o país recebe verba suficiente para aplicar projetos de saneamento ambiental e que todo esse dinheiro que é distribuído pelo governo federal, não é aplicado de forma adequada, graças, infelizmente, as más administrações que os municípios têm. Os governos que fazem parte da nossa república federativa não cumpre o art. 3º da Constituição Federal, que diz que o objetivo delas é erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais.

Depois de todas essas informações, você, leitor, deve estar assustado e preocupado com tantos problemas e descasos que a Amazônia sofre. Infelizmente, falamos pouco sobre a amazônica e matérias ambientais não vendem o suficiente para bancar o dia a dia dos jornais. Nós, brasileiros e amazônicos, dependemos completamente desse ecossistema para balancear os graves impactos que o mundo sofre com as mais diversas atrocidades ambientais. As riquezas naturais, a biodiversidade e os produtos locais devem servir para construir a felicidade do povo local. Precisamos discutir e debater mais sobre a Amazônica, precisamos defendê-la a todo custo. Caso contrário, não teremos mais florestas para representar o verde da nossa bandeira.

zecarlos

Advogado, pós-graduado em Direito Ambiental, especialista em povo, principalmente o povo paraense.

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