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O Brasil não é um país para amadores

Já ouvi esta frase muitas vezes para dizer que não é qualquer solavanco que derrubará os poderosos do poder político e econômico do país. E esta é uma grande verdade histórica.

Os portugueses chegaram e aqui encontraram uma casta de habitantes da própria terra, que já exerciam seu mando, seja pela força ou pelo convencimento, os chefes dos grupos humanos mandava e mandavam muito. Os menos éticos destes chefes se juntaram aos invasores e facilitaram sua dominação.

A Corte Portuguesa deu a cobertura aos patrícios e seus aliados, e deles recebeu os impostos para sustentar um estado gigante, burocrático, ganancioso, modelo herdado do colonialismo romano, mantendo o julgo sobre os demais, que neste caso era a maioria do povo.

O modelo de colonização portuguesa, onde a elite domina a economia e extrai tudo o que pode do povo e da natureza para seu próprio deleite, e o estado, através do poder político, cobra altos impostos para garantir o custo da máquina que mantem a dominação.

Os debaixo sempre lutaram contra a dominação. A luta é histórica, mas não é para amadores.

Os que chegam próximo de uma vitoria sobre o sistema, recebem logo o contra-ataque, que pode vir de muitas maneiras. Seja por cooptação através da corrupção, pela desmoralização, pela morte pessoal ou política dos líderes rebeldes e seus grupos de seguidores.

Hoje, este quadro está bem visível, embora um pouco mais elaborado. Apura-se a corrupção, como forma de sequestro do poder político. O que se vê no Congresso Nacional e no STF, é a reação da elite e de seus aliados, alcançados pelo mínimo, oriundo de um processo democrático constitucional. É uma luta encarniçada entre os que desejam manter o Brasil sobre o julgo daqueles que sempre mandaram e os que desejam um país democrático, justo, igual, que dê oportunidade para todos, com um estado moderno e garantidor do poder da sociedade civil.

As nuances são muitas e é preciso ser profissional para entender. Quando falamos em manter o julgo, podemos separar dois interesse que levam ao mesmo resultado. Os históricos e os cooptados jogam do mesmo lado para desmoralizar o estado democrático de direito. Quando o assunto é um país democrático, ai são vários os atores que trabalham  para usar os mecanismo da democracia, como é o caso das eleições, fazendo as regras que impedem os debaixo de apresentarem suas alternativas com viabilidade. Quando falamos em estado moderno, esbarramos naqueles que desejam que a conta da burocracia cai sobre o salário e o ganho dos de baixo.

Até o capitão do mato por aqui, acaba tendo apoio dos que ele persegue. É que a violência chega apenas na senzala, a casa grande é incansável.

zecarlos

Advogado, pós-graduado em Direito Ambiental, especialista em povo, principalmente o povo paraense.

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