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Bandido morto

Bandido morto é a solução para violência?

Bandido morto
Matar traficante acaba com o tráfico?

Ouvi o delegado Eder Mauro dizer para pessoas na Feira do Bengui, durante um ato de sua campanha a prefeito de Belém, que se for eleito prefeito irá tratar “bandido como bandido e cidadão como cidadão”.

Algumas pessoas aplaudiram aquela frase dita por um delegado e deputado federal com muita ênfase e até com um certo convencimento de que esta é a melhor solução para combater a violência, decorrente do tráfico e consumo de drogas, que assola os bairros pobres da periferia das grandes cidades.

O Delegado e candidato, discorreu um pouco sobre as consequências das drogas. O uso, o consumo, o envolvimento atingem os viciados e os familiares, infelicitando até os vizinhos, obrigados a conviver com o clima de medo que ronda os ambientes onde circulam cocaína, crack e outras drogas viciantes.

Sou um político interessado no bem comum e a violência é uma coisa que me incomoda bastante, assim como deve incomodar dez em cada dez habitante de Belém. Esse contingente de eleitores quer uma solução para essa praga e tende a escutar os candidatos que apresentarem propostas para, pelo menos diminuir, o nível insuportável de intranquilidade urbana. Por isso, resolvi levar a sério e analisar a proposta de Eder Mauro: “tratar cidadão como cidadão e bandido como bandido”. Uma versão política para outro jargão: “bandido bom é bandido morto”.

Me interessei em saber se em algum país como os mesmo índices de circulação e consumo de drogas a proposta de exterminar traficantes foi posta em prática e deu que resultado.

Cheguei então, através de matéria publicada pela BBC de Londres, as Filipinas. O país possui uma área de 300 mil quilômetros quadrados e aproximadamente 7 mil ilhas. É um dos maiores arquipélagos da Ásia.

O país de língua filipina e inglesa, de maioria católico, com forte influência americana, vive o terror das drogas. Um terço da população tem envolvimento com as drogas, principalmente a proliferação de metanfetaminas, ou shabú, como a droga é conhecida no país. Cada grama custa cerca de 1 mil pesos filipinos (US$ 22).

O presidente Rodrigo Duterte foi eleito, em junho deste ano, e disse aos cidadãos e à polícia para matarem narcotraficantes. Traficante bom é traficante morto. Duerte, antes de sua eleição, prometeu acabar com a vida de 100 mil criminosos nos primeiros seis meses de governo. Para cumprir com a promessa, o Presidente filipino autorizou a contratação de matadores de aluguel, pagando até US$ 430 por assassinato (R$ 1380), uma fortuna nas Filipinas. “Segundo a polícia, mais de 1,9 mil pessoas foram assassinadas em episódios relacionados às drogas desde que Muterte assumiu a Presidência, em 30 de junho”

As mortes continuam, mas o consumo de drogas não retrocedeu. Os mortos até agora são pobres de periferia. O narcotráfico não se abalou e segundo o próprio presidente Duterte “afirma haver 150 altos funcionários, oficiais e juízes ligados a esse comércio. Cinco chefes de polícia são os comandantes do negócio, garantiu ele.”

No Brasil e aqui no Pará, o quadro é o mesmo. O tráfico funciona como o mesmo método de vendas de produtos em pirâmide. Tem o distribuidor e os revendedores. Os donos do negócio não se sabe ao certo quem são. A droga vem de fora, em operações que recebe apoio de alto escalão, entra no país, chega as mão dos distribuidores que repassam aos revendedores. Cada revendedor, faz seu pedido, quando sua caixa chega, vai ao ponto retirá-la, vende pelo preço que achar mais conveniente e faz um novo pedido.

A polícia e os grupos de extermínio alcançam o revendedor em sua maioria. A cada revendedor que é morto, como o negócio é rápido e lucrativo, outros logo se habilitam para apanhar a encomendo do que virou defunto.  São mortos os que incomodam, não pagam a propina ou ficam devendo para o distribuidor. O traficante, aquele que está no topo da cadeia, dificilmente será alcançado.

O dono do negócio do tráfico não tem cara, cor ou roupa de bandido. frequenta altas rodas, aparece em coluna social, tem forte influência entre políticos e autoridades.

O viciado, o comprador, a ponta final da droga, quem é?

As pessoas buscam as drogas por diversos motivos. Depressão decorrente da sociedade desequilibrada. Espírito de aventura, do qual os jovens são acometidos com muita frequência. Lenitivo para suportar a vida dura e miserável., etc. A grande maioria dos viciados são pobres de periferia, vivendo em palafitas, sem urbanização e oriundos de famílias desequilibradas. Estes são os clientes desse negócio milionário.

Se não cessar a causa, não cessará o efeito.

“Carta de Sado”: “Aquele que escala a montanha, mais cedo ou mais tarde, terá de descê-la. Aquele que despreza o outro, será desprezado […]. Essa é a lei geral de causa e efeito”. (Os Escritos de Nichiren Daishonin, vol. 5, pág. 25.)

Vencer o tráfico não é um ato de força. A inteligência deve ser a maior arma neste combate. A Filipinas nos mostra que não devemos seguir o caminho apontado por Eder Mauro, ele não é novo e nem foi inventado pelo Delegado.

Quando Eder Mauro diz: “tratarei cidadão como cidadão e bandido como bandido”, parece uma equação simples dividir uma cidade em cidadão e bandidos, mas não é tão simples assim, ao contrário.

O que caracteriza um e outro? Quem julgará e sentenciará a condição de bandido para um ex-cidadão?

São perguntas pertinentes que um prefeito não tem papel institucional de responder, salvo se o fizer utilizando a arbitrariedade e a ilegalidade.

No caso do tráfico, como atingir os donos do negócio que estão no topo da cadeia e se misturam nos melhores clubes e colunas sociais. vestem-se como cidadãos, praticam atos de cidadania, mas nos bastidores alimentam o negócio milionário das drogas?

Um prefeito pode ajudar sim a diminuir a violência e as drogas, mas não é pela raza propostas de achar que pode separar o joio do trigo.

“A Colombia é um bom exemplo de combate ao narcotráfico. Lá, associou-se políticas públicas a repressão estatal. Deu certo. Medellin, antes o centro de 80% das atividades de narcotráfico, lideradas por Pablo Escobar, virou o centro de atração para urbanista do mundo inteiro.

Para entender um pouco por que Medellin é ponto de peregrinação vale lembrar que no final dos anos 80 dali se controlava 80% do tráfico de cocaína nas Américas. Eventos como a invasão da Suprema Corte colombiana (1985),  a explosão do voo 203 da Avianca (1989) e das esculturas de Fernando Botero (1995) são todos atribuídos ao cartel de Medellin. Nos anos 90 um movimento chamado Compromisso Ciudadano começou a articular acadêmicos (Fajardo era diretor da faculdade), empresários e lideranças comunitárias em torno de um projeto de cidade. Em 2003 o sucesso do movimento levou elegeu Fajardo para a prefeitura.  Seu governo foi marcado pela proposta de construir os melhores e mais belos espaços públicos nas áreas mais pobres da cidade.

Desde então, Medellin tem estado na vanguarda do pensamento e da prática urbanística, com idéias que vão do o uso de teleféricos como solução de transporte à proibição de muros cegos e artefatos de segurança ofensivos como cacos de vidro e arame farpado. O fato é que os homicídios caíram de 6mil em 1991 para 871 em 2008 e estima-se que estarão na casa dos 400 em 2013.” (Visita a Medellin, cidade aberta)

A maioria da população quer o fim da violência. A minoria também quer o mesmo. A maioria, por pouco acesso ao conhecimento e as informações corretas, tendem a apoiar propostas simples e direta, como as que são feitas pelo Delegado Eder Mauro. A minoria sabe que não é o caminho, ao contrário, com o emprego da violência para combater a violência,  seremos vítimas fácil da lei da causa e efeito, quando a violência se voltara contra todos, mas está de braços cruzados achando que desqualificar a posição do Delegado é uma tarefa apenas dos candidatos a prefeito.

Tocqueville, nos alertou que um dos perigos das democracias está na “tirania da maioria”. Tirania da maioria, Tirania das massas ou ditadura da maioria é um termo utilizado em discussões acerca de democracias com decisões por maioria absoluta, para descrever cenários em que os interesses de minorias são consistentemente obstaculizados por uma maioria eleitoral, constituindo uma opressão comparável à das tiranias.[1] Os casos mais comuns são as discriminações contra grupos étnicos, raciais, religiosos, homossexuais, entre outros. A expressão “tolerância repressiva” também costuma ser associada à tirania da maioria.

O remédio está na qualificação do processo democrático, onde as minorias conscientes adotam papel ativo e ajudam a maioria com informações e socialização do conhecimento para evitar que todos caiam em tragédias anunciadas.

Eder Mauro pode até está de boa-fé, mas sua proposta é uma dessas tragédias anunciadas, tendentes a fazer muito mais vítimas entre os inocentes do que alcançar o resultado que todos almejam. A decisão está nas mãos da minoria agora, antes das eleições, se envolvendo ativamente no combate dessa propostas simples e direta de Eder Mauro, para que todos não sofram com a tirania da maioria depois, quando as urnas forem abertas.

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O Gilmar Mendes é o dono do Brasil?

 
As declarações de Gilmar Mendes contra os abusos do Ministério Público não parece ser de boa-fé. Da forma e no momento que são feitas, as declarações se prestam a inibir as punições a corruptos. Principalmente os da operação Lava Jato. 

Neste anos todos em que Gilmar está ministro do STF não lembro de um só julgamento conduzido por ele que tenha como alvo os corruptos, políticos de alto cuturno e de bico grande. Gilmar Mendes é um problema para o nosso Judicário. 

Gilmar Mendes, nos últimos dias, após assumir a presidência do TSE, subiu oara ribalta dando ordens e fazendo declarações dirigidas a alvos previamente escolhidos, portando-se como se fosse o dono do país. Só que não!

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A esperança está nos jovens

A Fundação Verde Herbert Daniel preparou esta aula de Teoria Geral do Estado para auxiliar os jovens a entenderem um pouco mais de política. A juventude mostrou que deseja um país diferente, foi as ruas em 2013 portando cartazes e dizendo o que não queria. Com este curso, queremos que a juventude agora diga como quer as instituições políticas. Aproveitem.

 

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Derrotar os corruptos só com muita consciência

  Permita-me uma pequena conversa. Não há hipótese de vencer qualquer eleição sem dinheiro. O custo aumenta se o candidato é pouco popular, mas sempre terá custo. 
O problema é como conseguir levantar recursos para uma campanha limpa e decente de forma ética? 
Na atual legislação, só através de doações expontâneas dos eleitores. Mas os eleitores no Brasil não estão acostumados a apoiar financeiramente os candidatos. Acham que político é rico, mentiroso e corrupto. 
Os políticos ricos, mentirosos e corruptos existem sim e não vão pedir dinheiro para eleitores, dinheiro eles têm o suficiente para comprar os votos que precisam para se eleger com folga. 
Mas e o candidato que precisamos para melhorar a política, honesto, comprometido, desprendido, capaz de apresentar as melhores propostas para nossas cidades melhorarem? 
Este não tem dinheiro para minimamente se apresentarem com opção e mesmo pedindo apoio não recebem. Os eleitores que desejam mudanças são desconfiados de todos, por tanto, os bons não se elegem. O resultado é que as mudanças com as quais tanto sonhamos nunca vem. 
Quem muda a política não são os políticos atuais, a mudança só virá por meio dos eleitores conscientes e capazes de entender que seu apoio é decisivo. 
Este dia pode chegar e pode ser de baixo para cima. Primeiro bons prefeitos e vereadores, depois deputados, senadores, governadores e presidente. Basta que os eleitores conscientes entendam que os políticos atuais fizeram regras para derrotar as mudanças e os derrotem com suas consciências e participação.

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O Futuro do Brasil é Verde

O Brasil pode ser verde, mas precisa superar grandes e graves problemas políticos, econômicos e ambientais. O Partido Verde através de sua Fundação de estudos e debates, para comemorar cinco anos de sua Revista, a Pensar Verde, preparou uma edição especial de aniversário muito ousada, com propostas ousadas, mas factíveis. Espero que gostem e, se concordarem, defendam como suas ideias. O sonho coletivo pode virar realidade, vamos sonhar com um Brasil Verde?

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Adesão do Pará a Independência

  Gosto das datas comemorativas que lembram histórias, como a da Adesão do Pará a Independência.

Um povo vive de relembrar seus feitos, transmitindo-os por todas as gerações, principalmente quando o feito contribui para fortalecer os laços culturais, firmar conceitos éticos, morais e aprimorar a vida em sociedade. 

A adesão do Pará a Independência foi um fato marcante na história do nosso estado, mas poucos são os paraenses que o conhece, principalmente como ele realmente aconteceu. 

Sem saber dos detalhes e das reais circuntâncias em que se deu a Adesão do Pará ao estado nacional, os paraenses apenas aproveitam o feriado como mais um dia de descanso e de lazer. O dia passa como outro dia qualquer, sem trabalho. Nada fica de exemplo para a atual geração apreender um pouquinho com a sua história.

As rádios, as televisões, os jornais e as redes sociais, nada dizem sobre a Adesão. Acho até que os jornalistas paraenses sabem sobe o ocorrido, mas sabem muito pouco. 

O povo, se bem informado, teria cuidado de mudar sua história e até responderia de bate e pronto algumas indagações simples, como estas:

Por que o Pará não acompanhou D. Pedro I, aderindo  de imediato a Independência do Brasil? 

O que fez os paraenses mudarem de idéia um ano depois? 

A nossa adesão a Independência beneficiou a quem?

O ano da Independência era 1822, Sete de Setembro. O Imperador D. Pedro I, regressando da casa de Domitila, a Marquesa de Santos, recebeu, as margens do Riacho Ipiranga, a noticia que deveria regressar a Portugal. O rapazola se rebelou e tascou-lhe o grito: “independência ou morte”. 

O Pará era governado por uma Junta formada por portugueses ricos que se correspondia diretamente com Lisboa e não aceitaram a ideia de separar-se da Coroa Portuguesa para se submeter a um governo nacional sediado no Rio de Janeiro. Por isso, o Pará tornou-se rebelde, o que muito chateou o Jovem Imperador do Brasil. 

A rebeldia, porém, tinha dois lados. Os portugueses, ricos comerciantes, tencionavam permanecer no poder do Pará e temiam que D. Pedro I os destituisse desta posição de mando na Colonia. Os paraenses, índios, escravos e mestiços, que desejavam se libertar de qualquer julgo, incluindo o julgo do governo brasileiro que acabará de se formar e também o julgo dos comerciantes portugues da Junta Governativa.

Os dois lados, embora com interesses própios, não reconheciam a Independência  e a autoridade do Imperador D. Pedro. O Imperador reagiu forte. Contratou o almirante inglês, Thomas Cochrane, que da Bahia comandou o ataque aos estados rebeldes. 

Para o Norte, Cochrane enviou o terrível Jonh Pascoe Grenfell, no comando do Brigue Palhaço. Primeiro o Brigue, denomindo “Palhaço”, aportou no Maranhão. Tudo resolvido, Grenfell teve noticia que o maior foco de revolta estava no Pará e para cá seguiu com gosto de gás e sangue no olho. 

Chegando em Belém, o Brigue “Palhaço”, “navio de madeira, de propulsão a vela, aparelhado em brigue, construído na Bahia, em Pojuca.  O primeiro nome do brigue Palhaço era São José Diligente e fazia parte da Armada Real Portuguesa”. Dizem até que, antes de ser incorporado a Armada Portuguesa, trocou de nome para transportar escravos. Não fica bem usar o nome de um santo neste comércio de almas. 

Grenfell blefou, mentiu, enganou a Junta Governativa. Disse o Terrível Corsário, ou vocês se rendem, e hasteiam a bandeira do novo Império, ou vou atacar com uma grande esquadra que está aportada na boca de Salinas. Os portugueses temeram. Os paraenses resitiram. O impasse estava formado. 

Grenfel e a Junta Governativa fizeram um acordo. O Mercenário, conseguida adesão dos ricos portugueses, mandou recolher a tropa local no quartel. Mas bastou a noite escura cair sobre Belém, para os paraenses, com ajuda de alguns soldados rebeldes, ir as ruas e atacar as casas dos portuguesas. Tudo era noticiado pelo jornal “O Paraense”, criado por Felipe Patroni e comandado pelo Conêgo Batita Campos. 

O comandante do Brigue Palhaço mandou fuzilar cinco soldados supeitos de apoiarem a revolta, depois, informado do grande papel do Conêgo, mandou prendê-lo e amarrar à boca de um canhão como forma de ameaça aos demais. A noite, novamente os paraenses estavam nas ruas mostando o descontentamo com o julgo dos dois impérios, personificado nos terríveis exploradores portugueses que dominavam o comércio e a exportação de produtos da terra, a custa do suor e lagrimas de índios, mestiços e negros.

Grenfell, com apoio das elites, deu uma ordem absurda, prendam todos os homens que estiverem nas ruas de Belém depois que o sol se por. E assim foram presos 256 pessoas e como não tinha cadeia para tantos presos, o Terrível Mercenário mandou jogá-los no porão do “Brigue Palhaço”. Aquilo virou um inferno. O calor, a fome e a sede fez os homens gemerem e gritarem por água. No lugar de atende-los, os marinheiros foram orientados a dar uma rajada de tiros para dentro do porão. Os gritos aumentaram. Presos na escuridão do porão fétido, os duzentos e cinco e seis bravos paraenses, agora nús, gemiam de fome, sede e calor, misturados aos corpos dos primeiros mortos. 

O barulho infernal dos inocentes foi aplacado com a cal virgem, atirada para dentro do porão, para completar, teve suas escoltilhas fechadas. No dia seguintes, estavam mortos, 252, dos 04 sobreviventes, 03 morreram em seguida e apenas 01 ficou vivou e dele não se dignaran a registrar o nome, muito menos o paradeiro. 

Não se sabe para onde levaram e enterraram os corpos, alguns falam que uma grande cova foi aberta nas terras do Sítio Penacova, pertecente aos Padres Franciscanos e que fica ali pros lados do Tapanã. 

Os portugueses aderiram a Independência e foram honrados com cargos e benesses pelo Imperador. Grenfell tornou-se consul do Brasil na Inglaterra onde veio a falecer de morte natural. A história do massacre do “Brigue Palhaço” e da Adesão do Pará a Indepedência” foi ocultada por muito tempo. Dizem que até a data, 15 de Agosto, está errada, fala-se que tudo teria ocorrido no mês de outubro. 

O deputado constituinte paraenses Zeno Veloso, relator da “Carta Magna do Pará”, lembrou, talvez até por ironia de intelectual, de escrever a data provável como feriado estadual, sem contar os fatos.

Os paraenses prantearam seus heróis e junto com Batista Campos e prepararam a grande “Revolução Cabana”, em 1835 a 1840, dizem que é a unica revolta popular vitoriosa que se tem noticia na história da humanidade, tempos depois, único período em que o Pará viveu lívre do governo central. 

Novamente fomos invadidos e saqueados, como somos até hoje e sempre com ajuda de descendentes da elite daquela época, as vezes runidos em federações, partidos, meios de comunicação. Brasilia nos explora levando nosso minério, a energia, a madeira, o cacau, a pimenta, deixando para os descendentes dos massacrados do “Brigue Palhaço”, o pão e o circo de todas as eleições.
Vamos dar um viva ao nossos heróis? Viva!

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O advogado e o processo eletrônico

  
A implantação do processo judicial eletrônico tem provocado divergências e resistências na sua implementação pelo Poder Judiciário Brasil afora. 

As divergências dizem respeito a três ordens de problemas: a ausência de um período de adaptação, a oferta de serviço precário de internet em velocidade e estabilidade incompatível com a exigência dos usuários e os diferentes sistemas para cada ramo da Justiça. 

As divergências serão superadas, sem dúvida. O processo eletrônico é bem-vindo, mas não pode ser implantado a força e muito menos contrariando o objetivo para o qual foi concebido que é agiliza e permitir a celeridade da prestação jurisdicional com baixo custo para o contribuinte.
As resistências vem do modelo tradicional de advocacia, todo baseado em meio físico, em contraposição ao uso de novas tecnologias digitais.

As novas tecnologias se imporão e vencerão todas as resistências, porque é assim que sempre aconteceu com o novo que vem com a força do seu tempo. As redes sociais, os big datas e as redes digitais fazem parte da vida moderna, incorporada ao dia a dia das relações humanas.

Lembro da resistência dos operários tecelões aos teares mecânicos, simbolo da revolução industrial. Neste período foi criada a palavra sabotagem, ato de resistência que consistia em colocar os calçados, sabot em francês, para danificar as engrenagens das novas tecnologias, ameaçadoras dos empregos. 

Os tipográfos, gráficos que montavam as matrizes para impressão, utilizando-se de tipos móveis ou de linotipos, foram superados pela chegada das máquinas offset, logo tornada obsoleta pela tecnologia digital.

O sistema de táxi, transporte de passasageiro autorizado pelas prefeituras, vem sendo desafiado por aplicativos como o “99 táxi” e o famoso “uber”, estes sem precisar de autorização do poder público funcionam com mais eficência e menor preço. Não adianta enfretá-los com o uso da violência. Mudanças irão se impor.

Os advogados, superado as divergências, não vencerão pela resistência as novas tecnologias. O processo eletrônico irá se tornar realidade e a sua adoção mudará a própria forma de advogar. 

Apenas para abordar um só aspecto, a formação de poderosos bancos de dados, com informações que depois de interpretada e instruídas por algoritmos, permitirá antever decisões dos magistrados em casos semelhantes, podendo até o próprio sistema, automaticamente, responder com decisões interlocutórios ou de mero despacho, sem precisar da mão humana.

Por algum tempo a advocacia e o Judiciário brasileiro ainda funcionarão como os postos de combustíveis, que apesar de estarem equipados com bombas automáticas de autoabastecimento, não dispensaram os bombeiros. O mesmo pode acontecer com os serventuários da justiça, uma vez que o uso dos processos eletrônicos, poderá dispensá-los e readaptá-los

Os advogados são essenciais à administração da justiça, de acordo com dispositivo constitucional (art. 133), mas precisarão entender os novos tempos e as novas tecnologias. Usá-las, nos fará cumprir melhor nossa profissão como um munus publicum, ou seja, um encargo público, em favor da Justiça.

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A liberdade de escolher um futuro melhor

A democracia é o regime político que permite fazer boas escolhas elegendo as políticas públicas e as pessoas que irão torna-las realidade, mudando o ambiente em que se vive. Melhorar as cidades é exercer a liberdade para melhorar a própria pessoa. 
Por isso, escolher os prefeitos e vereadores é exercer a liberdade de querer alterar o destino individual e coletivo, sendo que o exercício do voto configura-se como o instrumento das mudanças possíveis.
Os seres humanos têm pouco espaço para exercer o que chamam de liberdade ou livre arbítrio. Um momento primordial, quase único desse exercício de liberdade, está na possibilidade de escolher políticas públicas e quem vai dirigir o destino do país, do estado e da cidade onde se vive. A democracia representa, por isso, a fresta pela qual o ser humano pode influenciar no seu amanhã. 
Três são as caracteristicas da formação da personalidade humana, duas delas imutáveis. A característica que vem no DNA e são qualidades que trazemos desde antes do nascimento, nos determina a cor da pele, do cabelo, a altura possível, a cor dos olhos e até síndromes. Estas características estão na essência e vem dentro de cada pessoa, sendo impossível retirá-las ou mesmo alterá-las. Outra característica imutável é a herança cultural de cada um, tudo aquilo que já foi vivido por seus ancestrais e transmitido geração após geração, e que também não há espaço para qualquer alteração sobre esta configuração do nosso ser. Mas existe uma terceira característica da personalidade humana, esta moldada dia a dia, dita pelo exercício pleno da liberdade e do livre arbítrio, que é o extinto de sobrevivência e que depende do meio ambiente em que se vive e das relações com os outros seres humanos, sendo a única que pode ser mudada pela escolha livre de cada um.
O ambiente onde se vive e as pessoas com as quais se interage, nos foi dado como a possibilidade de liberdade. Podemos, com o uso desta liberdade, mudar o ambiente onde queremos viver. A cidade, espaço geográfico por nós escolhidos para exercer esta liberdade, pode ter as qualidade que precisamos para superar os nossos defeitos e evoluir no processo civilizatório, traçando o novo amanhã.
Eleger políticas públicas que modifiquem o ambiente na qual desejamos morar e viver é uma dessas formas de exercer a liberdade ou o livre arbítrio. Escolher as pessoas que irão conduzir essas mudanças, também. 
Quando falamos em política pública, estamos nos referindo a abastecimento de água, saneamento, saúde, educação, segurança, transporte, arborização, serviços públicos essenciais à qualidade de vida das pessoas. Esse pacote muda o ambiente, permitindo às pessoas viverem com qualidade, alterando seu próprio futuro. 

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Caixa Dois

Banir a corrupção e o caixa dois de campanha

Caixa Dois

No dia 05 de agosto, encerra-se os processos de escolhas, pelos partidos políticos, de candidatos a prefeitos e vereadores em todo o país. As cidades brasileiras serão administradas por um desses atores ofertados pelas cúpulas partidárias para a escolha do eleitor. Serão eles que terão a caneta para o bem ou para mal dos problemas básicos de cada cidadão, interferindo principalmente na qualidade de moradia e do viver cotidiano.

Saúde e educação básica. Trânsito e transporte público. Autorização para construir ou reformar. Preservação do patrimônio e da memória das nossas cidades. Parque, calçadas, ruas, áreas verdes, arborização. Abastecimento de água e saneamento. Tudo depende da decisão acertada ou errada dos eleitos. O futuro da cidade e da tranquilidade da moradia de cada pessoa passa pela decisão doeste futuros prefeitos e vereadores.

No dia 15 de agosto, depois de passará pelo processo de registro junto a Justiça Eleitoral, os candidatos estarão autorizados fazer campanha, arrecadando os valores financeiros para pagar as contas de campanha e aqui está a grande novidade da atual legislação. Depois da Lavajato, onde se descobriu um esquema milionário de corrupção, as regras de financiamento eleitoral mudaram. No esquema de corrupção as empresas faziam cartel para dividir os milionários contratos de obras públicas, principalmente na poderosa Petrobras, embutindo no preço o percentual da propina, o dinheiro sujo, subtraído das estatais e dos cofres públicos, sustentava partidos e políticos, que financiavam campanhas milionárias.

A população, ao tomar conhecimentos do escândalos, foi para as ruas, bateu panelas, exigiu o impeachment da presidente da republica, apoio a operação Lavajato e o juiz Sergio Moro, reivindicou a prisão dos corruptos. Mas nada disso vai surtir efeito de as empresas continuarem financiando as campanhas eleitorais. Que deve ser a peça principal do processo de escolhas dos representantes do povo deve ser o povo, tanto votando quanto contribuindo com dinheiro limpo.
A pressão popular sobre o Congresso Nacional e a decisão do STF, proibiu que as empresas continuasse pagando as contas de campanha. A nova lei eleitoral determinou que só o cidadão pode contribuir com os candidatos. É uma avanço que necessita ser consolidado. Este é o passo decisivo para o eleitor mandar no Brasil e consolidar de vez nossa democracia, portanto e para finalizar esse texto, deixo aqui meu apelo. Veja em sua cidade quem são os partidos sérios e os bons candidatos. Informe-se sobre a conta bancária de arrecadação de campanha deles. Deposite um valor como doação de campanha, mesmo que seja simbólico. Um real que seja, fortalecerá a democracia. Depois é só acompanhar diretamente no site do TSE como o seu dinheiro foi aplicado. Vamos banir a corrupção e o caixa dois de campanha.

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