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Adesão do Pará a Independência

  Gosto das datas comemorativas que lembram histórias, como a da Adesão do Pará a Independência.

Um povo vive de relembrar seus feitos, transmitindo-os por todas as gerações, principalmente quando o feito contribui para fortalecer os laços culturais, firmar conceitos éticos, morais e aprimorar a vida em sociedade. 

A adesão do Pará a Independência foi um fato marcante na história do nosso estado, mas poucos são os paraenses que o conhece, principalmente como ele realmente aconteceu. 

Sem saber dos detalhes e das reais circuntâncias em que se deu a Adesão do Pará ao estado nacional, os paraenses apenas aproveitam o feriado como mais um dia de descanso e de lazer. O dia passa como outro dia qualquer, sem trabalho. Nada fica de exemplo para a atual geração apreender um pouquinho com a sua história.

As rádios, as televisões, os jornais e as redes sociais, nada dizem sobre a Adesão. Acho até que os jornalistas paraenses sabem sobe o ocorrido, mas sabem muito pouco. 

O povo, se bem informado, teria cuidado de mudar sua história e até responderia de bate e pronto algumas indagações simples, como estas:

Por que o Pará não acompanhou D. Pedro I, aderindo  de imediato a Independência do Brasil? 

O que fez os paraenses mudarem de idéia um ano depois? 

A nossa adesão a Independência beneficiou a quem?

O ano da Independência era 1822, Sete de Setembro. O Imperador D. Pedro I, regressando da casa de Domitila, a Marquesa de Santos, recebeu, as margens do Riacho Ipiranga, a noticia que deveria regressar a Portugal. O rapazola se rebelou e tascou-lhe o grito: “independência ou morte”. 

O Pará era governado por uma Junta formada por portugueses ricos que se correspondia diretamente com Lisboa e não aceitaram a ideia de separar-se da Coroa Portuguesa para se submeter a um governo nacional sediado no Rio de Janeiro. Por isso, o Pará tornou-se rebelde, o que muito chateou o Jovem Imperador do Brasil. 

A rebeldia, porém, tinha dois lados. Os portugueses, ricos comerciantes, tencionavam permanecer no poder do Pará e temiam que D. Pedro I os destituisse desta posição de mando na Colonia. Os paraenses, índios, escravos e mestiços, que desejavam se libertar de qualquer julgo, incluindo o julgo do governo brasileiro que acabará de se formar e também o julgo dos comerciantes portugues da Junta Governativa.

Os dois lados, embora com interesses própios, não reconheciam a Independência  e a autoridade do Imperador D. Pedro. O Imperador reagiu forte. Contratou o almirante inglês, Thomas Cochrane, que da Bahia comandou o ataque aos estados rebeldes. 

Para o Norte, Cochrane enviou o terrível Jonh Pascoe Grenfell, no comando do Brigue Palhaço. Primeiro o Brigue, denomindo “Palhaço”, aportou no Maranhão. Tudo resolvido, Grenfell teve noticia que o maior foco de revolta estava no Pará e para cá seguiu com gosto de gás e sangue no olho. 

Chegando em Belém, o Brigue “Palhaço”, “navio de madeira, de propulsão a vela, aparelhado em brigue, construído na Bahia, em Pojuca.  O primeiro nome do brigue Palhaço era São José Diligente e fazia parte da Armada Real Portuguesa”. Dizem até que, antes de ser incorporado a Armada Portuguesa, trocou de nome para transportar escravos. Não fica bem usar o nome de um santo neste comércio de almas. 

Grenfell blefou, mentiu, enganou a Junta Governativa. Disse o Terrível Corsário, ou vocês se rendem, e hasteiam a bandeira do novo Império, ou vou atacar com uma grande esquadra que está aportada na boca de Salinas. Os portugueses temeram. Os paraenses resitiram. O impasse estava formado. 

Grenfel e a Junta Governativa fizeram um acordo. O Mercenário, conseguida adesão dos ricos portugueses, mandou recolher a tropa local no quartel. Mas bastou a noite escura cair sobre Belém, para os paraenses, com ajuda de alguns soldados rebeldes, ir as ruas e atacar as casas dos portuguesas. Tudo era noticiado pelo jornal “O Paraense”, criado por Felipe Patroni e comandado pelo Conêgo Batita Campos. 

O comandante do Brigue Palhaço mandou fuzilar cinco soldados supeitos de apoiarem a revolta, depois, informado do grande papel do Conêgo, mandou prendê-lo e amarrar à boca de um canhão como forma de ameaça aos demais. A noite, novamente os paraenses estavam nas ruas mostando o descontentamo com o julgo dos dois impérios, personificado nos terríveis exploradores portugueses que dominavam o comércio e a exportação de produtos da terra, a custa do suor e lagrimas de índios, mestiços e negros.

Grenfell, com apoio das elites, deu uma ordem absurda, prendam todos os homens que estiverem nas ruas de Belém depois que o sol se por. E assim foram presos 256 pessoas e como não tinha cadeia para tantos presos, o Terrível Mercenário mandou jogá-los no porão do “Brigue Palhaço”. Aquilo virou um inferno. O calor, a fome e a sede fez os homens gemerem e gritarem por água. No lugar de atende-los, os marinheiros foram orientados a dar uma rajada de tiros para dentro do porão. Os gritos aumentaram. Presos na escuridão do porão fétido, os duzentos e cinco e seis bravos paraenses, agora nús, gemiam de fome, sede e calor, misturados aos corpos dos primeiros mortos. 

O barulho infernal dos inocentes foi aplacado com a cal virgem, atirada para dentro do porão, para completar, teve suas escoltilhas fechadas. No dia seguintes, estavam mortos, 252, dos 04 sobreviventes, 03 morreram em seguida e apenas 01 ficou vivou e dele não se dignaran a registrar o nome, muito menos o paradeiro. 

Não se sabe para onde levaram e enterraram os corpos, alguns falam que uma grande cova foi aberta nas terras do Sítio Penacova, pertecente aos Padres Franciscanos e que fica ali pros lados do Tapanã. 

Os portugueses aderiram a Independência e foram honrados com cargos e benesses pelo Imperador. Grenfell tornou-se consul do Brasil na Inglaterra onde veio a falecer de morte natural. A história do massacre do “Brigue Palhaço” e da Adesão do Pará a Indepedência” foi ocultada por muito tempo. Dizem que até a data, 15 de Agosto, está errada, fala-se que tudo teria ocorrido no mês de outubro. 

O deputado constituinte paraenses Zeno Veloso, relator da “Carta Magna do Pará”, lembrou, talvez até por ironia de intelectual, de escrever a data provável como feriado estadual, sem contar os fatos.

Os paraenses prantearam seus heróis e junto com Batista Campos e prepararam a grande “Revolução Cabana”, em 1835 a 1840, dizem que é a unica revolta popular vitoriosa que se tem noticia na história da humanidade, tempos depois, único período em que o Pará viveu lívre do governo central. 

Novamente fomos invadidos e saqueados, como somos até hoje e sempre com ajuda de descendentes da elite daquela época, as vezes runidos em federações, partidos, meios de comunicação. Brasilia nos explora levando nosso minério, a energia, a madeira, o cacau, a pimenta, deixando para os descendentes dos massacrados do “Brigue Palhaço”, o pão e o circo de todas as eleições.
Vamos dar um viva ao nossos heróis? Viva!

zecarlos

Advogado, pós-graduado em Direito Ambiental, especialista em povo, principalmente o povo paraense.

2 comentários em “Adesão do Pará a Independência

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