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Cana é contra amazônia

Flexa Ribeiro quer a cana de açúcar no lugar do açaí

Cana é contra amazôniaNa última  terça-feira, dia 27/03, por pouco o Senado Federal não vota o PLS 626/2011, de autoria do senador paraense Flexa Ribeiro, o mesmo que se autodenominava, em campanha, Senador do Açaí, que permitirá plantar cana de açúcar para produção de etanol, na Floresta Amazônica. Cana e Açaí são como água e óleo, não se misturam.

O que dizem as entidades ambientalistas sobre este projeto?

Em um documento assinado por entidades como Greenpeace, Observatório do Clima, SOS Mata Atlântica e WWF, afirmam que a mudança vai impulsionar a o desmate:

“A pecuária será empurrada para novas áreas para dar lugar à lavoura, estimulando a devastação onde hoje deveria haver intensificação. Toda a infraestrutura de processamento precisaria se instalar também ali, o que aumenta a pressão sobre a floresta.”

A indústria de produção de etanol também se posiciona contra o projeto do Senador Flexa Ribeiro:

“Os biocombustiveis e açúcar brasileiros não são associados a esse desmatamento. O PLS 626/2011 pode manchar essa reputação e colocar em risco os mercados já conquistados e o valor dos produtos brasileiros. O Brasil precisa focar em promover o aumento da produção de bionergia e biocombustíveis nas atuais áreas não aproveitadas, de forma aliada à preservação ambiental”

A cana de açúcar plantada na Amazônia, ameaçará culturas locais, como é o caso do açaí, que tanto o Senador disse defender em sua campanha. O açaí, que é plantado por pequeno produtores, não resistiria a presão de grandes plantios de cana, totalmente mecanizados.

A produção de biocombustíveis na Amazônia vem sendo tentada com o dendê, bem mais compatível que a cana de açúcar. Hoje já temos muitas áreas com esta cultura, mas os produtores enfrentam os velhos problemas da região, como, por exemplo, as questões fundiárias.

A Amazônia e o Pará não precisam de mais uma cultura provocadora de pobreza e desigualdade social, como é a cana de açúcar. Devemos fazer um esforço coletivo para encontrar um modelo de desenvolvimento adequado e que nos liberte do colonialismo que a Federação nos tem relegado, como tem alertado o advogado Jarbas Vasconcelos em suas palestra, os desafios socioambientais do Pará, um estado da Amazônia, que vem proferindo pelos municípios do paraenses.

A imprensa local precisa averiguar qual as reais intenções de Flexa Ribeiro com esse projeto. Em primeiro plano, parece que não só agride o bioma, compromete o futuro das pessoas, como pode ser um tiro no pé da sua reeleição, pois desagrada ambientalistas, produtores e não traz qualidade de vida a população local.

zecarlos

Advogado, pós-graduado em Direito Ambiental, especialista em povo, principalmente o povo paraense.

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