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Não há crime perfeito quando se investiga

De todos os homicídios ocorridos no Pará, apenas 3,4% foram esclarecidos. O caso Marielle, que parecia ser o crime perfeito, após exaustivo trabalho de investigação criminal, começa ser desvendado, mostrando que não há crime perfeito para o cientifico trabalho de investigação criminal.

A investigação criminal ficou famosa no mundo inteiro através da ficção criada pelo Sir Arthur Conan Doyle, nos romances policiais “Um estudo em Vermelho” e “O Sinal dos Quatros”, nos quais aparecem a inconfundível figura do detetive dos detetives Sherlock Holmes. Isto era no Século XIX.

Os governos estaduais, induzidos por propostas marqueteiras, desviaram o foco da investigação policial para compras de armas, equipamentos para policial ostensiva, estruturas físicas em comunidades. Mas aos poucos foram relegando ao segundo plano a policial civil investigativa.

A impunidade e a corrupção fizeram o crime valer a pena no Pará.

Lembro que mataram um líder comunitário do bairro do Jurunas, que denunciava as milícias e o tráfico, na época, apelei para que fizessem da investigação desse crime um símbolo importante contra o crime perfeito. Descobrir e punir os criminosos seria como dizer para toda a malandragem que o crime nunca compensará.

Vi com bastante preocupação a execução, em plena luz do dia, ali na Julio Cesar com a Brigadeiro Protásio, de um apenado do regime semi-aberto, quando este saia da cadeia, após ter dormido na unidade prisional que fica perto do Aeroporto de Belém e nada foi esclarecido.

A Segurança Pública está nas mãos da PM e da sua declaração de guerra. Matam um policial militar verifica-se uma reação, que segue uma nova ação dos bandidos e reações se seguem deixando mortos seletivos, alguns inocentes, sem que a violência dê trégua.

Quantas pessoas são assaltadas por dia, perdem celular, bolsa, dinheiro, cordão, registram boletim de ocorrência e nunca recebem uma satisfação do Estado?

O melhor investimento em segurança pública, além de tudo que já esta anunciado, é na carreira de investigadores de policia, peritos criminais e nos equipamentos técnicos-científicos. Aliado a estas medidas, implantar a tolerância zero, que significa punir os criminosos com os rigores da lei, seja quem for e qual o crime cometa.

Se chegar o dia em que as pessoas voltarem a confiar na capacidade do estado esclarecer e punir os crimes e criminosos, derrubando os índices de impunidade, neste dia se reconquistará a confiança do cidadão e da sociedade e a paz voltará a triunfar.

zecarlos

Advogado, pós-graduado em Direito Ambiental, especialista em povo, principalmente o povo paraense.

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