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O futuro está comprometido 

Até a década de 1960, pelo menos aqui no Brasil, mas precisamente em Belém e no Bairro do Guamá, as pessoas não mexiam com aquilo que não conheciam. Seja uma árvore ou uma assombração. Havia um respeito quase religioso pelo desconhecido.
De uns tempo para cá, o ser humano subiu na sua Torre de Babel e de lá passou a dizer que podia dominar tudo. Transformar tudo em produtos para consumir, vender e gerar pobreza, miséria e desigualdade, colocando em risco até a própria existência humana na Terra. 
Passamos dos limites. De todos os limites. Entramos nas células, na nanotecnologia. Mexemos com todos os seres. Passamos a produzir animais em laboratório. Já podemos ressuscitar os dinossauros a partir de uma amostra de DNA colhida em um fóssil. 
Onde queremos chegar?
O poder da nossa ciência, financiada pela indústria, acha que dominou a vida e por isso, pode dispor da vida e do desconhecido apenas por hipótese. 
Vamos nos destruir. A natureza já está esgotada. Os recursos naturais exauridos. A quantidade de resíduos é enorme. Os gases de efeito estufa sobem das nossas fabricas, carros e lixões. Por levar vantagens individuais, não pensamos em parar e para prosseguir com o mesmo estilo de vida duvidamos da ciência e ignoramos os alertas.
Os partidos verdes do mundo, reunidos em Liverpool, aprovaram uma declaração com pontos que são essenciais no sentido de dar novo rumo ao desenvolvimento e ao futuro da humanidade. Recebi. Li. Aderi. Mas agora, encontro o ceticismo até dentro do nosso próprio partido quanto a viabilidade das propostas. 
Tudo indica que vamos continuar mexendo em tudo que não dominamos até o dia do fim. Como disse o Professor Luis Marques, da Unicamp, autor do Livro Capitalismo e a Crise Ambiental, “daqui por diante o futuro será sempre pior que o presente”.

zecarlos

Advogado, pós-graduado em Direito Ambiental, especialista em povo, principalmente o povo paraense.

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