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BRT Belém

A Prefeitura de Belém paga R$ 258 milhões e o BRT é um teste

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Ao saber dos contratos e pagamentos feitos para aos obras do BRT Belém fico assustado com os valores e em dúvida se todo esses gasto surtirá os efeitos desejados, que é ter um sistema de transporte público a altura das exigências de mobilidade das pessoas que moram nesta cidade.

Para Construtora Andrade Gutierrez executar as obras da Almirante Barroso, foram pagos entre junho de 2013 e junho de 2014, R$ 118 milhões.

Todo este dinheiro e a obra ainda não está pronta e os efeitos desta obra só pioraram o dia a dia dos paraenses. Estações de transbordos, estações de passageiros com ar refrigerado, ônibus confortáveis para mais de duzentas pessoas, circulando a uma velocidade média de 60 km por hora, tudo controlado por computadores, ônibus em apenas uma pistas, liberando as demais pistas para outros veículos, melhorando o trânsito para todos, preservação da ciclovia já existente antes mesmo da obra do BRT.

O dinheiro saiu dos bolsos dos cidadãos diretamente para os cofres das empresas, sem que os benefícios prometidos fossem entregues. O gestor pagou e não recebeu, em nome do povo, as obras que todos desejavam. Mas os gastos não param por ai.

Em Janeiro de 2014, a Prefeitura Municipal de Belém, tendo a frente o político profissional, Zenaldo Coutinho, Voltou a contratar novas obras do BRT Belém, desta feita para um trecho na Rodovia Augusto Montenegro, que vai do Entroncamento até o Mangueirão. Por este pedaço do BRT, a Prefeitura vai pagar R$ 140 milhões a um consórcio de empresa denominado, Consórcio BRT Belém, vencedor da concorrência feita para este trecho.

A obra se arrasta, sem chegar ao final. Neste período, até greve dos funcionários, que alegando falta de repasse, o trecho do BRT da Augusto Montenegro enfrentou.

Somado os dois valores, os belemenses g

Mesmo que todas as obras sejam feitas de acordo com o projetado. Mesmo que os pagamento sejam todos corretos e sem corrupção. O BRT resolverá o problema de mobilidade no aspecto trânsito e transporte com segurança, preço e conforto?

A resposta é não. O principal erro está na matriz de pensamento dos nosso planejadores urbanos. Na cabeça deles, a cidade é vista a partir da parte e não do todo. A cidade, para eles, são carros, prédios, ruas, pessoas, trânsito e transportes, todos pensando em cada parte isolada. Para eles, nada se relaciona e nem reage.

A cidade precisa ser vista como um organismo vivo, onde as redes de relacionamento reagem entre si e provocam alterações que os planejadores não levaram em consideração. Pensar a cidade para as pessoas e para os seres que a habitam, buscando cumprir o sentido para a qual foi criada, faz toda diferença.

A cidade está composta por sistemas que se interligam e reagem, se autoregulando em busca de atingir o sentido para o qual a cidade existe.O transporte e o trânsito é um desses sistemas, o sistema de mobilidade urbana. O sistema de mobilidade é o que permite a circulação das pessoas pelo espaço urbano sem produzir estresse e emissões, no menor tempo possível, possibilitando conforto e entrelaçamento das relações pessoais.

O BRT Belém não foi pensada assim e por isso nunca servirá como sistema de mobilidade urbana. São parte isoladas e sem a lógica de que a cidade precisa. Começa que não foi atualizado o estudo de deslocamento e circulação das pessoas pela cidade. Nem foi pensando em primeiro planejar aproximar as pessoas das suas necessidades, diminuindo os deslocamentos. Depois, o BRT não é um sistema integrado aos demais sistemas da cidade. E se não é um sistema, não vai interagir, não vai se autoregular e em pouco tempo estará inservível.

Os prefeitos que até elegemos sentem-se donos da cidade e da prefeitura. Pensam a cidade a partir de seus próprios pontos de observações e interesses, que quase sempre não corresponde aos mesmos objetivos da coletividade. Cidade é muito mais do que está na cabeça pequena dos nossos dirigentes. Se não entendermos assim, continuaremos destruindo a Metrópole da Amazônia e quando deveríamos estar construíndo uma Belém Ecópole, uma capital amazônica, completamente ecológica.

 

 

zecarlos

Advogado, pós-graduado em Direito Ambiental, especialista em povo, principalmente o povo paraense.

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