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Dilma ainda não caiu por falta de acordo da oposição

  O governo Dilma está enfraquecido, tem pouca legitimidade, mas sua substituição requer uma engenharia muito trabalhosa e com uma carga de espírito público que desafia as lideranças política do país. Inclusive dos partidos que estão no poder.

A hipótese de Dilma refazer suas bases de sustenção política é remotíssima. Dilma não tem tradição de acordos, seu aval vem do ex-presidente Lula, que perdeu parte significativa de sua credibilidade para negociar com setores da política um acordo eficiente. Na crise do mensalão, Lula propôs uma trégua, as bases para a trégua foram aceitas, mas o ex-presidente não cumpriu com sua parte do armísticio. O jogo de poder engendrado com setores empresárias foi denunciado e vem rendendo muitos escândalos e prisões.

A luta de resistência, como querem alguns governistas, que foram armados para as ruas e continuam assim nas redes sociais, não tem poder fogo para vencer um guerra declarada contra setores fortes que desejam o fim de uma era de poder. Dividir mais ainda o Brasil, não beneficia nem um dos lados e tem pouquissimas chances de obter apoio popular.

O PSDB tem três caciques, Alkmin, Serra e Aécio, cada um com uma pretensão. Alkmin deseja o governo sangrando para que ele seja a alternativa de 2018, pois é muito melhor enfrentar uma Dilma cabaleante e sem força de palanque que um governo novo, desconhecido e saído de qualquer acordo. Serra sabe que as urnas não lhe querem, para disputar as eleições, Serra precisa se crendenciar como gestor, por isso, traçou um plano parecido de FHC, deseja ser ministro de um governo de transição, para se credenciar a uma disputa eleitoral. Aécio, que já disputou uma eleição, ficou em segundo lugar, deseja que o TSE lhe garanta logo o mandato, anulando o registro da chapa vencedora Dilma-Michel.

O PMDB tem no vice Michel sua possibilidade de chegar ao comando do País. O PMDB sucedeu o MDB, legenda que reuniu as forças de oposição contra a ditadura militar, que comandou a constituinte, mas que foi um fracasso nas urnas nas duas eleições seguintes, com Ulisses Guimarães e Oreste Quercia, que disputou como cabeça de chapa. O PMDB foi governo com Itamar Franco, mas um governo de transição após impeachment do presidente Collor, condição que parece não lhe satisfazer na atualidade. 

Marina Silva foi a esperança da nova política, quando pelo Partido Verde disputou a presidência da república e obteve mais de 19 milhões de votos, mas seu desejo de controlar a legenda dos verdes. Não conseguindo, tentou arranca-lhes a bandeira numa guerra sem sentido. Esta disputa trouxe-lhe desgastes irreparáveis. Desgaste que se somaram a sua inabilidade política quando da participação na campanha presidencial substituindo Eduardo Campos, morto trágicamente em pleno voo político. Marina, que pregava a nova política, revelou-se conservadora e sem capacidade de liderar o país levando os brasileiros as transformações necessárias.

O governo que terá que substituir Dilma, com chances de manter-se no poder, levar o país a superar a crise política e econômica, se sair, sairá de uma aliança, onde o cabeça de chapa esteja consciente do seu papel de condutor da unificação nacional. A composição do governo tem que ser feita de três partes. A parte que garanta os programas sociais. As garantias aos investidores de que podem confiar na econômia sem susto. E a parte política com as reformas que decretem o fim do presidencialismo de coalizão e inicie as bases de um modelo de estado enxuto, profissionalizado, com carreiras públicas definidas. Sem isso, nada feito.

zecarlos

Advogado, pós-graduado em Direito Ambiental, especialista em povo, principalmente o povo paraense.

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