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Deputado estimula pena de morte.

Na sexta-feira um policial foi morto durante um assalto em Belém. O investigador reagiu e foi baleado pelos assaltantes.
A profissão é nobre e arriscada. Os policiais são agentes públicos responsáveis pela segurança dos cidadãos, fazendo a segurança preventiva e judicial, portanto, cumpridores da lei e correm risco constante para garantir segurança população, que os contrata para este fim.
Quando um policial é morto em confronto, devemos, como sociedade, reagir em solidariedade, exigindo que o sistema garanta o amparo a família do servidor, reforce a segurança para estes agentes públicos, que os culpados sejam presos e condenados na forma mais rigorosa da lei.
Por mais difícil que seja suportar a morte de um colega, nosso sistema jurídico não autoriza a vingança e nem a execução do culpado.
Olho por olho, dente por dente é uma reação bárbara, medieval, não se aplica aos nosso dias e nem está autorizada por lei.
Os policiais estão sendo instigados por um deputado federal, que se porta como justiceiro, a caçar os culpados. Deseja que os nossos policiais desçam ao mesmo patamar da bandidagem. O deputado que descumpre ou aconselha o descumprimento da Constituição comete gravíssimo delito funcional denominado: quebra de decoro parlamentar, com a pena se cassação do mandato.
Imaginem vocês se após os ataques aos parisienses pelo Estado Islâmico, a policia francesa, por vingança, determinasse a morte de todo e qualquer muçulmano.
A Policia Civil tem que reagir com o império da lei, que no sistema democrático é o que deve funcionar.
A morte do bandido pode até satisfazer o desejo de vingança, mas não resolver o problema da segurança dos cidadão. O bandido morto será enterrado e com ele o esquecimento do caso e no seu lugar outros surgiram.
Ao passo que se a policial fizer o trabalho conforme está na lei, prendendo o bandido, reunindo provas e o levando a julgamento, com a condenação e cumprimento da pena, seu exemplo ficará vivo para que outros saibam que o estado pune rigorosamente aqueles que ofende a paz social.
Enquanto o réu estiver cumprindo a pena, toda comunidade no seu entorno, de certa forma, estará sendo informada e convivendo com o cumprimento da pena.

Muitos policiais acusam a Justiça de liberar pessoas perigosas. Que de nada vale o trabalho que fazem, porque em pouco tempo os bandidos voltam para as ruas. Aqui tem um problema profissional. Os bandidos saem fácil da cadeia porque os inquéritos policiais não são feitos conforme determina a lei e se não tem prova, a Justiça fica sem alternativa para manter a pessoa encarcerada.

O deputado justiceiro, estimulador da violência e da vingança como meio de punição precisa parar com esta atitude violentadora do sistema jurídico nacional. No lugar de estimular a pena de morte, ainda mais sem julgamento, podia auxiliar com verbas e programas a profissionalização dos profissionais de segurança pública. Se o deputado não parar de estimular a violência, alguém precisa tomar providências e nos proteger deste senhor.

Policial morto durante assalto em Belém

zecarlos

Advogado, pós-graduado em Direito Ambiental, especialista em povo, principalmente o povo paraense.

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