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O Pará tem história

Neste final de semana passei na Colônia do Prata, Igarapé-Açu, e fiz as fotos abaixo da Igreja e do Prédio da Colônia. A Colônia do Prata é o antigo leprosário do tempo que hanseníase era tratada isoladamente, segregada. O Padre, italiano, João Mometi é a figura central da história da Colônia e até da Cidade de Igarapé-Açu. Muitas histórias em torno desta figura lendária fazem o folclore do Município. Alguns dizem que o Padre foi embora porque tinha problema com o calor do local que afeta sua saúde. Outros dizem que  o Padre enganou, ficou com o fruto da arrecadação de donativos que vinha da Itália. Porém, tem uma história que precisa ser contada, é a participação do Padre durante a ditadura militar, militantes de esquerda acusavam João Mometi de ser espião dos militares dentro da Igreja. IMG00193 Estas histórias e muitas outras precisam de esclarecimentos. A Igreja da foto foi construída pelos Franciscanos e, dizem, tem mais de 200 anos, mas está abandonada e se deteriorando. IMG00194 O Prédio desta foto ainda está em pé, mas sofrendo a ação do tempo. Funcionava ai Biblioteca e assistência as pessoas acometidas da hanseníase. Quem pode ajudar a esclarecer estas histórias?

zecarlos

Advogado, pós-graduado em Direito Ambiental, especialista em povo, principalmente o povo paraense.

5 comentários em “O Pará tem história

  1. Zé, mando algumas informações para contribuir com o debate:

    A colônia do Prata é um conjunto arquitetônico composto de edificações de diferentes gerações surgidas a partir de 1898. Missionários capuchinhos da Ordem da Lombardia instalaram uma missão no interior do nosso Estado, denominada Núcleo Colonial Indígena do Maracanã (1898), posteriormente mudada para a Colônia Santo Antonio do Prata. Liderava a iniciativa frei Carlos de São Martinho. As obras de construção dos internatos masculino e feminino, custeadas pelo governo do estado, foram concluídas no final da década de 1900 (RIZZINI, s/d).
    “No processo de catequese dos índios Tembés, além do Educandário Instituto do Prata, outras construções e beneficiamentos surgiram no local, considerados indispensáveis para a inserção dos índios na vida civilizada, como a Igreja com torre provida de relógio, a capela, as casas particulares, as oficinas, os campos de experiência e de plantações de seringueiras, cacaueiros, dentre outros produtos. Os frades promoveram a criação de uma imprensa local, O Prata, periódico semanal mimeografado, que mais tarde transformou-se no Correio do Prata, semanário impresso. A arquitetura das construções, a disposição espacial das casas e a divisão territorial em ruas, avenidas e lotes obedeciam aos modos de vida dos povos civilizados.” (RIZZINI, s/d, p. 5322).
    Segundo Rizzi (s:d), em 1903, o objetivo que motivou a atuação missionária se expandiu, em associação com o governo, além de crianças indígenas, “menores transviados” eram recolhidos pela policia das cidades e povoados e enviados para o Instituto. A partir daí, a instituição passou a se chamar Instituto da Infância Desvalida Santo Antônio do Prata, cuja finalidade consistia em educar menores de 6 a 20 anos, de ambos os sexos (filhos de índios; órfãos pobres; moral e materialmente abandonados; filhos de réus condenados sem meios de subsistência; vadios e vagabundos).
    A partir de 1920, foi transformado em Lazarópolis do Prata. Fiquei sabendo que atualmente recebe apoio do Governo do Estado, através da Secretaria de Estado de Saúde (Sespa), mas como está em processo de degradação a Secult pretende implementar um projeto de revitalização que prevê a implantação de um espaço museológico, a formalização de um dossiê de tombamento, a organização de um acervo documental e ainda o desenvolvimento de ações culturais.
    O Governo pretende ainda reconhecer a fonte do lago onde se banhava frei Daniel de Samarate, que foi diretor da Colônia do Prata, da Igreja Santo Isadoro, localizada na Colônia do Prata , como patrimônio imaterial. Frei Daniel atuou há muitos anos como religioso na colônia do Prata, contraindo hanseníase, permaneceu na colônia até sua morte. Está em trâmite no Vaticano, o processo de pedido de canonização do religioso.
    Espero sinceramente que o Governo do Estado alcance seu intento.

    Para mais informação:
    http://www.promapa.org.br/joaopedro/index.php?pagina=fundacao
    http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/para/igarapeacu.pdf
    RIZZINI, Irma. A união da educação com a religião nos institutos indígenas do Pará (1883-1913). Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, s/d. Disponível em: http://www.faced.ufu.br/colubhe06/anais/arquivos/484IrmaRizzini.pdf
    MUNIZ, Palma.O Instituto Santo Antonio do Prata (municipio de Igarapé-Assú). Livraria Escolar (Belem, Pará), 1913. 82p.

  2. Lendo o livro "o Gigante do Prata" que trata da história de frei Daniel de Samarate fazemos um passeio pela história de nosso Estado. Figuras como Augusto Montenegro, Antônio Lemos, entre outros que eu conhecia apenas como nome de Colégios de Belém, aparecem no livro visto que eram governantes da época em que frei Daniel viveu aqui no Pará e com eles negociava em busca de melhorias para a municipio de Igarapé-Açu, a Colônia e outras localidades. Foi assim que foram contruídas os monumentos da foto. É triste saber que um trabalho tão duro que custou a saúde e a vida de uma pessoa (pessoas) esteja se deteriorando dessa forma. Esperava ter notícias melhores do Prata, pois na época de Frei Daniel foram feitos muitos progressos.

  3. Lendo o livro "O gigante do Prata" que narra a história de Frei Daniel de Samarate fazemos um passeio pela história do Pará na época em que ele viveu por aqui. Figuras como Augusto Montenegro, Antônio Lemos, entre outras, aparecem no referido livro, ja que Frei Daniel precisou muitas vezes vir a Belém para fazer negociações com o Governo em busca de melhorias para o Prata e outras localidades. Mais do que um trabalho puramente religioso (não menos fundamental) os missionários capuchinhos que vieram para cá, contribuiram também para o desenvolvimento do nosso Estado. É triste ver que o fruto de tanto empenho e tanto amor de frei Daniel, estão se deteriorando no Prata, como a Igreja, o colégio, etc. Nessa minha busca na internet, epsera ver um Prata mais bonito e desenvolvido e não um tanto abandonado. Deixo a dica de leitura " O gigante do Prata" do frei Camilo Micheli, sucessor de frei Daniel. Livro fascinante!

  4. Lendo o livro "O gigante do Prata" que narra a história de Frei Daniel de Samarate fazemos um passeio pela história do Pará na época em que ele viveu por aqui. Figuras como Augusto Montenegro, Antônio Lemos, entre outras, aparecem no referido livro, ja que Frei Daniel precisou muitas vezes vir a Belém para fazer negociações com o Governo em busca de melhorias para o Prata e outras localidades. Mais do que um trabalho puramente religioso (não menos fundamental) os missionários capuchinhos que vieram para cá, contribuiram também para o desenvolvimento do nosso Estado. É triste ver que o fruto de tanto empenho e tanto amor de frei Daniel, estão se deteriorando no Prata, como a Igreja, o colégio, etc. Nessa minha busca na internet, esperava ver um Prata mais bonito e desenvolvido e não um tanto abandonado. Deixo a dica de leitura " O gigante do Prata" de frei Camilo Micheli, sucessor de frei Daniel. Livro fascinante!

  5. Lendo o livro gigante do prata, me lembrou muito as histórias de infância contada nesse local, dito que sou filho da antiga Colônia do Prata. Triste vê que todo esse patrimônio histórico, está abandonada pelo governo do Estado do Pará. Hoje a vila de Santo Antônio do Prata vive em situação de calamidade. Tive que sair desse município abandonar minha mãe e irmão pra procurar novas oportunidades, não exite uma escola profissionalizante nesse lugar, antes até tinha quando o padre João existia por lá.

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