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Meu quarteirão

Sou um estranho no meu quarteirão

Meu quarteirãoSou um belemense apaixonado pela minha cidade e por cidades. Os homens modernos resolveram que a cidade é o seu habitat. No Brasil, 85% das pessoas moram em um das mais de 5 mil cidades do nosso país. A cidade é o lugar onde nascemos, crescemos, fazemos amigos, é um espaço de trocas. Trocas econômicas, trocas emocionais, trocas de cultura, trocas de energia, trocas…

A cidade é, para mim, um ser vivo, formado por tudo que tem em um organismo complexo e como eles, as cidades se aperfeiçoam mantendo viva as relações entre os diversos elementos que fazem parte do seu corpo, ligações que trazem como produto a correção de problemas pela autoregulação, função fundamental para manter viva a cidade, que dependem dessas relações dinâmicas.

As primeiras relações e as mais importantes, são as relações das pessoas entre si, com os outros seres que habitam os espaços urbanos e ainda com os próprios elementos espaciais, casas, prédios, bar, padaria, supermercado, lojas, feiras,  pássaros, animais domésticos, baratas, ratos, bactérias, árvores, praças, ruas, calçadas, parques, nascentes, córregos, igarapés…

Nestas relações, as trocas se estabelecem. Troca-se, por exemplo, água limpa por água servida, ar limpo por ar particulado, solo natural por solo impermeabilizado, produtos por resíduos.

Neste sistema de relações e trocas, todas são importantes, mas as humanas são aquelas absolutamente necessárias. Com elas, as pessoas vão aperfeiçoando a vida da própria cidade.  O espaço para as trocas humanas na cidade são os espaços provados e os públicos, com as ruas, calçadas, parques, feiras, por exemplo.

Resolvi olhar mais atentamente para as calçadas e ruas, tomando para exemplo o quarteirão onde moro em Belém do Pará. A rua é a Avenida Generalíssimo Deodoro e o trecho fica entre a Rua Conselheiro Furtado e a Rua dos Mundurucus. Está na confluência entre os bairros de Nazaré e Cremação.

Neste curto espaço geográfico de 266 metros aproximadamente, com três edifícios de apartamentos, uma igreja, um restaurante e outras casas comerciais, já ocorreram muitos assaltos, inclusive a mão armada, morte e até o baleamento de um alto funcionário do sistema de segurança pública.

Moro neste quarteirão há 04 anos, mas hoje, quando comecei a pensar sobre minha rua e suas calçadas percebi que sou um desconhecido por aqui e que as pessoas são estranhas para mim, assim como também sou um estranho para elas.

Tentei fazer um cálculo de quantos são os moradores daqui e vi que nem conheço todos os moradores do meu prédio de 12 andares, com dois apartamentos por andar. Veja que trabalho para mudar o mundo dos outros, mas não tenho qualquer intimidade com o meu espaço geográfico.

Hoje, por absoluta falta de conhecimento, não sei dizer se as pessoas que passam nas calçadas são moradores ou frequentadores das casas comercias do meu quarteirão. Vi, porém, que os prédios, os três, incluindo o meu, não permitem inteiração dos seus moradores com as calçadas. Se quisermos colocar uma cadeira dentro do prédio e apreciar a calçada, isto não é facilitado. Bom, me proponho a ampliar meu conhecimento sobre o quarteirão onde moro e vou compartilhar meu progresso com vocês. Partirei por conhecer as pessoas que moram bem perto de mim, no meu prédio.Meu quarteirão

zecarlos

Advogado, pós-graduado em Direito Ambiental, especialista em povo, principalmente o povo paraense.

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