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Sou um estranho no meu quarteirão II

Continuando minha peregrinação como desconhecido pelo quarteirão, quero dizer que fiz algum progresso esta semana. Comecei pelo prédio onde moro. Fui ao porteiro e pedi uma relação dos 24 moradores. Como disse antes, moro num edifício de 12 andares, com dois apartamentos por andar. O porteiro prontamente fez a relação, que me foi entregue no dia seguinte.

Na verdade, vi que somos apenas 22 apartamentos ocupados. Dois estão vazios. Vi que meu grau de conhecimento dos meus vinhos é de 40%. Muito baixo. E dos 40%, tenho intimidade com bem menos. Vou mudar isso. Não sei se eles permitirão minha aproximação, mas vou tentar.

Fiquei decepcionado comigo mesmo. Como posso morar a poucos metros deles e nunca ter feito um esforço para conhecê-los?

Nossas portas vivem o tempo todo fechadas. O prédio, embora sejam casas, uma em cima das outras, são isoladas, não permitindo contatos com facilidade. O elevador e as áreas comuns não são são feitas para estes contatos. Bater na porta de um vizinho de apartamento não parece ser algo comum. O síndico também não promove atividades agregadoras.

Lembro que por ocasião do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, iniciamos uma reza de apartamento em apartamento. A vizinha do 101, junto com sua auxiliar, fez todo o esforço para nos reunir. Foi uma experiência que no início até deu certo, mas aos poucos as pessoas foram perdendo o interesse, até que no ano seguinte, os terços ficaram esvaziados e acabou.

Como podemos viver felizes, sem viver em comunidade?

Termino com o compromisso de partir para prática em buscar estreitar os laços de vizinhança.

zecarlos

Advogado, pós-graduado em Direito Ambiental, especialista em povo, principalmente o povo paraense.

Um comentário em “Sou um estranho no meu quarteirão II

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